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'Agora', um disco "sem pressa de Amanhã e sem ficar preso no Ontem"

O mais recente álbum de Teresinha Landeiro é apresentado esta quinta-feira, dia 1 de julho, no Tivoli.

'Agora', um disco "sem pressa de Amanhã e sem ficar preso no Ontem"
Notícias ao Minuto

08:30 - 01/07/21 por Natacha Nunes Costa 

Cultura Teresinha Landeiro

Era ainda uma criança quando o Fado passou a fazer parte da sua vida. Hoje, aos 25 anos, Teresinha Landeiro garante ter os pés assentes no 'Agora', sem pressa do Futuro e sem as correntes do Passado. Vive o Presente, a cantar o mundo e a escrever as suas histórias, inspiradas no amor e no quotidiano.

Apesar disso, não fica parada. Depois de ter lançado o seu segundo álbum, 'Agora', apresenta-o esta quinta-feira, dia 1 de julho, no Tivoli, em Lisboa.

Antes do espetáculo, que vai contar com surpresas, a jovem artista falou com o Notícias ao Minuto, onde revelou estar cada vez mais focada em se afirmar enquanto autora, algo que apareceu na sua vida aquando do primeiro desgosto de amor.

Estreou-se nos discos aos 22 anos, com ‘Namoro’. Três anos volvidos, lança o seu segundo álbum. O que nos traz ‘Agora’?

Este ‘Agora’ continua a trazer fado, tal como o disco anterior, no entanto, há uma abertura maior para outros estilos musicais, há uma vontade cada vez maior de me afirmar enquanto autora, de cantar o mundo e as suas histórias com o meu olhar de 25 anos. Traz histórias de amor e traz histórias do quotidiano, mas sempre com uma roupagem de Agora, sem pressa de ser de Amanhã nem querendo ficar presa no Ontem.

Nunca vi a Celeste Rodrigues como irmã da Amália, mas sim como uma fadista extraordinária e uma pessoa do mais alto nível

A maioria dos temas deste novo trabalho foram escritos por si. Onde vai buscar inspiração?

Tento inspirar-me em tudo aquilo que me faça sentir algo. Inspiro-me nas minhas próprias histórias e experiências e idealizo outras tantas. Inspiro-me nas pessoas que admiro e, mais recentemente, tento falar de assuntos que não me dizem diretamente respeito, mas que me inquietam, e falo deles com a visão que tenho Agora sobre determinados temas.

O álbum traz também uma homenagem a Celeste Rodrigues. De onde surgiu esta ideia? Sempre foi fã da irmã de Amália Rodrigues? Chegou a conviver com ela?

Esta homenagem aconteceu de forma muito natural. Fazia sentido mesmo antes de decidir que a iria fazer. Tive a sorte de ter a Celeste como amiga. E que amiga maravilhosa. Foi das pessoas mais interessantes que conheci. Nunca a vi como irmã da Amália, mas sim como uma fadista extraordinária e uma pessoa do mais alto nível. Gosto (sempre no presente) da Celeste por tudo o que ela representa enquanto pessoa e enquanto fadista. Ensinou-me mais do que eu imaginei que fosse possível. Levo um pouco dela em mim, isso é certo. E este ‘Xaile’, é um retrato perfeito da Celeste e de todos aqueles que, como eu, foram abraçados e escolhidos pelo fado sem darem conta.

Vai apresentar ‘Agora’ esta quinta-feira, dia 1 de julho, no Tivoli. O que podem esperar os fãs do espetáculo?

Este será um concerto de apresentação do meu novo álbum. ‘Agora’ será o centro das atenções. Mas claro que farei uma breve viagem pelo meu primeiro álbum. Terei uma música que não faz parte de nenhum dos álbuns e que é uma homenagem também. Mas essa é surpresa e fica para quem for até ao Tivoli.

Comecei a escrever com 13 anos quando tive o meu primeiro desgosto amoroso. Na altura pensei que ia morrer [risos]

Começou a cantar era ainda uma criança e rapidamente passou a fazer parte do elenco da famosa casa de fados ‘Mesa de Frades’, em Alfama. Quando é que sentiu que estava a abraçar uma carreira e não apenas um hobbie?

Tive a sorte e a honra de integrar o elenco da ‘Mesa de Frades’ muito nova, mas nessa altura ainda não sabia que este seria o meu caminho. Penso que só depois do meu primeiro concerto no CCB é que tive consciência de que este poderia ser o meu futuro. E tão bom que descobri. Não há nada que me faça mais feliz e que me preencha tanto.

E quando é que começou a escrever?

Comecei a escrever com 13 anos quando tive o meu primeiro desgosto amoroso. Na altura pensei que ia morrer [risos]. Então, peguei numa caneta e num papel e desabafei. Mas só arrisquei cantar essa letra um ano mais tarde. E a partir daí o gosto pela escrita foi crescendo até que se tornou uma necessidade.

Cada um terá a sua história, basta que a contem de forma honesta para que possa ser fado 

Muitos são os que defendem que é preciso ter experiência de vida e de ter passado até por algum sofrimento para escrever fado. Contudo, a Teresinha tem apenas 25 anos e já escreveu alguns fados. Sente que, com apenas um quarto de século, a sua vida já teve ‘drama’ suficiente para escrever este tipo de canções? É uma alma velha num corpo jovem?

Tenho por hábito dizer que o fado é sobre a vida, e todos vivemos, independentemente da idade, todos temos uma história. Uns têm histórias mais tristes e mais pesadas. Outros já viveram mais anos, e por isso viveram mais. Quando cantamos a vida ou sobre ela, temos de ter o cuidado de cantar a que conhecemos. Cantar sobre o que já vimos, sobre o que já vivemos. Vamos ter tempo para sofrer, chorar e bater com a cabeça nas paredes. Também há, infelizmente, quem tenha vidas curtas e já tenha vivido muito mais do que seria suposto. Cada um terá a sua história, basta que a contem de forma honesta para que possa ser fado.

A minha construção enquanto fadista também passou por ouvir vozes como Frank Sinatra ou Nat King Cole

‘Agora’ não traz só fado. Traz também um samba, com ‘Batom’, e jazz, com ‘Desculpa’. Como tem sido o feedback destas duas músicas? Não desvirtuou o conceito do álbum?

Tentei que os fados fossem fados. Mantê-los intactos e fiéis ao que são ou foram, na voz de outros fadistas. O ‘Batom’ e o ‘Desculpa’ são duas músicas novas, compostas para este disco. Não são fados, nem eu quero que as pessoas pensem que são. É uma fadista acompanhada por uma roda de samba e por um pianista de jazz. Fado é sem dúvida o que mais gosto de cantar, mas também ouço outros estilos musicais e sou, naturalmente, uma mistura de tudo aquilo que ouço. A minha construção enquanto fadista também passou por ouvir vozes como Frank Sinatra ou Nat King Cole. Também eles cantaram tantas vezes sobre a vida. O samba é sobre a vida. O feedback foi bom, porque há espaço para tudo desde que seja feito de forma honesta.

Acha que pertence à nova geração de fadistas ou prefere a vertente mais tradicional desta canção?

Pertenço à nova geração de fadistas porque canto fado. É isso que nos faz pertencer a um determinado lugar.

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