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"A Amadora não pode continuar a ser um cemitério policial"

Carlos Silva, candidato da Coligação Amadora Mais à Câmara Municipal da Amadora, é o convidado desta semana do Vozes ao Minuto.

"A Amadora não pode continuar a ser um cemitério policial"
Notícias ao Minuto

08:45 - 09/08/17 por Anabela de Sousa Dantas

Política Carlos Silva

Carlos Silva, candidato do PSD/CDS-PP à Câmara Municipal da Amadora, fala do concelho onde sempre viveu com alguma saudade, como que a reclamar por uma vivência em comunidade que se foi desvanecendo. “A Amadora foi em tempos das cidades com movimento associativo mais pujante”, refere, lembrando a atividade desportiva. Uma realidade que hoje contrapõe com uma espécie de “vírus do medo”, que se espalhou, desagregador, pela Amadora, levando a que haja receio de sair à rua depois de anoitecer e mesmo ao encerramento do comércio depois 20h00.

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, o candidato da Coligação Amadora Mais diz querer lutar por uma Amadora segura, que sirva a sua comunidade da melhor forma e que estimule o seu potencial.

A candidatura do deputado do PSD apresenta ideias que passam pela redução do IMI para a taxa mínima, pela redução do preço da água, por um cheque-desporto para todos os cidadãos, por uma rede local de transportes e comparticipação de medicamentos para idosos. A questão da saúde e da segurança no concelho são, no entanto, temas que Carlos Silva debate com mais afinco.

Nos últimos dias tem falado bastante sobre os cuidados primários de saúde e, em específico, sobre o centro de saúde da Brandoa. Quais são os principais problemas, neste âmbito?

Isto enquadra um tema mais geral que é a questão da saúde, que na Amadora é uma catástrofe. Têm chegado até nós inúmeras situações que temos denunciado, ao nível de funcionamento das infraestruturas da saúde no nosso concelho, começando desde logo na questão do Hospital. Além do encerramento de urgências muito importantes, embora temporárias, de obstetrícia e ginecologia, a gritante falta de médicos permanentes levou à ameaça de demissão por parte da direção-clínica há um tempo. Depois o ministro da Saúde veio a anunciar que iam libertar verbas para contratar médicos, mas enquanto não contratam o problema continua.

A Câmara tem, de uma vez por todas, de levantar a voz e não pode manter-se silenciada só porque o Governo é da mesma cor políticaO desaparecimento de cerca de 1.200 utentes da lista de espera da cirurgia ortopédica, ao qual eu, na qualidade de deputado, coloquei questões regimentais ao ministro da Saúde e até hoje não houve resposta. A perda do serviço noturno, por exemplo, da ambulância do INEM, por falta de recursos humanos. E depois o deficiente funcionamento dos vários centros de saúde da cidade, inclusivamente, em edifícios que foram feitos inicialmente para habitação e depois transformados em centros de saúde e que não têm elevadores, as pessoas são atendidas na rua.

E agora esta situação de algum alarme do centro de saúde da Brandoa. As pessoas que não chegam à fila de espera todos os dias, para arranjar médico de recurso, antes das 6h00, não conseguem consulta, isto numa zona do concelho com bastantes vulnerabilidades. Não só em termos de capacidade de mobilidade das pessoas, mas também a questão da idade.

Há a situação das férias, que temos que compreender, mas torna-se de todo incompreensível, segundo os números que nos chegaram, que até há bem pouco tempo existiam 20 médicos para este centro de saúde e neste momento apenas existem nove. Que até há bem pouco tempo os enfermeiros fossem 20 e neste momento sejam apenas sete. E que do pessoal auxiliar eram cinco e neste momento são apenas três.

Também aqui, a Câmara tem que, de uma vez por todas, levantar a voz e não pode manter-se silenciada só porque o Governo é da mesma cor política.

Acredita que a complacência para com estes cortes tem a ver com esse facto?

Exatamente. Isto, naturalmente, depois leva também à sobrecarga do Hospital Amadora-Sintra. Começa-se a compreender que as urgências do Amadora-Sintra tenha as maiores filas de espera e tempos de espera do país. Não havendo cuidados básicos de proximidade com a população, acaba por sobrecarregar os serviços do próprio hospital quando este também tem as insuficiências todas que já defini.

