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Subida das rendas afasta os mais jovens da capital portuguesa

De acordo com a consultora imobiliária internacional, Savills, antevê-se uma nova saída, vindo das cidades em direção às periferias, principalmente por parte dos segmentos mais jovens da população.

Subida das rendas afasta os mais jovens da capital portuguesa

A compra ou o arrendamento de habitações em Lisboa não se colocam como opções viáveis para uma parte significativa da população jovem ou jovem adulta.

Quem o diz é a Savills, consultora imobiliária internacional, sendo esta uma das principais conclusões retidas durante o debate Affordable Housing, inserido no segundo dia da Semana da Reabilitação Urbana, revela comunicado enviado às redações.

Nesse sentido, antevê-se uma nova saída, vindo das cidades em direção às periferias, principalmente por parte dos segmentos mais jovens da população. Saiba porquê.

Em comunicado, a que o Notícias ao Minuto teve acesso, a Consultancy Director da Savills Portugal, Paula Sequeira, lembrou que, durante o primeiro trimestre de 2021, foram vendidas 49.608 habitações em Portugal, das quais 12% estão localizadas na cidade de Lisboa. Sendo que o volume total de vendas totalizou perto de 17 mil milhões de euros, na Área Metropolitana de Lisboa, ou seja, cresceu 10% face ao primeiro trimestre de 2019.

O aumento dos mercados residencial e turístico, aliados a um investimento estrangeiro, fizeram da cidade de Lisboa uma referência em múltiplos rankings. Contudo, a subida da competitividade do mercado residencial em Lisboa fez aumentar os preços de venda por m2, que, durante o primeiro trimestre de 2021, se situaram, em média, acima dos quatro mil euros.

Com a compra de uma habitação a estar fora das possibilidades de muitos, o mercado de arrendamento começa a ganhar protagonismo, tanto por investidores como por utilizadores finais.

Entre 2019 e 2020, registou-se um aumento de 17% no número de casas em oferta para arrendamento em Portugal, sendo que a Área Metropolitana de Lisboa teve uma expressão de 20% dessa subida.

A emergência deste paradigma habitacional deve-se, maioritariamente, à preferência das gerações mais novas por maior flexibilidade, mobilidade e pela capacidade que os promotores e investidores têm tido para conseguirem dar resposta à procura.

Ainda assim, tal como na compra, também os preços do arrendamento têm vindo a subir nos últimos anos. Em 2020, registou-se, em Lisboa, uma média de preço pedido por m2 de 14,80 euros. Na Área Metropolitana de Lisboa, esse valor é ligeiramente mais baixo, de 12,80 euros por m2 mas, no entanto, é 60% superior à média registada no resto do país.

Habitação acessível poderá ser um novo foco de oportunidades para investimento?

O investimento no mercado de habitação acessível é cada vez mais percecionado como uma aposta estável. Neste setor, verifica-se uma escassa oferta de habitações e uma necessidade cada vez maior de dar resposta à procura crescente, um desequilíbrio que tem evoluído ao longo da última década, afirma Savills. Desta forma, existem oportunidades de investimento a ser exploradas.

Recorde-se que dados do Eurostat indicam que, em 2019, 5% da população portuguesa suportava custos de habitação superiores a 40% do seu rendimento disponível.

Não obstante ser um valor reduzido quando comparado com outros países da Europa, poderá observar-se um aumento de população nesta situação, considerando que a subida dos rendimentos não consegue acompanhar os valores de mercado para compra e para arrendamento.

Nesse sentido, a Savills já havia indicado que Portugal é ainda um país que tende a optar pela compra de habitações, ao invés do arrendamento. Em 2019, cerca de 75% da população portuguesa era proprietária, sendo os restantes 25% arrendatários. Mas, como se torna cada vez mais evidente, essa pode ser uma realidade em rápida transformação.

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