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"Não vai ser fácil haver outro Ronaldo... Tem sido um extraterrestre"

Ricardo Sá Pinto, técnico que já orientou Sporting e Belenenses, entre outros clubes, concede esta semana uma entrevista ao Vozes ao Minuto, em que aborda, entre outros temas, a conquista portuguesa do Euro.

"Não vai ser fácil haver outro Ronaldo... Tem sido um extraterrestre"
Notícias ao Minuto

09/12/16 por Francisco Amaral Santos e Carlos Fernandes

Desporto Ricardo Sá Pinto

Ricardo Sá Pinto, treinador de 44 anos, analisa, em entrevista ao Desporto ao Minuto*, o estado do futebol português, falando sobre a conquista do Europeu de Futebol, mas também sobre o percurso de Cristiano Ronaldo durante o último ano.

Explicando que o português merece conquistar a Bola de Ouro, o antigo atleta lembra que poderão faltar muitos anos até vermos outro luso a chegar ao seu nível. 

Como olhou para o percurso da Seleção Nacional no Euro 2016? Imaginou que seria possível chegar à final e conquistar o troféu?

Foi fantástico. Fui um espetador atento. Não só como português, mas também como apaixonado por futebol e como cronista. Acho que foi um percurso extraordinário, apesar do muito sofrimento, mas não há campeão que não sofra.

As equipas têm de saber sofrer e estar preparadas para as adversidades. Se já é difícil a nível de clubes, quando se chega ao campeonato da Europa é o detalhe que vai fazer a diferença. Tivemos felicidade, aquele golo da Islândia tornou-nos o percurso mais fácil, mas não quer dizer que se não fôssemos por outro caminho não tivéssemos sido campeões. Fizemos um percurso com grande espírito de equipa, vencemos com uma grande união entre todos. Direção, equipa, todos muito envolvidos e unidos.

Acho que devíamos valorizar mais esta grande conquista. Nós, portugueses, temos de valorizar mais isto e falar mais sobre isto

Tive a sensação, mesmo nos jogos em que estavam 0-0, ou que fomos a penáltis, de que íamos ganhar. Tive essa sensação no Europeu. Tudo o que fizéssemos iria correr bem. Estávamos numa onda muito positiva e soubemos aproveitá-la. Houve outras seleções que foram campeãs assim. Foi um trajeto único. Este país merecia este êxito há muito tempo. No meu tempo de jogador estivemos muito próximo e, depois, ainda mais próximos estivemos em 2004, em casa. Mas merecíamos isto. Faltava-nos este primeiro lugar que foi mais do que justo. É um momento inesquecível. Acho que devíamos valorizar mais esta grande conquista. Nós, portugueses, temos de valorizar mais isto e falar mais sobre isto. O futebol mexe com grandes emoções e tem um impacto muito grande em termos sociais. Temos de comunicar mais estes grandes feitos.

Vamos ter a Taça das Confederações e depois o Mundial. É para continuar a onda vencedora?

Claro! Nós portugueses não sabemos estar de outra forma. Somos conquistadores por natureza, portanto somos ambiciosos. O próprio selecionador já disse que vamos para ganhar. Temos de ir com esse espírito. Se assim for, com certeza que poderemos ganhar.

Agora as equipas olham para Portugal de outra maneira…

Agora é o alvo a abater. Agora as equipas ainda se motivam mais para [defrontar] o campeão da Europa. Isso é o fator psicológico que estará presente na cabeça dos nossos adversários. Portugal vai jogar com o título em cima dos ombros e terá de saber viver com essa pressão. Mas quem me dera viver com essa pressão…

E Ronaldo deve ganhar a Bola de Ouro?

Tem de ser, é obrigatório! Do meu ponto de vista é mais do que justo.

Ele já tem 31 anos, vê algum jogador português chegar ao patamar dele?

Nesta altura é difícil. Não vai ser fácil haver outro Ronaldo…. Será difícil manter a regularidade que ele tem. São recordes atrás de recordes. Não só a nível de seleção mas também de clubes. Tem tido um rendimento de extraterrestre. Aliás tivemos a felicidade de aparecerem dois extraterrestres no futebol não só pelo talento mas pela regularidade. Eles já levam oito/nove anos a serem os melhores do mundo. Com esta regularidade não sei se vamos ter alguém tão cedo.

Divergências vão sempre haver, dentro e fora de campo. Que eu saiba ninguém morreu, ninguém foi para o hospitalBoa parte do sucesso da Seleção A advém do trabalho feito nas camadas jovens da seleção. Jogou com Rui Jorge no Sporting e na Seleção. Que análise faz ao trabalho desenvolvido pelo selecionador de sub-21?

Extraordinário! O Rui tem demonstrado ser um treinador muito competente e inteligente. Os sub-21 jogam um futebol de grande qualidade e é mais um grande treinador português jovem que está a começar o seu percurso e que tem feito um trabalho muito bom a nível de seleções e daquilo que se pretende. Não só formar jogadores para a seleção A, como também conquistar resultados e qualificações. Tivemos um azar tremendo naquela final contra a Suécia. Acho que merecíamos mais e ele merecia mais. Vamos ver se será recompensado. Esperemos que sim.

Posto isto, como olha para o estado atual do futebol português? De um lado temos a conquista do Europeu e Cristiano Ronaldo com fortes possibilidades de ganhar a Bola de Ouro. Do outro, temas polémicas como incidentes nos balneários, agressões dentro de campo e até picardias entre figuras ligadas aos principais clubes…

Isso são factos do jogo, irão existir sempre. Divergências vão sempre haver, dentro e fora de campo. Que eu saiba ninguém morreu, ninguém foi para o hospital. Às vezes especula-se mais do que se deve. Claro que há situações de confronto que têm de ser evitadas. Houve uma ou outra situação. A nível de competições europeias, aí sim, temos de analisar comparativamente com outras ligas, a nossa performance não é a ideal mas também não é má. Em termos competitivos, o futebol português parece-me competitivo. A nível interno os protagonistas continuam a ser os mesmos. Existe diferença pontual entre os três grandes, mas pode ser recuperável tal como aconteceu no ano passado. O único que está a ser regular é o Benfica, algo que o Sporting e o FC Porto ainda não conseguiram. Mas em termos exibicionais não me parece que o Benfica esteja a jogar melhor do que outras equipas.

*Pode ler a primeira parte desta entrevista aqui.

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