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Fernanda Lapa defende plano de desenvolvimento teatral com futuro

A encenadora e diretora da companhia de teatro Escola de Mulheres, Fernando Lapa, defende que se exija um plano de desenvolvimento teatral com futuro e que se aposte na força do teatro para as transformações que a atualidade exige.

Fernanda Lapa defende plano de desenvolvimento teatral com futuro
Notícias ao Minuto

19:56 - 26/03/20 por Lusa

Cultura Dia Mundial do Teatro

Fernanda Lapa, que este ano foi escolhida pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) para redigir a mensagem do Dia Mundial do Teatro, que se assinala na sexta-feira, defende ainda que esse plano considere um sistema de remunerações digno para os reformados e que se procure a igualdade de género no setor que ainda não existe.

"Viva o teatro, os seus agentes e o seu público", escreve a atriz, encenadora e diretora da Escola de Mulheres-Oficina de Teatro, num texto em que explica por que motivo se escolhe ser dramaturgo.

"Esta opção traz implícitas muitas consequências e uma delas é que o homem de teatro necessita do público de uma maneira carnal, pois o teatro é, em si mesmo, a expressão artística mais carnal de todas, uma expressão em que o verbo ou a sugestão ou a situação emocional elaborada pelo autor, tem de ser encarnada por um ator, que cada vez que a peça está no palco a diz ao vivo para um público vivo", sustenta.

"Se há pessoa mais ansiosa desse sentimento de aproximação, de comunicabilidade com o público, de amor, na ideia mais lata do termo, é o dramaturgo, que não prescinde dessa fusão carnal que constituem os elementos do teatro", sublinha, socorrendo-se de uma expressão de Bernardo Santareno que homenageia no ano em que se assinala o centenário de nascimento do dramaturgo nascido em Santarém.

"Um dos grandes dramaturgos portugueses, que pagando muito caro, nos ofereceu as mais ricas e complexas personagens do nosso teatro e os temas mais fraturantes da nossa sociedade do século XX, seria, para mim, impensável não o tornar centro e símbolo da luta constante da gente de teatro por uma Cultura Para Todos, onde o Teatro se inscreva como serviço público", defende.

Fernanda Lapa refere ainda que, tal como acontece no estrangeiro, Portugal regista ainda um "deficit democrático", pois as mulheres de teatro "continuam em situação de subalternidade e isto apesar de nas escolas profissionais ou no ensino superior serem a maioria".

Porém, há "muito mais desemprego feminino no teatro português, a maior parte das companhias existentes são dirigidas por homens, e as poucas que são dirigidas por mulheres estão na cauda dos apoios estatais e os que recebem, além de escassos, inscrevem-se, sobretudo, nos apoios pontuais ou bianuais", acrescenta.

"O medo e a recusa do outro/desconhecido, o medo e a recusa de encarar a realidade que nos cerca, onde o preconceito, o racismo, a homofobia, a xenofobia, a guerra e a pobreza, teimam em se instalar, são temáticas a que o teatro português não pode alhear-se, sob pena de se autodestruir, renegando assim o teatro dos grandes mestres, desde os gregos a Shakespeare, desde Gil Vicente a Brecht ou a Caryl Churchill", preconiza.

"Amar o teatro e o público não é um conceito abstrato; amar não pode ser uma palavra sem conteúdo e, tal como a palavra drama, contém o sentido de ação", pelo que "homens e mulheres de teatro têm o dever imperioso de lutar por um teatro digno do nosso País e por uma classe teatral dignificada", defende.

"Aproveitemos este 27 de março de 2020 para proclamar que todo o ano terá de ser de teatro", conclui.

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