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Graça Fonseca assumiu homossexualidade. Elogios, sim, mas houve críticas

Para uns, um ato de coragem. Para outros, um assunto privado que nada interessa para o exercer das suas funções. Graça Fonseca é a primeira governante portuguesa a assumir a homossexualidade e as reações não se fizeram esperar.

Graça Fonseca assumiu homossexualidade. Elogios, sim, mas houve críticas
Notícias ao Minuto

08:00 - 23/08/17 por Andrea Pinto

Política Secretária de Estado

Foi a primeira vez que um governante português assumiu a sua homossexualidade. A proeza cabe a Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa, que numa entrevista ao Diário de Notícias, e falando sobre o facto de Portugal ser um país conservador, decidiu revelar a sua orientação sexual.

Não foi preciso esperar muito para que as reações surgissem, com muitos a ‘aplaudirem de pé’ a coragem da governante. Outros, não criticando as suas opções, lamentam que esta seja a única declaração importante a retirar da entrevista que concedeu, considerando que isso prova que a nível político não tem muito a dizer.

A Associação ILGA - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo foi das primeiras a pronunciar-se sobre o assunto. Considerando que, apesar dos avanços, “o armário tende a ser a regra” em Portugal, a associação elogiou, no Facebook, Graça Fonseca “por contrariar o silêncio e a invisibilidade das pessoas LGBTI”.

Acérrima defensora da causa, também Isabel Moreira tem utilizado a mesma plataforma para, por diversas vezes, enaltecer a atitude da secretária de Estado. Para a socialista, o 'coming out da Graça", "não é uma questão de privacidade. É uma questão de identidade". Isabel Moreira mostra-se agradada com o facto de haver uma "mulher lésbica no Governo", e prova disso é a partilha de diversas opiniões que faz de outros amigos sobre o assunto, e todos eles elogiosos.

Mas nem só de elogios se fazem as reações à revelação da secretária de Estado. De Carlos Abreu Amorim surgem críticas em relação à entrevista. Para o social-democrata “quando um governante dá uma entrevista é porque tem alguma coisa importante a dizer ao país. Deve ter mensagens políticas acerca daquilo que fez e faz, sobre os seus planos para o futuro”, diz, considerando que um governante “não age bem quando fala de si, que usa a entrevista para tentar projetar-se a si mesmo, a sua vida privada e a sua sexualidade, como uma espécie de modelo de comportamento público”.

“Uma coisa assim não demonstra coragem, diferença ou novidade. Apenas exibe que não tem mais nada para dizer”, atira.

Alfredo Barroso diz também que Graça Fonseca"que muito raramente se houve falar, tenha aproveitado a ocasião de uma entrevista - feita por uma jornalista pessoalmente cúmplice da entrevistada - para praticar um acto de coragem pessoal, mas também, e muito para além disso, para praticar um acto de propaganda pessoal e política".

Quem não concorda é Tiago Barbosa Ribeiro, que entende que a governante tem sido sujeita a “críticas sabujas” e que “só num mundo paralelo é que a afirmação pública da Graça Fonseca não é um ato de profunda coragem e exemplo".

Entre os apoiantes, configuram ainda o deputado e ativista LGBT Miguel Vale de Almeida, que afirma que Graça é "uma governante lúcida, inteligente, bem formada, e a marcar a diferença".

As reações não deverão surpreender Graça Fonseca que já na entrevista fazia prever que isso aconteceria, pois "as pessoas são muito rápidas a julgar". 

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