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'O Arranca Corações' estreia-se quinta-feira no S. Luiz

O retrato de uma aldeia onde a violência é exacerbada, num mundo sem passado e sem memória, é o centro da peça '"O arranca corações', sobre Boris Vian, que se estreia na quinta-feira no Teatro S. Luiz, Lisboa.

'O Arranca Corações' estreia-se quinta-feira no S. Luiz
Notícias ao Minuto

08:10 - 12/02/19 por Lusa

Cultura Teatro

O interesse artístico de adaptar obras literárias a teatro, com tudo o que isso acarreta em termos de transposição e do trabalho de síntese, foi um dos fatores que levou Nuno Nunes a encenar este espetáculo a partir da obra homónima do autor francês Boris Vian (1920-1959), disse o próprio à agência Lusa.

Outro dos motivos consiste no facto de o texto se centrar sobre uma questão "clássica, mas atual", que é o "homem sem passado e sem memória, que se depara com um mundo todo virado do avesso", observou.

"Aquilo que na nossa realidade está escondido, camuflado, aqui é apresentado como a primeira imagem da realidade", frisou Nuno Nunes, porque este texto de Boris Vian fala também da perplexidade perante o absurdo, perante o absurdo da existência.

Numa aldeia onde nada é encoberto, nem ao nível da linguagem, já que todas as coisas são ditas pelos nomes sem qualquer tipo de pudor, Tiagomorto -- uma das personagens da peça que sabemos não estar vivo -- é um psicanalista recém-chegado, que fica na casa de uma mulher, prestes a dar à luz, Clémentine.

Tiagomorto é um homem sem passado e sem memória, daí que vá procurando à sua volta pessoas para psicanalisar acabando por se preencher com memórias e sofrimentos dos outros, que são matéria de vida de que não dispõe.

Nesta aldeia, a culpa dos habitantes é recolhida por um barqueiro (Glóira) e atirada ao rio, embora depois tudo o que origine culpa ou vergonha acabe por ir sendo referido pelas personagens ao longo da obra.

Com a encenação deste romance de Boris Vian, Nuno Nunes pretendeu refletir aquilo que na atualidade identificamos como abuso, como brutal e excessivo e a que, na maioria das vezes, "respondemos com indolência", explicou.

Apesar de o espetador não conseguir perceber com que realidade Tiagomorto se vai confrontando a realidade da aldeia, acaba por sentir que o local nada tem de idílico. É antes um lugar de ancestralidade, de rústico. Uma espécie de purgatório.

No final da peça, Tiagomorto acabará também por assumir a função social de recolha da culpa e vergonha das pessoas da aldeia, mais uma vez, preenchendo um vazio de sentimentos e de sensações que desconhece.

Para Nuno Nunes, "O arranca corações", escrito em 1953, é de "grande atualidade", já que é "uma espécie de chamada de atenção para a forma como vivemos, como assumimos na vida a consciência que temos das coisas".

"Ou até que ponto precisamos de ir mentindo para conseguirmos viver de acordo com a nossa expectativa", frisou.

"O arranca corações" vai estar em cena na sala Mário Viegas até 17 de fevereiro, com espetáculos de quinta-feira a sábado, às 21h00, e, ao domingo, às 17h30.

Interpretam Ana Brandão, Emanuel Arada, Hugo Sovelas, Miguel Damião e Sofia Dias.

Com dramaturgia e encenação de Nuno Nunes, a peça tem música e desenho de som de Nico e conceção plástica de Patrícia Raposo.

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