Isto deve ser denunciado, já na altura desafiei o ministro da saúde a visitar o Hospital Amadora-Sintra e a verificar o estado caótico em que estava e agora vou mais longe e desafio-o a visitar os centros de saúde da Amadora. Há a promessa de dois novos centros de saúde para o nosso concelho, mas é evidente que enquanto são feitos e não são feitos as suas populações têm de continuar a sobreviver e têm de recorrer aos serviços de saúde de proximidade.

Na cidade da Amadora hoje em dia é difícil caminhar, circular, a partir das 20h00. O comércio está todo encerradoAlém da questão da saúde, que outros problemas precisam de resolução na autarquia?

Do ponto de vista mais básico das necessidades das populações há muitas situações que têm de ser resolvidas. Aquelas que são preocupações imediatas são a questão da saúde e a questão da segurança, da tranquilidade pública.

Em que sentido?

No sentido em que na cidade da Amadora hoje em dia é difícil caminhar, circular, a partir das 20h00. O comércio está todo encerrado e a polícia de proximidade, apesar de um trabalho meritório que a PSP tem vindo a efetuar, ainda é deficiente. A Amadora precisa de infraestruturas básicas que alterem em definitivo o quadro da tranquilidade. Por exemplo, uma medida básica e necessária seria, em zonas onde a iluminação pública é deficiente, poder reforçá-la. Não vou só pela questão das políticas de intervenção pública da PSP, há alterações que é preciso efetuar, a PSP tem atualmente algumas deficiências ao nível das viaturas, na manutenção de viaturas em estado adequado para o policiamento de proximidade. Penso que a câmara aí terá um papel no sentido de, pelo menos, ajudar à renovação da frota da PSP. 

O medo impede que a Amadora seja uma cidade moderna, que seja uma cidade tranquila, que seja uma cidade vivaContinuando na discussão sobre as forças de autoridade no concelho, foi anunciada no mês passado a acusação de 18 agentes da esquadra da PSP de Alfragide por crimes de ódio e discriminação contra jovens da Cova da Moura. Que impacto acha que terá esta decisão junto da população?

O caso concreto eu não posso comentar. O que digo desde logo é que tenho de saudar a PSP da Amadora pelo difícil trabalho que fazem no dia a dia no nosso território. Trabalho difícil e com muita falta de condições, como se vê pelo diagnóstico que fizemos. O que sei de concreto é que a Amadora não pode continuar a ser um cemitério policial, ou seja, nos últimos 10 anos ao serviço das populações, no cumprimento da sua missão, dos 15 agentes que morreram em todo o país, quatro faleceram na Amadora. Isto não pode continuar a acontecer, portanto, o tema da segurança, ocupa pelas piores razões algum tempo da comunicação social, de tempos a tempos vamos tendo informações sobre a Amadora e sobre problemas de insegurança.

Mas para quem vive na Amadora isto é um problema diário. E esta preocupação começa a trazer a debate aquilo que eu chamaria um vírus, que é o vírus do medo. É este medo que impede que a Amadora seja uma cidade moderna, que seja uma cidade tranquila, que seja uma cidade viva, é este medo que impede as pessoas de saírem à noite ou como já tinha dito de saírem à rua depois das 20h00. Impede os comerciantes de manterem o comércio aberto em zonas centrais da cidade, não há um café a partir das 20h00 da noite no centro da Amadora. É esse medo que impede as pessoas de praticarem desporto nos parques e nos jardins a partir de determinada hora. É o medo de circular e conviver à vontade. É o medo de estacionar os carros em algumas zonas com falta de iluminação pública e este medo, objetivamente, não se pode alastrar às forças policiais.

Temos de dar condições às polícias para fazerem a manutenção da ordem pública de forma digna e eficazAqui vem a questão de Alfragide, quando aparecem situações destas, acusações à força policial, de ser um bocadinho mais musculada, há também o retorno, que é o medo das poucas forças policiais de intervirem. Temos de dar condições às polícias para fazerem a manutenção da ordem pública de forma digna e eficaz. É evidente que não pretendo com esta denúncia lançar o pânico, não é esse o meu objetivo, nem encontrar culpados, nem se pretende estigmatizar populações, nem fazer generalizações, que isto é sempre bastante injusto, mas pretendemos enquanto coligação que se candidata à Câmara Municipal arranjar soluções reais para problemas concretos.

