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Festival Percursos Sonoros revitaliza património oliveirense

A quarta edição do Percursos Sonoros realiza-se no sábado, no Parque de La Salette, em Oliveira de Azeméis, um festival em que a música serve de complemento para a revitalização e reutilização do património cultural e histórico oliveirense.

Festival Percursos Sonoros revitaliza património oliveirense
Notícias ao Minuto

11:29 - 27/09/19 por Lusa

Cultura Festival

"Não é apenas [ouvir] música, há conteúdo. O nosso principal objetivo é ter um equilíbrio, mas o destaque é o património. Tentamos colocá-lo em primeiro lugar, tentamos levar as pessoas ao património e a forma que encontrámos de fazer isso foi através da música. Mas ela também não é secundária, é complementária", começou por explicar Sofia Oliveira à Lusa, acompanhada por Susana Vasco, duas das organizadoras do evento.

O festival surgiu em 2016, com base no mestrado em Gestão e Programação do Património Cultural de Sofia, e foi colocado em prática com a associação juvenil Incentivo Positivo e com o apoio do Gabinete da Juventude da câmara oliveirense, com a preocupação de revitalizar o património que estava a cair no esquecimento e que era associado "a algo chato, aborrecido e passado".

"Como o conceito [de património] agora é mais lato, abrangente e está na moda, vamos buscar as tendências e influências do passado para construir o futuro. No entanto, há ainda alguma dificuldade das pessoas, elas chegam ao património que é fácil, mas não ao que têm de se deslocar até ele ou pagar para entrar. Como agora é mais lato, muitas vezes as pessoas não sabem o que é considerado património", prosseguiu Sofia Oliveira.

A maior dificuldade na realização do evento passa pelo financiamento, visto que a entrada é gratuita. Para ultrapassar essa barreira, as jovens contam com o apoio da Câmara Municipal e de patrocínios, mas admitem que a tarefa é difícil, porque se encontram num "meio que não está habituado a este tipo de eventos".

Além disso, nenhum dos três principais organizadores mora em Oliveira de Azeméis e cada um tem o seu próprio trabalho, o que impede uma disponibilidade total e, segundo Susana Vasco, complica as "burocracias" necessárias para a realização do festival. Ainda assim, fazem-no por "amor à terra natal", recordando a primeira edição "rudimentar", mas que abriu portas a melhorias futuras.

"Quando começou, era um festival entre amigos e foi aperfeiçoando a relação com o público e os locais. Todos os anos fazemos um inquérito quando terminamos, em que quem vai está convidado a responder e, a partir daí, preparamos a edição seguinte. É uma componente importante para nós. Por isso temos tido tanta adesão, desde o primeiro ano até ao ano passado, [o festival] cresceu imenso. Este ano estamos há espera de mais pessoas", indicou Susana.

No inquérito do ano passado o público queixou-se do longo percurso entre concertos, sendo que, para este ano, o Parque de La Salette satisfazia todos os requerimentos da organização: sítio emblemático, percurso concentrado, preocupação com a sustentabilidade e logística e uma paisagem natural -- visto que a escolha das bandas depende do local em que se realiza o evento.

"O parque é um dos locais mais emblemáticos da cidade, pegamos nele para apostar na sustentabilidade e mostrar porque devemos ser sustentáveis. Infelizmente, está um pouco ao abandono. Já foi pior, mas os eventos que há aqui são a Nossa Senhora de La Salette, houve o [festival] Azeméis Season Sounds deste ano e pouco mais", referiu Susana Vasco.

Os concertos vão dividir-se em quatro locais: o cantor e compositor britânico Martin Harley -- o primeiro artista internacional a atuar no festival -- inaugura a edição num palco sobre o lago que rodeia a capela, seguindo-se o coletivo Bardino que vai subir ao Coreto situado mesmo ali ao lado.

Pouco depois, os Sensible Soccers vão apresentar "Aurora" no Miradouro, enquanto o 'psych rock' dos Gator, The Alligator vai ecoar na Estalagem contígua, cabendo, nesse mesmo espaço, a Celeste Mariposa o DJ 'set' de encerramento de uma edição que tem como objetivo promover o parque o aos locais que o deixaram de visitar e aos estreantes.

"Queremos dar um 'input' ainda maior à vinda das pessoas [ao parque]. Há ainda a parte histórica, todo ele cresceu do suor dos oliveirenses. Isto tem mais de uma centena de anos e foi feito com empenho e investimento de pessoas da cidade. No fundo, é o que estamos a fazer. Somos a nova geração que está a dar o suor para pôr o parque mais bonito e na boca das pessoas", sublinhou Sofia Oliveira.

Ainda antes dos concertos, a partir das 14:00, vai haver uma série de atividades para toda a gente, a leitura de livros no parque infantil, uma conversa informal sobre a valorização do património cultural, uma visita guiada ao Berço Vidreiro e uma instalação de arte urbana num barco situado no lago.

"Acho que vamos arrastar pessoas no dia, mas que vão gostar tanto da experiência que vão querer repetir noutro contexto. O nosso objetivo é esse, mostrar às pessoas que vêm nesse dia que precisam de vir cá mais vezes. É um espaço mais agradável do que estão à espera, tem mais infraestruturas. O projeto do 'booksharing' é por aí, algo que se vai manter durante o ano", completaram ambas.

Para o futuro, as organizadoras do Percursos Sonoros esperam poder levar o festival a outras freguesias do conselho e a outros conselhos do país, sempre com a missão de respeitar, proteger e elevar as memórias e o património que "se está a perder", contando com a ajuda da música portuguesa na preservação futura do passado nacional.

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