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"A magia só deixará de surpreender quando os humanos deixarem de pensar"

Luís de Matos é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

"A magia só deixará de surpreender quando os humanos deixarem de pensar"
Notícias ao Minuto

09:20 - 20/09/18 por Andrea Pinto 

Cultura Luís de Matos

Com quase três décadas de carreira, seria redutor dizer-se que "foi por magia" que Luís de Matos se tornou num dos maiores mágicos a nível nacional e internacional. O mágico que começou por ser conhecido como o 'David Copperfield português' soube construir o seu próprio caminho e hoje não precisa de comparações. 

É reconhecido um pouco por todo o mundo e, diz o próprio, não foi preciso gritar aos sete ventos para que se apercebessem do seu talento.

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, Luís de Matos recorda o seu percurso artístico, frisando que o segredo para o êxito é saber definir o seu próprio objetivo e  lutar pelo mesmo, com ou sem ajudas, pois o que importa é chegar até ele, seja depressa ou devagar.

E embora admita que a magia é "uma mentira" está certo de que esta jamais perderá a sua capacidade de surpreender as pessoas.

Com quase 30 anos de carreira, ainda se lembra do primeiro truque que fez?

Lembro, claro. O primeiro truque que se faz é algo que nunca se esquece. Tinha, se não estou em erro, 11 anos e foi numa festa de Natal do ciclo. Recordo-me que foi apenas um truque aquele que compôs todo o espetáculo. Foi uma boa decisão na altura. Era um dado que viajava magicamente do interior de um chapéu para o interior de uma caixa e vice-versa.

E foi aí que nasceu esta paixão?  

O gosto já tinha nascido antes. Foi sempre algo que fui alimentando. Quando temos essas idades experimentamos todo o tipo de hobbies: um dia gostamos de ping pong, no outro dia de música, e depois de jogar futebol. Há dias em queremos ser bombeiros, noutros astronautas. E depois há um hobbie que acaba por ter mais relevância e que acaba por ser aquele com o qual nos sentimos melhor. E no meu caso foi isso. Foi o início de uma ligação mais próxima do que viria a ser a minha profissão e a minha vida.

E qual foi aquele momento em que se apercebeu de que era isto que queria fazer para toda a vida?

Ainda não percebi isso [risos]. Continuei a estudar, a fazer a minha formação académica, do Básico fui para o Secundário, depois para o Complementar e daqui para o Ensino Superior, e ia mantendo a magia enquanto hobbie e enquanto começava a fazer os meus primeiros programas de televisão. Entretanto, em termos académicos, acabei a minha formação na Escola Superior de Coimbra e fui convidado a integrar o corpo docente, mais concretamente o conselho de coordenação num curso que se iniciava na altura na área da engenharia agropecuária, ao mesmo tempo ia mantendo as séries de TV.

Eram dois trabalhos muito sérios e que exigiam muito de mim. Gostava imenso de ambos mas houve uma altura em que fui obrigado a tomar uma decisão. Foi uma decisão difícil e o que fiz foi ser altamente racional e tentar encontrar uma fórmula que me permitisse chegar à solução que fosse menos penosa ou mais inteligente. A fórmula foi: tenho dois caminhos, então vou escolher aquele que me permita que, caso a coisa corra menos bem, possa voltar para ao outro caminho que rejeitei. E com esta fórmula matemática foi muito fácil decidir porque se eu escolher uma cadeira académica e passados 10 anos achar que afinal queria uma carreira artística, se calhar já será difícil retomar aquele momento. Agora, se percorresse uma carreira artística mas passados uns anos não me sentisse realizado, poderia voltar para a carreira académica.

A área artística, a que me dedico e que me realiza, é um compromisso que passa por ter constante prazer naquilo que faço. No dia em que ninguém for assistir aos meus espetáculos e em que já não tiver prazer em partilhar as minhas criações nesta área, então mantenho esta convicção de que posso fechar a porta e posso retomar a carreira académica interrompida.

No seu caso, e felizmente, foi bem-sucedido na área que decidiu seguir. Apesar disso, houve algum momento em que desejou ter enveredado pelo outro caminho, o académico?

