CGD: "Só espero que não deitem o bebé fora com a água do banho"

António Vitorino e Santana Lopes comentaram esta terça-feira a demissão da administração da Caixa Geral de Depósitos. E ambos concordam: "Ninguém ficou bem na fotografia".

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Política Comentário

Para António Vitorino, as demissões na Caixa foram "o desfecho mais provável" depois de tantas polémicas. "Sempre achei que esta crise prolongada no tempo quanto mais se prolongasse mais afetava a recapitalização da Caixa", disse o socialista na antena da Sic Notícias, frisando que "ninguém ficou bem na fotografia".

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"Obviamente que o Governo criou expetativas à administração da Caixa que, aparentemente, não podia ter criado", opinou, notando que a administração "também levou demais uma certa inflexibilidade naquilo que acabou por fazer, entregar as declarações de rendimentos".

Quanto à oposição, o socialista concorda que o "PSD aproveitou claramente para gerar um embaraço em relação ao Governo e o Bloco de Esquerda votou com o PSD e CDS carregando no botão para gerar esta crise".

"Só espero é que, tal como disse há uma semana, que não deitem fora o bebé com a água do banho, ou seja, que a capitalização não seja afetada por este episódio lamentável", sustentou, deixando ainda uma ressalva: "O Partido Comunista foi o único que teve uma posição "com menos variações. Nesta crise disse sempre o mesmo, nunca se contradisse e nunca andou a oscilar de opiniões".

Na mesma linha, Santana Lopes considerou que "foi tudo mau demais para ser verdade" e que a decisão da Assembleia foi só "a gota que transbordou o copo". O social-democrata socorreu-se do parecer do Presidente da República e do entendimento do Tribunal Constitucional para afirmar que já se estava à espera que o Parlamento optasse pela obrigação na entrega das declarações de rendimento dos gestores.

"[Os administradores] estavam, em termos de órgãos de soberania absolutamente isolados", notou Santana, para quem "está por explicar a razão de tanta intransigência em não querer entregar as declarações que acabaram por entregar".

"Houve aqui alguma 'casmurrice'. Não percebo, acho que correu mal para todos, é mau para Portugal, é mau em Bruxelas, é mau em Frankfurt. Espero que não afete a essência das coisas", sublinhou o provedor da Santa Casa. Em relação à oposição, "aproveitou quem se pôs a jeito, de vários lados houve um pôr a jeito involuntário", rematou.

 

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