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Santana Lopes quer regresso do "PPD". E tem saudades dos congressos

Pedro Santana Lopes candidata-se pelo regresso do PSD às suas origens sociais-democratas -- o PPD/PSD -, admite coligações eleitorais com o CDS e já confessou ter saudades dos congressos eletivos, apesar de ter sido um dos principais defensores das diretas.

Santana Lopes quer regresso do "PPD". E tem saudades dos congressos
Notícias ao Minuto

11:00 - 22/10/17 por Lusa

Política PSD

O antigo primeiro-ministro apresenta no domingo formalmente a sua candidatura, em Santarém, 12 dias depois de a ter anunciado no seu espaço de comentário televisivo na SIC.

Tem sido, aliás, na SIC e na coluna de opinião semanal no Correio da Manhã que tem exposto as suas ideias políticas nos últimos tempos, já que, como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, as intervenções públicas de Santana Lopes foram sobretudo viradas para a importância do setor social.

A defesa da atuação do atual líder do PSD, Pedro Passos Coelho, sobretudo o seu legado enquanto primeiro-ministro, foi uma constante nos seus discursos e que apontou, até, como uma das razões para se candidatar, além do dever.

"Não me parece bem que um partido possa ser entregue a quem, numa altura tão difícil para o país, passou a vida a pôr em causa esse trabalho de salvação nacional", justificou Santana, numa referência ao outro candidato já apresentado, Rui Rio.

Instado a apontar diferenças em relação ao seu adversário, Santana disse que elas irão aparecendo "serena e calmamente", mas defendeu que o partido precisa de "uma liderança não crispada".

"O PPD/PSD não pode ter um líder para fazer contas, tem de saber fazer contas, mas tem de saber que a sua primeira tabuada é o que os portugueses pensam e o que os portugueses passam", defendeu.

Santana Lopes já recusou a hipótese de um Bloco Central com o PS e, em entrevista à Renascença já depois do anúncio, disse que preferia que o PSD concorresse sozinho a eleições legislativas mas não excluía uma coligação com o CDS.

Muito crítico, ao início, da possibilidade de o PS formar Governo após ter perdido as eleições em 2015, Santana acabou por reconhecer legitimidade à 'geringonça' e até elogiou alguns dos seus resultados, chegando a sugerir que, em resposta, PSD e CDS fizessem uma espécie de contra-aliança parlamentar.

Recentrar o partido - "trazer de novo o PPD/PSD", a forma como sempre se refere ao partido fundado por Sá Carneiro -- tem sido outra das tónicas do discurso do antigo primeiro-ministro, que lamentou muitas vezes que sejam antigos líderes e dirigentes os que mais criticam o partido.

"Tem estado na moda bater no PPD/PSD", acusou, durante a recente campanha autárquica aquele que foi o defensor de uma alteração estatutária no partido para incluir sanções que podiam ir até à expulsão para quem se opusesse às diretrizes oficiais, sobretudo em períodos pré-eleitorais.

Apesar de ter sido um dos principais defensores da escolha do presidente do PSD pela eleição direta dos militantes, já confessou, também na recente campanha autárquica (no qual fez uma volta intensa pelo país), ter saudades dos "grandes congressos" eletivos.

Santana afirmou que defende pactos de regime em áreas como as Obras Públicas, a Justiça, a Saúde e no combate ao flagelo dos incêndios, além da Segurança Social - embora admitindo que nesta área possa ser mais difícil -- e admitiu coincidência de pontos de vista com o primeiro-ministro, António Costa, sobre a importância da descentralização.

Aliás, nos últimos meses e fruto do cargo de provedor na Santa Casa, recebeu vários elogios quer do primeiro-ministro quer do Presidente da República.

"Há que reconhecer o mérito indiscutível, a capacidade de visão, a capacidade de mobilização do provedor à frente dos destinos desta casa", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em julho, dizendo que "o país agradece" a Santana Lopes.

"Tem sido consigo que a Santa Casa se tem envolvido numa política absolutamente prioritária para o desenvolvimento do Serviço Nacional de Saúde e que tem a ver com os cuidados continuados", afirmou, por seu turno António Costa, em novembro.

Ainda antes dos grandes incêndios do fim de semana passado, que fizeram mais de 40 mortos, já tinha apontado a tragédia em Pedrógão ou o furto de material de guerra em Tancos como áreas em que "não pode haver cedências" ao Governo e, na terça-feira, defendeu que Constança Urbano de Sousa não tinha condições para se manter na pasta.

Instado a dar uma nota à proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, Santana deu-lhe positiva à tangente -- "um suficiente menos" - e considerou que apresenta sinais errados, como não apostar na atração do investimento estrangeiro.

Se for eleito, já prometeu que "não será um líder distante, mas próximo", dizendo, em tom de brincadeira, não querer roubar o pelouro dos afetos ao Presidente da República. "Não faço tenções de ser um presidente que fala todos os dias e aparece todas as semanas", afirmou, prometendo que, em caso de vitória, terá uma equipa de porta-vozes permanentes e que contará com muitos da geração dos 30/40 anos.

Dias antes de se anunciar como candidato, escrevia no Correio da Manhã que "os partidos não se constroem com lapas e o PSD tem um número considerável dessa espécie".

"As lapas agarram-se quando lhes interessa e onde julgam que se podem segurar. Podem mudar de um lado para o outro, mas nunca deixam de ser o que são", escreveu no início do mês, defendendo que o PSD tem de "escolher a melhor solução" para enfrentar o PS nas legislativas de 2019.

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