Não, não me arrependo sobretudo também porque continuo a achar que posso mudar em qualquer altura. Mas não me arrependo por outra coisa que acho que é maior que esta decisão. Tenho uma atitude com a minha vida pessoal, enquanto ser humano, que é não me arrepender das más decisões, que certamente tomei muitas na vida. Sou o que sou hoje, mais ou menos desta maneira ou daquela, em função de tudo aquilo que vivi e sobretudo em função das consequências negativas que as más decisões acabaram por ter em mim. Nunca aprendemos com os êxitos e com as coisas que correm bem porque estamos demasiado ocupados a celebrá-los e a ter prazer com isso.

Aprendemos é com as más decisões. Isso imediatamente me inibe de olhar para trás e pensar “ah, devia ter ido pela esquerda em vez de pela direita...”. Isso faz parte da nossa história que vamos escrevendo a cada ano, cada mês, cada minuto e a cada instante e que faz de nós o que somos. E é por isso que tenho uma relação profunda de permanente gratidão com o facto de estar vivo e com aquilo que faço na vida. Sou muito positivo a esse nível, mas não quer com isto dizer que não tenha momentos de sofrimento, solidão, de olhar para trás… Mas são coisas muito instantâneas porque eu acho que é tão atraente viver o próximo passo que se o desperdiçarmos a olhar para trás só estamos a desperdiçar tempo extraordinário. Não faz parte da minha natureza essa atitude.

Mágico é aquele que consegue, durante alguns instantes, converter o imaginário em realidade. Quanto a ser mentira ou não, é sempre mentiraDiz-se que a magia não é mais do que uma ilusão, isto é, uma mentira. Posto isto, podemos afirmar que a magia não existe?

A magia existe e consigo senti-la e vê-la nos olhos dos espetadores que assistem ao que faço. É verdade que em termos de terminologia usada podemos falar em truques, ilusões, magia. A coisa é muito cinzenta e tudo se baralha um bocadinho. Mas não vem daí mal nenhum.

Tive de interiorizar e perceber o que é que para mim queria dizer truque, o que queria dizer ilusão e o que queria dizer magia. Para mim, as palavras querem dizer coisas completamente diferentes. Truque é o mecanismo que utilizo para criar determinada ilusão. É um fio muito fininho, um íman, um espelho. O truque é o que para os músicos são os instrumentos. Com esses truques crio ilusões. A ilusão é uma coisa que posso criar na solidão do meu estúdio, na solidão de uma viagem ou em casa. Até posso experimentar e fazer ao espelho para ver como vai sair. Depois a magia é uma coisa maior. A magia pode ou não acontecer. Quando partilho uma ilusão, se ela consegue desafiar a capacidade do espetador, e levá-lo ao mundo imaginário e ultrapassar a linha que separa o que é possível do que é impossível e o espetador perceciona aquele momento como algo que é claramente impossível mas que está a acontecer, então a isso chamo magia.

Quando me perguntam “o que gostava de ser chamado? O senhor que faz truques, o ilusionista ou o mágico?”. Para mim o grande objetivo é ser chamado de mágico porque, no meu conceito, mágico é aquele que de facto consegue transpor para outro universo imaginário e, durante alguns instantes, convertê-lo em realidade. Quanto a ser mentira ou não, é sempre mentira. Considero que, já dizia Nikola Tesla, que os mágicos têm a profissão mais honesta do mundo porque dizem que vão mentir e mentem, contrariamente a outras profissões que todos nós conhecemos, em que somos confrontados com mentiras sem saber. Não passa pela minha cabeça, e espero que pela dos espetadores também não, que quando eu faço desaparecer um carro ou quando faço alguém levitar no ar, acreditem que é verdade e que tenho aquele poder.

Foi durante grande parte da sua carreira apelidado de David Copperfield português. Isso ajudou-o a impulsionar a sua carreira ou fê-lo viver na sombra de um grande mágico?

Sinceramente, acho que nem uma coisa nem outra. Ajudar seguramente que não ajudou. Prejudicar não prejudicou porque não deixei que isso me influenciasse. É natural que isso acontecesse tendo em conta que a comunidade portuguesa tinha no princípio dos anos 90 uma única referência da magia internacional, que era o David Copperfield, e eu a nível nacional comecei a ser a pessoa que o público associava a esta forma de arte. É natural que digamos ‘ah fulano é o cicrano português’ porque tem a ver com o conhecimento que as pessoas têm nessa expressão artística. Se quisesse levar esta comparação ao ridículo, diria que se nessa altura a única referência na área da música fosse exclusivamente o Frank Sinatra e se no momento tivéssemos em Portugal apenas, por exemplo, Luís Represas, se calhar diriam “Ah, o Luís Represas é o Sinatra português”. Admito que não é dito com maldade nem com inteligência suprema.

