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João Cutileiro: Conjugou criatividade e irreverência, diz historiador

O historiador de arte e curador Joaquim Caetano, que organizou seis exposições da obra de João Cutileiro nos últimos vinte anos, sublinhou hoje que o escultor conjugou de forma única inovação tecnológica, estética, criatividade e irreverência.

João Cutileiro: Conjugou criatividade e irreverência, diz historiador

O artista, que faleceu na madrugada de hoje, aos 83 anos, estava internado num hospital de Lisboa com graves problemas do foro respiratório.

"Cutileiro foi um artista de grande produtividade, trabalhava constantemente e tinha uma curiosidade imensa do ponto de vista tecnológico e científico que lhe permitiu aplicar grandes inovações na sua arte para criar de forma rápida", recordou o historiador de arte e amigo do artista, contactado pela agência Lusa.

Joaquim Caetano lembrou que as polémicas em torno de obras como "D. Sebastião", em Lagos, e o monumento ao 25 de Abril, em Lisboa, "são exemplo da irreverência, do humor e da criatividade do artista plástico, e da incompreensão do valor do seu trabalho, que, com o tempo, irá ser mais entendida".

Apontou ainda que a ida de Cutileiro para Londres, onde estudou na Slade School of Fine Art, nos anos de 1950, com o conceituado escultor inglês Reg Butle, "não foi tanto para aprender a técnica, mas porque necessitava de adquirir um certo profissionalismo anglo-saxónico, que se opunha ao diletantismo da arte portuguesa naquela época".

"Obras como a que criou em Lagos, provocaram uma clivagem na escultura pública portuguesa", salientou o historiador e diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

Joaquim Caetano participou no documentário "A Pedra Não Espera" (2018), da realizadora Graça Castanheira, que segue os projetos e esculturas de João Cutileiro, no espaço público da sua exibição e na intimidade da casa/atelier onde as obras nasceram, recuperando a sua memória em conversas informais entre o escultor e a sua mulher, a artista Margarida Lagarto.

A generosidade, disse ainda Joaquim Caetano, era uma das maiores facetas do artista que, nascido em 1937, em Lisboa, viveu e trabalhou em Évora desde 1985, e doou parte do seu espólio ao Estado, nomeadamente o seu "fantástico atelier", para um projeto de salvaguarda e estudo formalizado em 2018 com o Ministério da Cultura, o município e a Universidade de Évora.

"Mais do que comemorar a vida e obra de João Cutileiro, ele gostaria que os envolvidos avançassem com um projeto que está por cumprir", apelou o historiador de arte.

João Cutileiro frequentou os ateliês de António Pedro, Jorge Barradas e António Duarte, de 1946 a 1950, tendo feito a sua primeira exposição individual ("Tentativas Plásticas") em 1951, com 14 anos, em Reguengos de Monsaraz, onde apresentou esculturas, pinturas, aguarelas e cerâmicas.

Cutileiro foi condecorado com a Ordem de Sant'Iago da Espada, Grau de Oficial, em agosto de 1983, e recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Évora e pela Universidade Nova de Lisboa, este último, concedido em 2017.

Em 2018, quando João Cutileiro recebeu a Medalha de Mérito Cultural, numa cerimónia no Museu de Évora, foi formalizado o anterior compromisso de doação do espólio do escultor ao Estado português, em 2016, e assinado um protocolo que envolveu o Ministério da Cultura, o município e a Universidade de Évora.

Leia Também: João Cutileiro: Portugal perde "um expoente do mundo das artes"

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