E se for eleito compromete-se a alterar essas situações?

Naturalmente. Há outros aspetos. Um outro aspeto que me parece de primordial importância é a questão da mobilidade interna das populações. A Amadora está servida por uma rede de transportes públicos de caráter regional mas depois internamente é impossível as populações circularem entre aquilo que são os serviços públicos e as escolas do concelho. A pessoa se quiser ir em condições adequadas ao Hospital Amadora-Sintra o melhor transporte é o táxi porque existe uma deficiente rede de transportes que ligam o centro da Amadora, por exemplo, ao hospital Amadora-Sintra. Ou qualquer uma das freguesias do concelho, adjacentes ao hospital. É mais fácil as pessoas dirigirem-se do centro da Amadora para Lisboa, do que se dirigirem de qualquer freguesia do concelho para o centro da Amadora e isto não é aceitável.

Para além da degradação que temos vindo a sentir ao longo dos últimos meses, do último ano, talvez, no que toca aos serviços prestados pela Carris dentro do território da Amadora e as deficientes condições de circulação do Metropolitano. Durante cerca de três meses, a população da Amadora viu o tempo de espera nas estações do Metropolitano do município aumentar a frequência dos comboios, em hora de ponta, de 4 minutos e meio para 10 minutos. 

Tudo isto acontece no território da Amadora. Mais uma vez, a presidente de Câmara não fez sentir a sua voz. E vão acontecendo inúmeras coisas no território da Amadora, como o preço dos bilhetes, por exemplo. Hoje em dia, somos discriminados face aos cidadãos residentes em Lisboa. 

O cheque-desporto não é para ir à Decathlon comprar equipamentoTinha falado também na criação de cheques-desporto. O objetivo passa pela integração das camadas mais jovens?

E não só. O cheque-desporto é para todos. Não é para ter um cheque para ir à Decathlon comprar equipamento. O objetivo é que as pessoas se inscrevam a si próprias e às suas famílias nas coletividades locais. Ou seja, isto por um lado é um incentivo à prática do desporto, um bem para a saúde e acho passa exatamente por políticas ativas de desporto e bem estar. E por outro lado o reativar do movimento associativo.

A Amadora foi em tempos das cidades com movimento associativo mais pujante. Passaram na Amadora e cresceram na Amadora imensos jovens que acabaram por constituir valores nacionais do ponto de vista do desporto, em vários ângulos, do futebol, da natação, do andebol. Muitos jovens que vieram da Amadora e dos clubes da Amadora. O movimento desportivo nos últimos ano na Amadora definhou, o movimento associativo então desapareceu, uma falência total… os grandes emblemas da cidade praticamente desapareceram, Estrela da Amadora, Académica da Amadora, etc. Há um financiamento insuficiente por parte da Câmara àquilo que é o movimento associativo e o movimento desporto. 

Nós na Amadora temos várias comunidades, a comunidade dos ciganos está perfeitamente integradaEsta corrida às autárquicas, ficou recentemente marcada pelas declarações do candidato à Câmara de Loures, André Ventura, relativamente à comunidade cigana. É uma realidade que reconhece no município da Amadora?

Estas realidades passam-se em todo o lado, acho é que o André o fez com um ênfase excessivo. As autoridades têm de intervir sobre essa matéria, a esse respeito ele tem razão. A ausência da Câmara conduz a situações destas. Agora, devemos ser cidades inclusivas, a nossa riqueza, enquanto cidade, é essa mesmo. É que as pessoas se sintam integradas e devemos ser agregadores. Com isto não quer dizer que não tenha que haver medidas de segurança, medidas que promovam a tranquilidade das populações. Objetivamente, tem que haver regras e as várias comunidades têm de saber respeitar essas regras que existem.

Nessa perspetiva, acho que o alarido que se fez em torno daquilo que se passou em Loures no fundo é excessivo. Há quem diga que aquilo que ele disse é o que as pessoas pensam, mas que não o dizem... Eu diria que existindo essa realidade ela tem de ser ultrapassada e as entidades públicas estão cá para fazer cumprir as regras. A cidadania é isso mesmo, as regras são iguais para todos, não há uns mais privilegiados do que os outros. Nós na Amadora temos várias comunidades, a comunidade dos ciganos está perfeitamente integrada, não se assistem a focos desequilibrados de tensão.

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