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"Este livro é um abre olhos para os relacionamentos tóxicos e um alerta"

‘Ganhei uma Vida Quando te Perdi' é a mais recente obra de Raul Minh'alma que entrou diretamente para os TOP de vendas.

"Este livro é um abre olhos para os relacionamentos tóxicos e um alerta"
Notícias ao Minuto

09:00 - 12/12/19 por Filipa Matias Pereira 

Cultura Raul Minh'alma

Foi através de poetas que se eternizaram na memória coletiva que começou a sentir vontade de escrever os primeiros versos. A dor do amor, motivada por uma "fase amorosa menos positiva", deu-lhe o impulso que precisava para se lançar no mundo das letras. Falamos de Raul Minh'alma - pseudónimo de Pedro Miguel Queirós -, o autor de ‘Ganhei uma Vida Quando te Perdi’. 

Começou a escrever poesia aos 17 anos e, em 2011, lançou o seu primeiro livro de poemas, 'Desculpe Mãe'. Mas foi em 2016, tinha então 24 anos, que Raul Minh'alma conquistou o reconhecimento dos leitores. Lançou, na altura, a obra que viria a ser um best-seller: 'Larga Quem Não Te Agarra'. 

'Todos os Dias São para Sempre' chegou às livrarias no mesmo ano e não deixou o público indiferente. E em 2018 Raul Minh'alma editou o 'Foi sem Querer que Te Quis', que lidera os tops nacionais de vendas. 

No final de 2019, chega-nos ‘Ganhei uma Vida Quando te Perdi’, um romance que entrou diretamente para a liderança do TOP de vendas nacional. Em entrevista ao Notícias ao Minuto, o autor do Marco de Canaveses explica que este livro é "uma boa ferramenta para entendermos a função da dor e dos episódios negativos da nossa vida e para podermos olhá-los sempre pelo lado positivo". 

Mas quem é Raul Minh'alma? Quem é o autor que está por trás destes best-sellers? O escritor confessa que não teve oportunidade de ser criança na infância. Enquanto os amigos brincavam, Pedro ajudava a família no campo. E o facto de nunca ter pensado, "praticamente, como criança" reflete-se hoje na sua escrita. 

Comecemos pela infância, numa entrevista disse que não teve “oportunidade de ser criança”. Porquê? O que sente que perdeu na infância?

Não tive oportunidade de ser criança no sentido de não ter vivido o que, na altura, os meus pares viviam. Quando chegava a casa da escola não ia brincar. Não ficava em casa a jogar consola como os meus amigos na altura. Quando chegava a casa, tinha de ir trabalhar para o campo ou fazer o que fosse necessário fazer. Havia sempre alguma coisa. E lembro-me de trabalhar no campo com seis, sete e oito anos. Trabalhava como trabalhavam as pessoas crescidas. Então, se perdi alguma coisa foram essas brincadeiras naturais de criança.

Quando chegava a casa, tinha de ir trabalhar para o campo ou fazer o que fosse necessário fazer. Havia sempre alguma coisa

Qual a memória de infância que guarda com mais carinho?

Não me lembro de quase nada da minha infância. Mas se tivesse de nomear um momento especial da minha infância, diria o meu batizado que apenas aconteceu aos oito anos, ou seja, em 2000. Era algo que eu não queria que acontecesse e lembro-me que, depois, gostei tanto que queria de novo. Senti-me especial.

Como é ser o mais novo de sete irmãos?

Praticamente convivi só com as minhas duas irmãs mais velhas porque temos idades mais próximas. Para o meu irmão a seguir já são 13 anos de diferença, depois 20 e por aí em diante. Penso que ser o mais novo traz-me um certo facilitismo porque acabo por aproveitar o conhecimento dos mais velhos, mas traz-me também uma responsabilidade de ir ainda mais longe do que eles foram. Seja como for, ser o mais novo sempre me fez sentir que tinha chegado ao mundo um pouco atrasado e tinha de correr mais para acompanhar o andamento das pessoas que me rodeavam que eram muito mais crescidas do que eu.

Ser o mais novo sempre me fez sentir que tinha chegado ao mundo um pouco atrasado e tinha de correr mais 

O facto de não ter tido oportunidade de ter uma infância dita normal, de alguma forma, influencia a sua escrita?

Influenciou porque desde cedo tive de ter uma visão adulta da vida. Nunca pensei, praticamente, como criança. É como se tivesse saltado essa fase à frente. Então, desde cedo fui desenvolvendo uma maturidade acima da média e uma visão mais profunda, racional e realista de tudo o que me rodeava.

 Nunca pensei, praticamente, como criança  

Enquanto trabalhou com crianças e até na construção civil, alguma vez imaginou que um dia seria líder dos tops nacionais de vendas?

Eu acreditava porque tinha também esse sonho, que iria ser muito bom em alguma coisa. Só não sabia em quê. Andava a conhecer-me. Mas se havia sentimento que me acompanhava desde muito novo era o sentimento de ser diferente. De não me contentar em ser mais uma pessoa no mundo. Sempre me fez confusão o rebanho e a ausência do pensamento próprio. Então sempre quis pensar pela minha cabeça e procurar respostas. Com o tempo a vida foi-se encaminhando por este caminho onde estou hoje e sinto que era por aqui que tinha de ser.