Esteve este mês envolvido na organização do Festival Internacional de Magia de Rua, em Lisboa. Como foi a adesão ao evento? Os portugueses ainda acreditam em magia?

A adesão foi absolutamente extraordinária. Devo dizer que o Festival Mágico nasceu em 2006 e fez-se em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, com uma adesão crescente. Fruto da vinda da troika muitas coisas foram cortadas e deixaram de estar no nosso universo e o festival deixou de ser feito durante sete anos (2011 a 2017). Obviamente que, apesar de acreditar fortemente na capacidade aglutinadora, na originalidade do festival, e em todas as valências que ele tem pelo facto de chegar a todo o tipo de públicos, todas as faixas etárias, estratos sociais e económicos, confesso que estava à espera que voltássemos a trilhar o caminho de quando o festival nasceu.

Aquilo que percebi no primeiro dia é que, em primeiro lugar, havia espetadores, famílias inteiras, alguns que eram miúdos e agora jovens, alguns jovens agora adultos, que se lembravam perfeitamente do festival e que o acompanharam desde a primeira hora. Das 168 apresentações que tivemos, chegámos a ter 200, 300, 400 espetadores em cada um destes espetáculos. Foi verdadeiramente épico. Foi um regresso extraordinário. Correu muito bem e ficámos muito felizes.

A magia é historicamente a mais antiga das artes e, no entanto, é a que evolui da forma mais lenta

Lançou em 2016 o ‘Livro dos Segredos’ onde desvenda alguns dos seus truques. Ao revelar estes segredos não está a contribuir para que se mate a essência da magia?

Pelo contrário. Quanto a isso tenho uma opinião muito pouco ortodoxa Sei que cada vez mais os mágicos guardam o segredo. Na minha opinião, filosofia ou o que me vai na alma, é que os segredos deviam ser partilhados. Porquê? Em primeiro, porque é muito redutor achar que o trabalho artístico de alguém apenas merece reconhecimento e admiração pelo facto de esse alguém estar na posse de um pedaço de informação que mais ninguém tem. É por isso que qualquer truque, que seja medianamente realizado, vai deixar um espetador admirado porque ele não conhece o segredo. Isto significa que não há um fator diferenciador porque não se sabe se foi bem ou mal feito, simplesmente porque não se sabe como foi feito.

E isto tem também uma coisa perversa: os mágicos estão habituados a que ninguém saiba como é que as coisas se fazem então também não têm de se esforçar assim tanto. E isso para mim é, simultaneamente, a grande razão pela qual a curva evolutiva da magia ao longo dos tempos é tão lenta. Repare que a magia é historicamente a mais antiga das artes e, no entanto, é a que evolui da forma mais lenta.

E não o incomoda quando está a fazer um truque que as pessoas estejam mais preocupadas em tentar perceber como o fez do que em viver o momento?

Isso incomoda-me profundamente. Foi aí que percebi que se eles soubessem como se faz, estavam mais disponíveis para sentir a mensagem, sentir a emoção, perceber qual foi a minha abordagem em determinada técnica e em que maneira me coloquei ao serviço de um bem maior que é a obra artística.

Diz que a magia tem a função de tornar a imaginação numa realidade aparente e que cabe depois à ciência e à tecnologia tornar essa aparência em realidade. Num mundo em que a tecnologia está cada vez mais evoluída, chegaremos ao dia em que a magia não conseguirá antecipar-se à tecnologia?

Não, só chegaremos a esse limite, que é aquele em que a magia já não pode surpreender, quando os seres humanos deixarem de pensar e sentir. Acredito que [a magia] jamais vai acabar. Os mágicos têm um pouco a função e o privilégio de poderem prototipar o futuro. O que quer isso dizer? Como os mágicos não têm de facto de fazer as coisas de verdade, como só têm de criar a ilusão de algo que é impossível e acontece num tempo prematuro, então isto significa que nós vamos estar sempre à frente da evolução humana.

O homem antes de conseguir chegar à lua teve que sonhar com isso. Quando o homem começou a sonhar chegar à lua houve um mágico – o Georges Méliès - que pensou “isso é extraordinário. Eu não preciso de chegar à lua para criar essa ilusão”. E o que é que fez? Fez um filme que era a viagem à lua e naquele filme, naquele universo de fantasia, era possível chegar a lua. Depois disso, foram precisas muitas décadas para que o homem realmente chegasse à lua.

