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Governo destaca "sentido poético" da linguagem de Maria Beatriz

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou hoje "profundamente" a morte da artista plástica Maria Beatriz, no sábado, aos 80 anos, salientando que se recordará "sempre o sentido poético da sua linguagem".

Governo destaca "sentido poético" da linguagem de Maria Beatriz
Notícias ao Minuto

17:14 - 13/07/20 por Lusa

Cultura Óbito

"De Maria Beatriz, recordaremos sempre o sentido poético da sua linguagem", refere Graça Fonseca num comunicado hoje divulgado pelo ministério da Cultura, no qual lamenta "profundamente" a morte da artista plástica portuguesa que vivia em Amesterdão, Holanda, desde 1970.

Maria Beatriz, a artista que fez da arte processo de emancipação, morreu no sábado, aos 80 anos.

Na nota de pesar hoje divulgada, a ministra da Cultura recorda o percurso da artista, "que começou a pintar com apenas 12 anos e ainda estudou Biologia antes de se iniciar na gravura".

Nascida em Lisboa, em 1940, Maria Beatriz começou por frequentar Biologia, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em 1958, curso que trocou, três anos mais tarde, pelo de Pintura da Escola Superior de Belas Artes e a formação em Gravura em Metal da histórica Gravura - Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses.

O país, porém, dava-lhe "falta de ar", como disse em 2017, numa entrevista à historiadora Emília Ferreira, atual diretora do Museu Nacional de Arte Contemporânea (Museu do Chiado), para a unidade de investigação "Faces de Eva - Estudos sobre a Mulher", da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Por isso, partiu para Londres, onde se fixou em 1961-63, seguindo-se Paris, em 1965, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, até ao final da década, período durante o qual trabalhou com o pintor e impressor britânico Stanley William Hayter, no Atelier 17 (1966-68), como destaca a biografia da Galeria Ratton. A proximidade à Cinemateca Francesa e ao ateliê do pintor português Júlio Pomar foram sublinhados por Maria Beatriz, a par do Maio de 1968, que viveu.

À Holanda chegou definitivamente em 1970, onde recebeu o Prémio Estímulo, da Escola de Belas Artes, de Roterdão, na qual se diplomou em Pintura e Artes Gráficas. Mais tarde, reforçou a formação em Gravura, Serigrafia, Desenho e Pintura, na Academia Livre de Haia (1974-87 e 1988-1990).

Inicialmente, trabalhou na Galeria Printshop, em Amesterdão, como impressora do britânico David Hockney e do norte-americano Jim Dine, expoentes da arte contemporânea e da 'pop art'.

Em 1974, com um subsídio do ministério holandês da Cultura, viajou para o México. A partir de 1978, e nos 10 anos que se seguiram, Maria Beatriz teve continuamente o apoio do Estado holandês para as Belas Artes.

A biografia da artista, no 'site' da Fundação Calouste Gulbenkian, destaca a ligação precoce de Maria Beatriz à arte, "por volta dos seus 12 anos, como forma de escape de uma relação difícil que mantinha com o pai".

A sua fuga e resistência "foram os livros, a poesia e alguma música", recorda a Gulbenkian, citando a artista: "Nessa idade [12 anos] a minha ligação à arte começou a ser muito positiva. Via a arte como uma coisa que podia dar apoio e, digamos, mudar a vida de uma pessoa. Portanto, muito nova, foi a minha escolha".

Maria Beatriz expôs regularmente desde 1965, sobretudo na Holanda e em Portugal, séries de desenhos, trabalhos de pintura e em madeira, objetos, instalações e, mais tardiamente, fotografia.

Na página dedicada à artista, a Gulbenkian mostra quadros da série "Medo" ("O Espelho", "A Missa", "Dedo na Ferida"), bem como "Amor Louco", a série fotográfica "Vita Brevis", o "Auto-Retrato de Costas Largas", "O Velho Tango" ou "Jogo do Galo com os três reis magos".

Duas grandes características do seu trabalho foram, como indicou, o "envolvimento social", por um lado, e, por outro, a técnica de colagem.

O trabalho de Maria Beatriz foi objeto de duas exposições antológicas no Centro de Arte Contemporânea Casa da Cerca, em Almada, em 1998 e em 2016, esta última, "Trabalho de Casa 1960-2013", com curadoria da Galeria Ratton.

Em 2002 expôs fotografias e objetos da série "Vita Brevis" no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

Em Portugal, a Galeria Ratton, em Lisboa, dedicou-lhe três exposições individuais de desenho, pintura e azulejo: "Oisive jeunesse, à tout asservie...", em 2009; "Alguém disse", em 2012, e, em 2016, a par da retrospetiva na Casa da Cerca, inaugurou a mostra "Calendário", com catálogo com textos do curador e historiador de arte João Pinharanda e do escritor Nuno Júdice.

Em 2017, Maria Beatriz fez parte da iniciativa Lusoscopie, em Paris, promovida pela Embaixada de Portugal e pelo Camões Instituto.

Maria Beatriz está representada em coleções como as do Museu de Arte Moderna de Arnhem, do Haags Gemeente Museum, em Haia, do Nederlandse Bouwfonds, em Hoevelakenas, e do Museu Stedelijk, de Gouda, na Holanda, e, em Portugal, na Caixa Geral de Depósitos, na Fundação Calouste Gulbenkian, na Fundação EDP, na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, e no Centro de Arte Contemporânea Casa da Cerca, em Almada.

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