Sempre me fez confusão o rebanho e a ausência do pensamento próprio

Quando e como despertou o interesse para o mundo das letras?

Foi na altura do meu 12.º ano. Quando começámos a falar sobre alguns poetas e eu também comecei a juntar uns versos. Confesso que o facto de estar a passar uma fase amorosa menos positiva também foi um impulso importante.

Tem formação académica na área da engenharia. Por que motivo optou por uma área tão distante das letras?

Queria estudar uma área que me desse estabilidade e segurança económica. A engenharia dava-me isso. Mas foi assim uma escolha um pouco por empurrão e porque “tem de ser”. Na altura não havia nada que me despertasse grande interesse porque sempre fui muito “artista”. Mas não iria seguir essa área pela baixa empregabilidade.

Além de livros, já escreveu letras de músicas. Qual o destino dessas letras?

Já escrevi muitas letras assim como compus as músicas para elas. Sempre gostei de criar conteúdo artístico e original. No entanto, está tudo guardado na gaveta e está bem assim. Já recebi alguns convites para escrever letras para outros artistas, mas teria de ser um projeto que me entusiasmasse e numa altura em que eu sentisse que fizesse sentido.

Já escrevi muitas letras assim como compus as músicas para elas. Sempre gostei de criar conteúdo artístico e original. No entanto, está tudo guardado na gaveta e está bem assim

Onde vai buscar a inspiração para os livros que edita?

A inspiração é automatizada pelo trabalho e pela necessidade de escrever. As ideias não me caem do céu. Às vezes passo semanas e semanas à procura de um bom argumento. Passo os dias fechado em casa, converso com algumas pessoas, mas é um processo essencialmente interior. Quando sinto que a ideia tem força e me permite transmitir uma boa mensagem, então começo a trabalhá-la com todas as ferramentas mentais que fui desenvolvendo ao longo dos anos.

Só escreve durante a noite, certo? Porquê?

Escrevia. Na atualidade faço o esforço de escrever durante o dia até porque implementei um novo plano de alimentação. Escrevi muitos livros durante a noite e isso afetou a minha saúde. Estava demasiado magro pois não me alimentava corretamente. Hoje em dia ainda escrevo de noite, mas já não até à 7h ou 8h da manhã. No máximo até às 2h. Mas fazia-o de noite por ser mais tranquilo e me permitir viajar dentro da minha cabeça com maior facilidade.

Como descreveria o seu mais recente livro ‘Ganhei uma Vida Quando te Perdi’?

Este livro é um abre olhos para os relacionamentos tóxicos que vivemos e também um alerta para a necessidade de começarmos a amar-nos e a respeitar-nos. É, ainda, uma boa ferramenta para entendermos a função da dor e dos episódios negativos da nossa vida e para podermos olhá-los sempre pelo lado positivo.

Notícias ao MinutoNovo romance de Raul Minh'alma© Manuscrito

Como recebeu a indicação de que este livro já é um êxito nas livrarias? 

O livro anterior, o ‘Foi sem querer que te quis’, era um livro que estava no TOP há 50 semanas consecutivas. Por isso, esperava que este novo livro fosse recebido muito bem porque as pessoas iam ter curiosidade em saber como seria um novo romance meu. O meu receio eram as expectativas tão elevadas por causa do livro anterior que o público adorou. Felizmente correu tudo muito bem e já tive muitas pessoas a dizer que até superou o livro anterior e isso deixa-me realizado.

Disse também numa entrevista que escreve “sobre a falta de amor”. É neste tema que a criatividade flui com maior naturalidade?

Não escrevo por ser algo que me facilita mais o trabalho. É, de facto, uma área em que me especializei e talvez por isso se torne mais fácil abordar essa temática. Mas, acima de tudo, escrevo sobre a falta de amor porque entendo que o mundo precisa dessas mensagens para poder despertar. E essa é a minha função essencial: transmitir esse conjunto de mensagens. A escrita e os livros são apenas um veículo que eu uso para cumprir o meu propósito.

Escrevo sobre a falta de amor porque entendo que o mundo precisa dessas mensagens para poder despertar

Considerando que o seu público é essencialmente feminino, alguma vez pensou em abordar outros temas que cativem o masculino?

Não. Não preciso de escrever para homens e mulheres. Basta escrever para um deles porque a humanidade funciona como uma engrenagem. Neste caso, como as mulheres leem mais sobre esta temática, acabou por ser o público escolhido para que o efeito das minhas mensagens chegue o mais longe possível. Ao melhorar a mentalidade feminina com tudo aquilo que transmito, automaticamente o lado masculino terá de se adaptar à nova postura feminina. E se essa postura for uma postura de maior respeito e maior amor próprio, então as engrenagens estarão bem oleadas e a funcionar normalmente.

Não preciso de escrever para homens e mulheres. Basta escrever para um deles porque a humanidade funciona como uma engrenagemQual o feedback de um leitor que mais o marcou?

Ainda ontem recebi uma mensagem de uma leitora a agradecer-me por a ajudar a vencer a depressão. Já recebi alguns assim e são sem dúvida os testemunhos que mais me marcam.

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