O que é que os mágicos fazem? Pegam em todos os sonhos que o ser humano hoje tem e convertem-no em realidade e depois passados 10, 50 ou 100 anos a ciência e o conhecimento consegue tornar isso numa realidade.

O meu objetivo é sempre a ilusão do que vou criar amanhã e isso é uma coisa que muda a cada instante Acabou de dizer que a função dos mágicos é prototipar o futuro e tornar sonhos em realidade. Se assim é, qual era o sonho que gostava de tornar realidade?

Penso nisso todos os dias e obviamente que vai mudando. Quando me perguntam “qual é a sua ilusão preferida”, eu nunca olho para trás e penso “ah, aquilo é que era obra prima”. Não. Eu não consigo, nem tenho tempo para fazer isso. O meu objetivo é sempre a ilusão do que vou criar amanhã e isso é uma coisa que muda a cada instante. Não há um sonho específico e às vezes até é algo sugerido pelas pessoas. Quando fiz, em 1995, a previsão dos números do Totoloto, o mérito todo que a mim me foi atribuído, na verdade, não era meu. Porquê? Porque eu cruzava-me com pessoas que me diziam que como mágico deveria adivinhar os números do Totoloto. E foi aí que eu percebi que este era um sonho coletivo, algo que seria impossível mas que com a magia podia ser possível. Ora, tenho esse privilégio de conseguir tornar isso verdade durante um determinado espaço de tempo. Portanto, estou atento a esses anseios, disponível para tudo o que hoje é impossível e que poderá não ser daqui a cinco ou 10 anos, e só assim se consegue estar em permanente reinvenção para que não fiquemos encostados às invenções do passado e para que possamos trazê-las para os dias de hoje.

Mas nesse caso do números do Totoloto o que aconteceu não foi uma ilusão, foi uma realidade, porque acertou mesmo nos números…

Foi uma realidade naquele instante e naquele contexto. Não levei para casa o prémio. Aquilo a que me propus, em vez de ser uma ilusão que demora três minutos na televisão, ou um espetáculo que demora duas horas no teatro, foi desenhar aquela ilusão para que fosse sentida sobretudo pela comunicação social, durante uma semana. A previsão foi feita na segunda-feira e depois houve uma evolução das coisas que foram convencendo as pessoas de que as coisas iam acontecer, até o momento final em que foi revelado o que eu escrevi e se confronta isso com a chave saída e estava correto.

Obviamente que isso não aconteceu na verdade, porque se tivesse acontecido não era espetacular. Todas as semanas em Portugal há alguém que ganha o Totoloto e não é capa de jornal nem abertura de telejornal, nem as pessoas se recordam disso passados 23 anos. O que o torna extraordinário é o facto de ser uma ilusão que se converteu em magia porque foi altamente convincente. E é isso que me faz chegar a casa com a sensação de missão cumprida.

Muitos conhecem-no apenas como o mágico português mas o Luís representa muito mais que isso tendo sido condecorado pelo seu papel na expansão da cultura portuguesa. Acha que o seu trabalho é desvalorizado ou há um desconhecimento no nosso país?

Há duas realidades aí. Que é verdade que em Portugal, em geral, não há o conhecimento do que nós vamos fazendo, é verdade. Provavelmente, a maioria dos portugueses não sabe que fiz uma série de programas para a BBC ao sábado à noite, que estive um mês em Londres com críticas extraordinárias, não sabe que há cinco anos que viajo pelo mundo inteiro como cabeça de cartaz de um espetáculo que se chama ‘The Ilusionist’ e que começou na Austrália e que continua a dar a volta ao mundo, não sabe que eu ganhei ou serei o único mágico do mundo a ganhar três distinções pela academia de artes mágicas de Hollywood. Provavelmente, a maioria dos portugueses não sabe aquilo que acabou de dizer, que fui condecorado pelo Estado Português com o título de comendador da Ordem de Mérito do Infante D. Henrique.

É verdade que não sabem, mas a culpa não é deles nem eu encaro isso como uma falta de carinho, de todo. Acho que eu é que sou culpado porque enquanto há pessoas que têm um determinado êxito, às vezes pontual, e fazem disso um alarido extraordinário, [eu não o faço]. A culpa é minha porque a mim o que me move é fazer coisas e partir do princípio, talvez errado, de que toda a gente sabe. Então não me preocupo em dizer: “Olhem, aconteceu isto”. Não sinto que seja falta de respeito.

