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Primárias e diretas podem ser "confissão de nulidade" dos partidos

O deputado e dirigente socialista Sérgio Sousa Pinto criticou hoje, numa iniciativa do PSD, o discurso anti-partidos e considerou que formas de abertura como as diretas e primárias representam "uma confissão da sua nulidade".

Primárias e diretas podem ser "confissão de nulidade" dos partidos

"O ataque aos partidos é um ataque à democracia, sem partidos não há democracia, se alguém alberga num recanto do cérebro a ideia de uma democracia sem partidos, tal não é possível", afirmou, num jantar-conferência da Universidade de Verão do PSD.

O presidente da Comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros defendeu que, por serem pilares da democracia, os partidos "não podem sacrificar tudo ao democratismo interno, ao basismo, nem ao democratismo externo, com primárias, diretas e formas de abertura ao exterior que não contribuem para a regeneração institucional dos partidos, antes representam uma rendição, uma confissão da sua nulidade".

"Se são nulos para escolher dirigentes, candidatos, então para quê militar neles? Apoucar os partidos é um péssimo serviço à democracia", sublinhou, perante os cerca de 80 jovens que participam na iniciativa do PSD de formação de quadros.

Atualmente, PS e PSD elegem os seus líderes através da eleição direta por todos os militantes, tendo os socialistas recorrido uma vez a primárias (abertas a simpatizantes) para escolher o candidato do partido a primeiro-ministro, disputadas entre António José Seguro e o atual líder, António Costa.

Questionado por que não é do PSD, Sérgio Sousa Pinto manifestou o seu "maior respeito democrático" por este partido, considerando que os sociais-democratas e os socialistas foram os "grandes construtores da II República" e apontou como heróis da democracia portuguesa Mário Soares e Sá Carneiro.

"Como defensor da liberdade, da sociedade aberta, vejo-me hoje numa companhia muito exótica e diversa e não me refiro a vocês evidentemente...", afirmou na sua intervenção inicial, uma tirada que provocou risos na plateia.

Sobre as razões que o levaram a escolher militar no PS, Sousa Pinto definiu-se como "um homem de esquerda" pela convicção de que "os fortes se puderem comem vivos os fracos", mas admitiu que toda a sua vida foi evoluindo.

"Desconfio profundamente das pessoas que não mudam. Não há nada como governar para ter uma certa humildade diante das dificuldades", salientou.

Admitindo que entre PS e PSD as diferenças são hoje "mais de grau que de natureza" em relação ao modelo de sociedade e económico, o deputado socialista alertou para que "as alternativas que se perfilam apontam para modelos que já não existem, felizmente, ou que ainda existem e estão a conduzir os países a situações verdadeiramente angustiantes".

O antigo líder da JS elogiou o papel das juventudes partidárias -- o que lhe mereceu fortes aplausos na sala -- e pediu aos jovens que estejam alerta em relação "ao PC".

"Não estou a dizer o Partido Comunista, mas o politicamente correto", esclareceu, gerando novamente risos na sala.

Para Sérgio Sousa Pinto, "o politicamente correto é um temível adversário da liberdade", que "começa por policiar as palavras, as expressões e acaba a policiar o pensamento".

Em resposta a perguntas dos 'alunos' da Universidade de Verão do PSD, o deputado e dirigente socialista manifestou-se favorável à disciplina de voto nos partidos em matérias fundamentais para evitar a sua decomposição e à manutenção do sistema proporcional (em contraponto com os círculos uninominais) e deixou um pedido aos jovens presentes.

"Nunca se esqueçam que os vossos adversários não são vossos inimigos e nunca percam uma boa ocasião para discutir com um socialista", apelou.

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