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Comissão Europeia rejeita apressar-se com acusações à Huawei

A Comissão Europeia pediu hoje "vigilância e cautela" em relação aos riscos de espionagem e de ciberataques nas redes móveis de quinta geração (5G), mas rejeitou "pôr a carroça à frente dos bois" e acusar a chinesa Huawei.

Comissão Europeia rejeita apressar-se com acusações à Huawei
Notícias ao Minuto

15:18 - 09/10/19 por Lusa

Tech 5G

"Temos de estar particularmente vigilantes e cautelosos", afirmou hoje o comissário europeu para a União da Segurança, Julian King, em conferência de imprensa, em Bruxelas.

A reação do responsável surge depois da divulgação de um relatório da Comissão Europeia, que revela que os Estados-membros da UE detetaram, numa análise feita aos riscos nacionais relativos às redes móveis 5G, ameaças de espionagem ou de ciberataques vindas, nomeadamente, de países terceiros.

Questionado pelos jornalistas se o documento se refere, especificamente, à China e à companhia tecnológica chinesa Huawei, Julian King rejeitou que o relatório atinja "certas regiões ou empresas".

"Alguns consideram que falhamos por não apontarmos certos países, regiões ou empresas, mas eu penso precisamente o contrário, que não o fazermos é um mérito porque estamos a rejeitar aquilo a que se costuma chamar pôr a carroça à frente dos bois", sublinhou o comissário europeu.

Apesar de Bruxelas rejeitar estar a incidir sobre uma determinada empresa ou sobre um determinado país, certo é que a tecnológica chinesa Huawei tem vindo a ser acusada, principalmente pelos Estados Unidos, de espionagem através das redes 5G.

A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China. De um total de 50 licenças que a empresa detém para o 5G, 28 são para operadoras europeias.

Assumida como uma prioridade desde 2016, a aposta no 5G já motivou também preocupações com a cibersegurança, tendo levado a Comissão Europeia, em março deste ano, a fazer recomendações de atuação aos Estados-membros, permitindo-lhes desde logo excluir empresas 'arriscadas' dos seus mercados.

Bruxelas pediu, também nessa altura, que cada país analisasse os riscos nacionais com o 5G, o que aconteceu até junho passado, seguindo-se depois uma avaliação geral em toda a UE, hoje divulgada.

O relatório hoje publicado por Bruxelas reúne as conclusões a que os países da UE chegaram nessas avaliações nacionais, indicando que "a introdução das redes 5G ocorre no âmbito de um complexo cenário global de ameaças à segurança cibernética".

"No geral, as ameaças consideradas mais relevantes" e apontadas no relatório estão "relacionadas com o comprometimento da confidencialidade, da disponibilidade e da integridade" dos dados nestes países, indica o executivo comunitário no documento, precisando que um desses riscos se refere à "espionagem de tráfego ou de dados através da infraestrutura das redes 5G".

A Comissão nota, no relatório, que "em particular os países terceiros mais hostis podem exercer pressão sobre os fornecedores de 5G a fim de concretizarem ciberataques para atenderem aos seus interesses nacionais".

Isto porque estes países de fora da UE têm "capacidades - intenção e recursos - para realizar ataques contra redes de telecomunicações dos Estados-membros da UE", acrescenta.

Segundo Bruxelas, "as mudanças tecnológicas introduzidas com o 5G irão aumentar a dimensão de um [possível] ataque e o número de pontos de entrada com potencial para os invasores".

Até final do ano, os Estados-membros da UE vão, então, encontrar medidas comuns para mitigar estas ameaças.

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