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Investigador Tim Marshall posiciona o Espaço como a próxima fronteira

O investigador e jornalista britânico Tim Marshall, autor do livro 'O Poder da Geografia', diz que o estabelecimento da fronteira espacial e os tratados sobre a Lua vão desempenhar, a breve prazo, um papel vital junto das potências mundiais.

Investigador Tim Marshall posiciona o Espaço como a próxima fronteira
Notícias ao Minuto

10:11 - 25/10/21 por Lusa

Tech Espaço

"Temos de olhar par o Espaço como uma região geográfica, porque desta forma podemos enquadrar o Espaço em relação à Terra. Isto não é ficção científica e tudo isto está a acontecer agora por causa da importância que os satélites têm para a economia, atualmente", disse à Lusa o investigador.

"Por cada satélite que deixa de funcionar, a economia mundial vai ressentir-se. Os russos, por exemplo, já têm armas espaciais e o abate de satélites pode vir a ser uma realidade", alerta Tim Marshall.

No livro 'O Poder da Geografia - Dez Mapas que Revelam o Futuro do Mundo', recentemente publicado em Portugal, o autor recorda que, para a agência espacial norte-americana (NASA), o Espaço começa a 80 quilómetros acima do nível do mar, mas a medição ainda não é consensual.

Para a Federação Aeronáutica Internacional, instituição com sede na Suíça e que ratifica recordes aeronáuticos, o Espaço começa a 100 quilómetros acima do nível do mar.

"Digamos que o país A define o limite em 100 quilómetros, mas o país B entende que são 80. Dita a lógica que, se o país A levar um satélite 90 quilómetros acima do limite do país B, o país A corre o risco de lhe abaterem o satélite", explica.

Para resolver estas questões foi criada a Agência para o Espaço Exterior das Nações Unidas, com sede em Viena, a que está ligado o Comité para a Utilização Pacífica do Espaço Exterior (COPUS) que reporta ao Quarto Comité da Assembleia Geral da ONU.

Mesmo assim, na opinião de Tim Marshall existem "defeitos" porque o Tratado da Lua desenvolvido pelo COPUS e que data de 1979 não foi ratificado por países como a Rússia, Estados Unidos e a República Popular da China.   

"Quando ouvimos falar da colonização da Lua, não estamos a falar do futuro. É evidente que existem cenários de futuro, mas também já existe uma realidade atual", diz Tim Marshall sublinhando que os tratados sobre o Espaço são mais importantes agora do que foram no passado.

"É importante começarem a ser encontradas definições sobre o limite da fronteira a oitenta ou a cem quilómetros da superfície da Terra porque se trata de uma fronteira que tem de ser estabelecida. Trata-se de uma zona muito mais ativa do que era no passado", diz o autor.

"Os tratados não foram ratificados, e isto é muito importante, até porque se não foram ratificados estão desatualizados. Por isso, é precisa legislação e ratificação dos tratados para que exista um enquadramento legal sobre o 'novo' Espaço", defende o investigador.

Em outubro de 2020, Estados Unidos, Japão, Itália, Reino Unido, Canadá, Luxemburgo e Austrália assinaram os Acordos Artemis, que regem a exploração da Lua e a extração de recursos lunares. 

Os signatários devem informar-se mutuamente das atividades que desenvolvem no sentido do desembarque da primeira mulher ou o envio do décimo terceiro homem na Lua, até 2024 sendo que a criação de bases na Lusa para a extração de minério pode ocorrer antes de 2028.

Segundo o acordo Artemis, essas bases podem ser a rampa de lançamento para "fomentar a expansão humana pelo sistema solar".

Mesmo assim, nem Moscovo nem Pequim assinaram o acordo Ártemis.

A Rússia, apesar de ser parceira da NASA na Estação Espacial Internacional, ficou de fora depois de a recém-formada Força Espacial dos Estados Unidos acusar Moscovo de rastrear satélites espiões norte-americanos.

O chefe da agência espacial russa, Dmitri Rogozin disse no ano passado que, sem um acordo geral, "uma invasão" da Lua pode transformar-se "noutro Afeganistão ou Iraque".

Por outro lado, o Congresso norte-americano interditou a NASA de trabalhar com a República Popular da China, nomeadamente sobre os projetos lunares.

"Já há três potências que se encontram 'de facto' no Espaço: os Estados Unidos, a Rússia e a República Popular da China, apesar dos muitos intervenientes na região espacial como o Japão ou o Reino Unido", disse ainda Tim Marshall sobre "a última fronteira".

O livro "O Poder da Geografia" (Edições Saída de Emergência) dedica-se também à situação geopolítica da Austrália, Irão, Arábia Saudita, Reino Unido, Grécia, Turquia, países do Sael, Etiópia e Espanha.

Anteriormente, Tim Marshall, ex-editor da Sky News e da BBC, publicou o livro "A Era dos Muros", também traduzido em português. 

Leia Também: Primeira missão Artemis da NASA será em fevereiro de 2022

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