O facto de não esperar esse reconhecimento também me surpreende quando ele acontece. Quando recebo uma chamada da Presidência da República a perguntar se estou disponível para estar num evento para ser homenageado,  fico agrafado à parede: “como é que eles sabem tudo isto que eu fiz?”. E fico muito feliz. E fico feliz não só pelo reconhecimento, mas pela oportunidade de trabalho. Há uns meses fui convidado pela autarquia de Coimbra para ser o coordenador do grupo de trabalho que tem como responsabilidade conduzir a candidatura de Coimbra a capital Europeia da Cultura em 2027 e fiquei surpreendido mas depois altamente lisonjeado pelo facto de se lembrarem de mim mas também porque é um desafio que me toca, que me desperta, me inquieta e sei que vou dar o melhor de mim para isso. 

Não faço parte do grupo das lamúrias. Faço parte do grupo que define que este é o meu objetivo e tenho esta estrada

O facto de ficar impressionado com essa atenção pode ser resultado de haver um fraco acompanhamento das instituições e até do Governo naquilo que é feito na Cultura?

Há dois tipos de atitudes que nós podemos ter relativamente aos organismos públicos, às instituições. São elas: a atitude da queixa constante de vítima, “eles não entendem, não ajudam, não compreendem”. E se quisermos podemos fazer toda uma vida com esta atitude. E depois há outra, que é “entendo que este é o caminho. Se me ajudarem eu vou percorrê-lo com maior conforto e vou chegar mais longe, mais rápido. Se não me ajudarem, vou na mesma trilhar este caminho mesmo que chegue um bocadinho mais tarde e se calhar não tão longe”. E é neste grupo que me insiro. Não faço parte do grupo das lamúrias. Faço parte do grupo que define que este é o meu objetivo e tenho esta estrada. Se se juntarem a mim, se me ajudarem, eu recebo-vos de braços abertos, tenho uma atitude grata. Se não o fizerem, eu também não vou parar. Nem vou parar de lutar por isso, nem vou parar para me lamuriar porque sei que daí não vem nenhum bem ao mundo.

Vai estar num outro projeto no Teatro Tivoli em dezembro, o ‘Impossível ao vivo’. O que podemos esperar deste projeto?

É altamente ambicioso e entusiasmante. Porque vai ser um espetáculo completamente novo, que junta algumas das estrelas mundiais da magia contemporânea. Vou estar muito bem acompanhado, pelo Hojin Yu (Coreia do Sul), pelo Aaron Crow (Bélgica), pelos Tá na manga (Portugal)  e pelos Momentum Crew, que eu selecionei para serem os bailarinos e coprotagonistas de todos os meus momentos. E estará ainda a Joana Almeida, a minha colega de palco, desde os últimos 17 anos. Estamos a preparar coisas novas.

Porquê no Tivoli durante três semanas em dezembro? Porque nos últimos tempos tenho feito sempre uma semana de espetáculos no Tivoli e tenho tido a sorte, o privilégio, a benção de eles esgotarem. As pessoas vêm, voltam, trazem amigos, e eu senti a responsabilidade de os premiar com uma composição completamente diferente. E por isso criei este ensemble que se reúne especialmente para este projeto e que depois tem uma tourneé internacional. Vamos tentar correr o mundo o mais que pudermos com este trabalho que é original, impactante, contemporâneo e que as pessoas vão ter a oportunidade de ver entre o dia 12 de dezembro e 1 de janeiro.

E este é um apelo que faço às pessoas. Sei que quando chega o Natal os apelos para assistir a espetáculos são imensos e as pessoas não podem ir a todos. O que peço é que as pessoas nos deem o benefício da dúvida porque é algo que nunca tiveram a oportunidade de ver, é de uma qualidade absolutamente extraordinária.

Pegando no nome deste espetáculo, há impossíveis na magia?

Há, claro que sim. Neste momento é impossível saber qual é a ilusão que amanhã vou sonhar ou conseguir criar e é isso que me alimenta. A magia de uma forma altamente reforçada alimenta-se constantemente da impossibilidade. Primeiro porque a linha que separa o possível do impossível muda todos os dias. Todos os dias celebramos o facto de que agora é possível isto, por exemplo “agora é possível entregar o IRS online”. Isto significa que a linha da impossibilidade está em constante mutação.

O que é mais impossível é que adorava ter hoje a ideia que vou ter só daqui a dez dias. E isso ainda não consigo. Isso é uma impossibilidade que me alimenta obviamente.

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