Alberto João Jardim apresentou hoje, no Funchal, na Reitoria da Universidade da Madeira, a obra do professor Eduardo Paz Ferreira "Por uma Sociedade Decente".
Comentando as eventuais sanções da Comissão Europeia a Portugal por défice excessivo, Alberto João Jardim disse ser uma "injustiça" porque "tudo está mal desde o Tratado de Maastricht que é conservador, ultraliberal e feito para favorecer os mais fortes".
"São injustas [sanções] e são sobretudo uma vigarice porque a Alemanha e a França fartaram-se de violar a barreira dos 3 % e nunca ninguém lhes disse nada", avivou.
João Jardim considerou que a União Europeia "não tem dirigentes à altura".
Questionado sobre a ida de Durão Barroso, que presidiu à Comissão Europeia durante dois mandatos, de outubro de 2004 a outubro de 2014, para o cargo de presidente não executivo do Goldman Sachs International (GSI), sediado em Londres, já a partir deste mês, Alberto João Jardim disse não ter nada a ver com a vida privada de cada um.
"Ele não tem responsabilidades públicas, tem liberdade para fazer o que muito bem entender", disse.
Eduardo pais Ferreira manifestou, por seu lado, uma opinião contrária.
"É preciso instaurar regras na sociedade que não permitam este tipo de situação, creio que é preciso que o Estado deixe de ter vergonha de ter poder porque, nos últimos anos, aquilo que temos assistido é quase pedir desculpa por ter poder embora ao mesmo tempo oprima muitas pessoas designadamente pela via fiscal", sustentou.
Eduardo Paz Ferreira é professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, presidente do Observatório da Concorrência e diretor da Revista de Finanças Públicas e Direito Fiscal e sócio correspondente da Academia de Ciências, Secção de Economia, com intervenções na área da advocacia, na área fiscal e das finanças públicas, no meio financeiro, na política externa e na intervenção cívica.
Publicado pela editora Marcador, o livro "Por uma sociedade decente" foi hoje apresentado no Funchal depois de tê-lo sido em Lisboa e no Porto.