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  • 26 AGOSTO 2019
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A rádio está à procura do seu espaço na Internet

Vários investigadores e docentes universitários ligados à rádio defenderam hoje novos caminhos para a rádio na Internet e a procura de formatos diferenciados, durante o Encontro Nacional de Estudos sobre Rádio, em Coimbra.

A rádio está à procura do seu espaço na Internet

"Tem de se fazer do computador o novo transístor", defendeu Madalena Oliveira, investigadora da Universidade do Minho, presente no painel da manhã do encontro, considerando que a internet poderá revitalizar a rádio, alertando que ainda se está "numa fase experimental, para não dizer amadora", no que toca à transição da rádio para a internet.

Luís Santos, também da Universidade do Minho, afirmou, durante o painel da tarde, que, se por um lado há rádios que se esforçam por "procurar um espaço na internet", outras "estão quietas", num momento de transição "muito rico", que, pelas "apostas e riscos" inerentes, poderá ser, do ponto de vista empresarial, "muito difícil".

Segundo a ótica de Madalena Oliveira, as rádios "nem sequer valorizam o som na internet", afirmando que, quando se entra num sítio de uma rádio, "a última coisa" com que se entra "em contacto é com o som".

Nesta "fase de testes", "procura-se mais inventividade" e uma "linguagem própria", defendeu Madalena Oliveira.

Maria Luz Barbeito, da Universidade Autónoma de Barcelona, referiu que, "enquanto consumidora", quer "encontrar algo mais" quando acede à “web”, criticando os “sites” por não oferecerem "complementaridades" ao programa emitido e defendendo "a criação de novos formatos".

Apesar de defender novos caminhos, o investigador Luís Santos alerta para que ao se pensar na rádio na internet "não se pode desmerecer a sua qualidade essencial que é o som".

"Ter presença na internet não quer dizer ter os mesmos formatos", frisou Luís Santos.

A sociedade "está fascinada com a imagem, priorizamos a imagem", afirmou à agência Lusa Juan Perona, investigador na Universidade Autónoma de Barcelona, opinião partilhada por Luís Santos, que afirmou que a atração dos “sites” pelo vídeo pode ser "uma subalternização do poder visual".

A antiga jornalista Isabel Reis admitiu que "há uma predominância do som" nos “sites” de rádio. Porém, essa presença está "a decrescer consideravelmente", sendo que os “sites” "são muito visuais", recorrendo "cada vez mais ao vídeo".

Segundo Juan Perona, a rádio tem sido um “media” "pouco inovador", usando "fórmulas programáticas homogéneas", em que pouco se foca na "criatividade e inovação" da linguagem radiofónica, de forma a posicionar a rádio na esfera digital.

"Há uma necessidade muito grande de estar nesta nova plataforma" e que, por isso, "querem-se resultados rápidos", não havendo "estabilidade", afirmou Isabel Reis, também investigadora na Universidade do Porto.

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