Portugal e Espanha "têm interesses estratégicos comuns"

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, afirmou hoje que Portugal e Espanha têm "interesses estratégicos comuns" e devem trabalhar em conjunto para responder aos "desafios e ameaças" que pairam sobre a Europa e o mundo.

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Política Ferro Rodrigues

"Independentemente das cores políticas dos nossos governos, os nossos interesses estratégicos são comuns e, como tal, é em conjunto que devem ser defendidos", sinalizou Ferro Rodrigues, falando na cerimónia parlamentar de boas-vindas aos reis de Espanha, que terminam hoje uma visita de Estado de três dias a Portugal.

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Depois, o presidente da Assembleia da República traçou um comparativo entre um discurso no parlamento português do antigo rei Juan Carlos, há 16 anos, e o atual momento, com Filipe VI a falar também perante os deputados de Portugal.

"Dezasseis anos não é muito tempo na história secular dos nossos países, mas estes foram de facto 16 anos que mudaram a nossa Europa e o nosso mundo. Vivemos hoje num ambiente estratégico internacional completamente diferente", declarou, falando depois de exemplos como a "nova dimensão global" do terrorismo, a proliferação de "Estados falhados e guerras civis", o aquecimento global ou o "drama humano dos refugiados".

Ferro lembrou também que, em 2000, a União económica e monetária "ainda estava a dar os primeiros passos", e depois as economias portuguesa e espanhola tiveram de se adaptar ao "impacto do alargamento da Europa a leste, da abertura comercial à Ásia, e da integração nas regras da moeda única".

Nesse campo, o presidente dos deputados foi perentório: "A União Europeia respondeu de forma tardia e insuficiente, deixando que a crise financeira se transformasse numa crise de dívidas soberanas com consequências muito graves nos sistemas políticos, sociais e financeiros".

Portugal e Espanha, ainda na matéria económica, estiveram "unidos" na "condenação da hipótese de sanções contraproducentes e injustas" no que refere aos défices excessivos, valorizou Ferro Rodrigues.

"Estivemos e estamos solidários com a causa humanitária dos refugiados. Portugal e Espanha têm o privilégio de não terem partidos xenófobos com representação parlamentar. Apesar de tudo, ainda somos das opiniões públicas mais favoráveis ao projeto de construção europeia", prosseguiu.

Portugal e Espanha, advogou, "sabem bem pela sua experiência histórica" que o caminho da "prosperidade" se faz com a "abertura ao mundo e não" por via do "isolamento nacionalista".

"A consolidação histórica da relação de amizade entre Portugal e Espanha dá-nos condições únicas para percorrermos como bons irmãos os desafiantes caminhos do futuro", disse ainda Ferro Rodrigues, antes de passar a palavra a Filipe VI para uma intervenção do rei de Espanha aos deputados portugueses.

No seu discurso, Ferro Rodrigues citou alguns pensadores e homens da cultura de Espanha, casos de Cervantes ou Ortega Y Gasset, e valorizou ainda, por exemplo, o facto de "há 30 anos, no mesmo dia", Mário Soares e Felipe Gonzalez terem assinado o tratado de adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE).

Depois de passarem pelo Porto e Guimarães, os reis de Espanha, Filipe VI e Letizia, chegaram na terça-feira a Lisboa, onde foram recebidos nos Paços do Concelho, tendo depois o primeiro-ministro, António Costa, oferecido um jantar no Palácio das Necessidades.

Hoje é o último dos três dias de visita de Estado dos reis espanhóis a Portugal.

 

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