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'Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes', uma 'vingança'

A história de Eça de Queiroz contada por Fradique Mendes, como "vingança" deste pelo que o autor de 'Os Maias' escreveu a seu respeito, vai ser apresentada esta semana, quando se assinalam 173 do nascimento do escritor português.

'Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes', uma 'vingança'
Notícias ao Minuto

19:07 - 20/11/18 por Lusa

Cultura Aniversário

'Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes' é uma biografia romanceada do autor, escrita por Sónia Louro e editada pela Saída de Emergência, que imagina o regresso de Fradique Mendes e a sua descoberta sobre o que Eça de Queiroz escreveu a seu respeito, incluindo que tinha morrido.

Esta descoberta deixa-o revoltado ao ponto de decidir vingar-se e escrever a história da vida de Eça de Queiroz, revelando quem foi na realidade esta personalidade, contou à Lusa a autora.

Fora este aspeto imaginativo, todos os factos relativos ao escritor são reais e baseados numa investigação que a autora fez a partir de biografias tradicionais, centenas de cartas, testemunhos e a releitura da obra completa de Eça de Queiroz.

Fradique Mendes foi um heterónimo coletivo criado por um grupo de escritores, como Antero de Quental, Eça de Queiroz, Manuel Arriaga, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga e Ramalho Ortigão, que lhe inventaram uma data de nascimento, uma vida e escreviam poemas assinando com o seu nome.

Mais tarde, Eça de Queiroz fala um pouco sobre Fradique Mendes num episódio retratado no seu romance 'O Mistério da Estrada de Sintra' e, posteriormente, resolve retomar o heterónimo, que transforma em personagem, e vai publicando a suposta correspondência de Fradique Mendes em jornais da época.

Eça de Queiroz cria assim este heterónimo, mata-o, para depois dizer que aquelas eram as cartas de Fradique Mendes, ou seja, 'novamente inventa todo um percurso para ele, e aquelas seriam cartas que trocou com várias personalidades da época', explicou Sónia Louro.

'É aqui que entra a vingança de Fradique Mendes, pois ele aparece mais tarde a dizer que não é -- isto no livro --, que não é heterónimo nenhum, que ele existe, que o Eça de Queiroz apoderou-se, de alguma forma, da sua identidade e cometeu uma grande inconfidência ao publicar cartas dizendo que eram póstumas -- primeiro não eram póstumas, segundo o Fradique não queria sequer que elas fossem publicadas', adiantou.

Como Fradique não estava em Portugal quando soube disto e, portanto, não pôde confrontar Eça de Queiroz, 'só lhe restou como vingança a escrita e expor num romance o que era mais caro a Eça de Queiroz, a sua vida, porque este terá dito um dia: 'Eu não tenho história, sou como a República do vale de Andorra''.

'Portanto, foi com esta brincadeira da minha parte e vingança da parte de Fradique que se foi construindo este romance', afirmou Sónia Louro, sublinhando que a 'personagem é retratada o mais próximo da realidade possível'.

A diferença entre esta biografia, romanceada, e uma biografia convencional é toda a ambiência da época que é dada, aproximando o leitor da personagem e do seu contexto histórico, mas 'os factos estão lá'.

Eça de Queiroz nasceu em 1845, na Póvoa do Varzim, ainda os seus pais não haviam casado, uma indiscrição que levou a que tenha sido criado longe dos progenitores, abrindo-lhe um vazio no coração que o acompanhou toda a vida.

Fez os estudos em Coimbra e, em Lisboa, iniciou-se numa vida boémia, cruzando-se com figuras incontornáveis do seu tempo como Antero de Quental, Ramalho Ortigão ou Guerra Junqueiro.

Descontente com o Direito, fez uma longa viagem pelo Oriente, tendo enveredado pela carreira consular quando regressou.

Eça de Queiroz foi cônsul em Havana, Inglaterra e Paris, e acumulou dívidas embaraçosas, amigos fiéis, inimigos implacáveis e obras-primas que revolucionaram as letras portuguesas.

Entre as suas obras mais famosas contam-se, além de 'Os Maias', 'O Crime do Padre Amaro', 'O Primo Basílio', 'A Relíquia', 'A Ilustre Casa de Ramires' ou 'A Cidade e as Serras'.

O livro vai ser apresentado na quinta-feira, na mesma semana em que se assinalam os 173 anos do seu nascimento e os 130 anos da criação de 'Os Maias'.

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