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Cineastas, antropólogo e artistas expõem sobre Pensamento Ameríndio

Exposições do brasileiro Eduardo Viveiros de Castro, considerado um dos mais importantes antropólogos da atualidade, e dos cineastas João Salaviza e Renée Messora, integram o ciclo 'Pensamento Ameríndio - Resgatar a Diversidade', que começa no sábado, em Guimarães.

Cineastas, antropólogo e artistas expõem sobre Pensamento Ameríndio
Notícias ao Minuto

12:00 - 21/02/19 por Lusa

Cultura Guimarães

"Estamos a trabalhar sobre o tema da diversidade que é complexo, entendido do ponto de vista da biodiversidade dos ecossistemas, mas também de outro tipo de biodiversidade, a humana", afirmou à Lusa Nuno Faria, diretor do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), que organiza a iniciativa.

Segundo Nuno Faria, as exposições abordam o tema do ponto de vista ecológico, antropológico e artístico.

"Este primeiro ciclo, que há muito tempo queria programar, é dedicado ao pensamento Ameríndio, mais do que às questões indígenas, que agora estão muito na ordem do dia, por razões políticas, sociais, ou económicas", disse Nuno Faria.

O ciclo é composto por duas grandes exposições, para as quais o CIAJG convidou curadoria externa.

A primeira chama-se "Variações do Corpo Selvagem", de Eduardo Viveiros de Castro, com curadoria de Eduardo Sterzi e Verónica Stigger.

O autor "desenvolve trabalho de campo desde os anos 70 e realizou uma importante reflexão teórica em torno da questão ameríndia e do perspetivismo ameríndio, um conceito que ele criou e que desenvolveu ao longo destes anos. É uma exposição muito singular, que tem curadoria de dois brasileiros, e que é apresentada pela primeira vez em Portugal", esclareceu Nuno Faria.

A mostra reúne fotografias de Eduardo Viveiros de Castro, "não só de trabalho de campo na Amazónia, mas também de fotografias de cena a partir de dois filmes do cineasta brasileiro Ivan Cardoso que filmou, nomeadamente com Hélio Oiticica, nas favelas brasileiras", acrescentou.

Esta exposição - que já passou por São Paulo, Araraquara e Frankfurt -- apresenta "um amplo recorte" do trabalho fotográfico de Viveiros de Castro, agrupando cerca de 200 imagens realizadas ao longo da sua atividade como etnólogo junto dos índios Araweté, Kulina, Yanomami e Yawalapíti.

Há, nas palavras do próprio Viveiros de Castro, "ao mesmo tempo descontinuidade radical e continuidade poética", entre, por exemplo, a foto de um dançarino vestindo um parangolé do artista Hélio Oiticica e a de um xamã araweté.

O que está em questão na exposição, ainda segundo o antropólogo-fotógrafo, é "a transformação do 'seja marginal, seja herói' de Oiticica em 'Não seja pobre, seja índio'".

A anteceder a inauguração oficial das exposições, Viveiros de Castro proferirá uma conferência na qual abordará "a grave situação presente dos chamados 'povos em isolamento voluntário' na Amazónia Indígena, e sobre o papel político-cosmológico que estes povos desempenham na vida dos povos indígenas já 'contactados' ou 'pacificados'".

"Será uma abordagem política muito forte e pertinente, sobretudo no contexto atual pós vitória de Jair Bolsonaro no Brasil", considerou Nuno Faria.

Em simultâneo, o CIAJG inaugura a exposição "Carõ -- Multidões da Floresta", de João Salaviza e Renée Nader Messora.

Estes cineastas "têm trabalhado junto de um povo indígena brasileiro (os Krahô) e a partir dessa experiência fizeram um filme, que agora estreou em Portugal, e que já tinha ido a Cannes onde foi galardoado", referiu Nuno Faria, lembrando o filme "Chuva é cantoria na aldeia dos mortos", prestes a estrear-se em Portugal.

"É uma exposição inédita e que eu acho muito singular porque dialoga de forma muito rica com a exposição de Eduardo Viveiros de Castro", sublinhou.

João Salaviza e Renée Messora criaram um conjunto de filmes, imagens, materiais sonoros e escultóricos preparados propositadamente para o CIAJG, sobre a relação do povo Krahô com a morte.

Inserido na mesma temática, este ciclo conta ainda com as exposições de João Louro e Manuel Rosa, ambas com curadoria de Nuno Faria.

Intitulada 'Clareira', a mostra do escultor Manuel Rosa integra peças de grande e pequena escala, em gesso, bronze ou areia de fundição, várias delas produzidas para esta exposição.

Com 'A Morte de Ubu', figura mítica criada em 1896 pelo escritor Alfred Jarry, o artista plástico João Louro "convoca os tempos conturbados do modernismo pré Primeira Grande Guerra, em que a máscara do niilismo e do absurdo foi uma das mais eficazes respostas que artistas e poetas contrapuseram à insanidade do conflito armado", explica o CIAJG.

João Louro inaugura com esta intervenção "uma pesquisa sobre o conceito de veneno, para se focar na oposição entre duas conceções antagónicas do mundo: as sociedades contemporâneas, sedimentadas numa crença cega no progresso, e as sociedades ditas primitivas ou arcaicas, em voluntário isolamento do mundo contemporâneo".

As quatro exposições ficarão patentes até 09 de junho.

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