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Museu fecha no 2.º fim de semana dos meses de verão por falta de pessoal

O Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, está a encerrar por falta de pessoal no 2.º fim de semana dos meses de verão, disse hoje o diretor, justificando ser essa "a única opção" que lhe restava.

Museu fecha no 2.º fim de semana dos meses de verão por falta de pessoal
Notícias ao Minuto

22:05 - 13/08/20 por Lusa

Cultura Évora

"Conto com três assistentes técnicos, um deles de baixa médica e que vai ser prolongada", pelo que estão a trabalhar "duas únicas funcionárias" responsáveis por bilheteira, portaria, informações e vigilância, entre outras tarefas, explicou o diretor do museu, António Alegria.

Com o quadro do museu para esta categoria, o qual "nunca esteve completo", a prever "aí umas 12 pessoas", os atuais auxiliares têm de fazer um trabalho polivalente, "mas não é de polivalência" que a instituição precisa, "é mesmo de pessoas", frisou o responsável.

E, como os funcionários trabalham de terça-feira a domingo, incluindo fins de semana e feriados, têm "dias de folga", nomeadamente "têm direito ao gozo de um fim de semana por mês", referiu António Alegria, que, por isso, decidiu "fechar as portas" da instituição a cada 2.º fim de semana de julho, agosto e setembro.

"Se tenho duas pessoas e uma está de férias, fico com uma. Como é que eu posso fazer? Abro a porta, ponho a pessoa na bilhética e quem é que tenho para fazer vigilância, para dar indicações", questionou.

Os visitantes "pagam o bilhete e, se necessitam de alguma informação, nós temos obrigação de a fornecer. Isso leva a um jogo de cintura um bocado complicado que, neste momento, é impossível de manter", pelo que, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), que tutela o museu, "foi avisada que, não havendo reforço de assistentes técnicos, fecharíamos" nesses dias, relatou.

"Isto é do conhecimento da tutela que sabe exatamente que foi a única opção que eu tinha e foi aquela que tomei", disse à Lusa o diretor, a propósito do fecho do museu, precisamente, neste último fim de semana, conforme foi noticiado pelo jornal Público.

O responsável, que dirige o museu há quase nove anos e é funcionário da instituição há 33, referiu à Lusa que a DGPC abriu recentemente um concurso externo, "pela primeira vez em 15 anos", para duas vagas para funcionários desta categoria, mas tal não resolve o problema.

"Tem que seguir o procedimento normal dos concursos e penso que não vai estar concluído antes do fim do verão", além de que o museu "há bastantes anos" que está "completamente esquecido e abandonado, as pessoas foram-se reformando, não houve substituições e isso é evidente", vincou o diretor, que aguarda também substituição, fruto de um concurso que está a decorrer.

Contactada pela Lusa, a presidente do comité português do Conselho Internacional de Museus (ICOM-Portugal), Maria de Jesus Monge, lembrou que "os graves problemas da falta de recursos humanos e financeiros" do museu em Évora, "o único museu nacional a sul do Tejo", já "não são de agora".

A instituição "tem estado completamente esquecida das políticas museológicas nacionais" e este fecho no 2.º fim de semana nos meses de verão "não se compreende até numa lógica estritamente economicista", pois, "uma casa fechada não dá dinheiro", criticou, considerando que "a culpa é de quem não dá recursos ao diretor, porque seguramente haveria retorno".

"Não considero que seja uma solução aceitável, admissível, que se feche um espaço museológico daqueles durante três fins de semana no verão", criticou, tendo também Marcial Rodrigues, da associação de defesa do património Grupo Pró-Évora, defendido que "o Estado tem de assumir as suas responsabilidades".

"É com grande preocupação que encaramos estas situações. O estatuto de museu nacional é justo, pela diversidade e qualidade das coleções desta instituição. Só que é necessário que a DGPC e o Ministério da Cultura dotem o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo de um quadro de pessoal e de um orçamento que sejam compatíveis com aquilo que se exige para um museu destes", defendeu.

Já no início de junho, numa tarde, o museu teve de fechar mais cedo, devido a falta de pessoal.

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