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Vestager defende taxação das digitais "não só europeia, mas global"

A comissária europeia da Concorrência afirmou hoje que gostaria de ver uma taxação das empresas digitais "não só europeia, mas um acordo global", salientando que "não faz sentido" a maioria pagar o seus impostos e outras não.

Vestager defende taxação das digitais "não só europeia, mas global"

Margrethe Vestager falava numa conferência de imprensa com jornalistas na Web Summit, último dia da cimeira de tecnologia, onde ainda vai fazer uma intervenção.

A comissária europeia, que dispensou fazer uma introdução para dar mais tempo aos jornalistas para fazerem perguntas na conferência, considerou que deveria haver uma taxação das empresas digitais a nível global, quando questionada sobre o assunto.

"Eu gostaria muito de ver [taxação] não só europeia, mas um acordo global", afirmou.

"Normalmente não há nenhuma razão para sermos otimistas em termos de impostos, porque normalmente é muito lento e difícil" de aplicar, mas no que diz respeito às taxas digitais, o desenvolvimento "tem sido rápido e ambicioso da parte da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]", acrescentou.

"Não faz sentido que a maioria das empresas paguem os seus impostos, mas algumas empresas, dependendo da sua tecnologia ou modelos de negócio, não", apontou Margrethe Vestager.

Relativamente ao sistema de impostos na Irlanda, a comissária europeia disse que tem tido cooperação com as autoridades irlandesas nos últimos anos e que têm havido alterações importantes.

Na conferência de imprensa, a responsável pela Concorrência fez o balanço de várias investigações que estão a ser feitas por Bruxelas, entre as quais o dossiê Spotify, que está a ser "analisado", ou o Facebook, do qual Bruxelas aguarda resposta à informação pedida.

No que respeita à Libra, criptomoeda do Facebook, a comissária europeia disse que Bruxelas "tem preocupações profundas" sobre quais são os efeitos se esta alguma vez for lançada.

Sobre as críticas feitas pelos bancos relativamente às 'fintech' [tecnológicas que prestam serviços financeiros], Vestager disse que, pessoalmente, vê "grande potencial nas 'fintech'", nomeadamente novas formas de pagamento de serviços que facilitam a vida.

"Este é um aspeto das 'fintech'", apontou.

"Talvez os produtos de investimento, permitindo as pessoas terem um diferente tipo de relação com pequenos negócios", já não é algo bom a dizer, prosseguiu a comissária europeia.

Os bancos têm muita regulação, o que decorre da crise financeira, por causa dos efeitos na vida das pessoas e da economia, lembrou.

"Estamos cientes" do risco de desequilíbrios, salientou, considerando que os bancos têm de refletir sobre como será um banco "nos próximos cinco ou 10 anos".

Estas instituições financeiras deverão integrar o que tem origem na tecnologia, considerou, apontado que "os bancos têm de ser digitalizados".

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