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Lançado novo satélite europeu que vai explorar efeito das nuvens no clima

O satélite EarthCARE da Agência Espacial Europeia (ESA) descolou na terça-feira da Califórnia para explorar em detalhe os efeitos das nuvens no clima, que ainda são pouco compreendidos apesar do seu papel fundamental.

Lançado novo satélite europeu que vai explorar efeito das nuvens no clima
Notícias ao Minuto

07:27 - 29/05/24 por Lusa

Tech Espaço

O lançamento decorreu na Base de Vandenberg, no oeste dos Estados Unidos, às 15:20 de terça-feira (23:20 de terça-feira em Lisboa), a bordo de um foguete SpaceX Falcon 9.

"Iniciámos o nosso voo", indicou, de imediato, a Agência Espacial Europeia no seu 'site'.

O satélite de 2,2 toneladas projetado pela Airbus operará 400 quilómetros acima da Terra e deve revolucionar a compreensão dos efeitos das nuvens no clima, que podem causar o arrefecimento ou aquecimento da Terra, realçou a ESA.

"A descolagem desta noite lembra-nos que o espaço não é dedicado apenas à exploração de galáxias e planetas distantes, mas também à compreensão da nossa bela e frágil Terra", vincou Josef Aschbacher, diretor do ESA, num vídeo publicado terça-feira nas redes sociais.

As nuvens são objetos complexos que agem de maneira diferente no clima, dependendo de sua altitude na troposfera, a camada mais baixa da atmosfera.

Estas "são um dos principais contribuintes para as alterações climáticas e é um dos que menos sabemos", explicou à agência France-Presse (AFP) Dominique Gilliéron, líder do departamento de projetos de observação da Terra da ESA.

Algumas, como as nuvens cúmulos, formadas por vapor de água e localizadas a baixa altitude, funcionam como um 'guarda-sol': sendo muito brancas e muito brilhantes refletem a radiação do Sol de volta ao espaço - um efeito chamado albedo - e arrefecem a atmosfera.

Outras, como as nuvens cirros de grande altitude, feitas de gelo, pelo contrário, permitem a passagem da radiação solar, que aquece a Terra. O planeta reemite radiação térmica que "as nuvens cirros irão captar, o que mantém o calor", explicou Dominique Gilliéron durante uma conferência de imprensa.

Estes dados demonstram a importância de avaliar a natureza das nuvens de acordo com a altitude, dissecando a sua estrutura vertical, o que nenhum satélite fez até agora, sublinhou Simonetta Cheli, diretora de programas de observação da Terra na ESA.

A missão pioneira da ESA, em colaboração com a agência japonesa Jaxa, analisará também os aerossóis, minúsculas partículas em suspensão (como poeiras, pólen ou poluentes humanos como cinzas de combustão), sobre as quais a água se condensa e são precursoras das nuvens.

O EarthCARE também está equipado com um gerador de imagens multiespectral, que fornecerá informações sobre a forma das nuvens, e um radiómetro para sondar a sua temperatura.

A missão europeia, prevista para três anos, substitui os satélites CloudSat e CALIPSO da NASA, cujas missões estão agora concluídas.

Leia Também: NASA lança missão para medir emissões de calor nos pólos da Terra

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