Intervindo, em Coimbra, na sessão de abertura da edição 2025 do Fórum Socialismo, considerado a 'rentrée' do BE, a ex-coordenadora bloquista saudou os participantes de uma "esquerda ampla", reunidos num espaço de diálogo e de troca de ideias, numa iniciativa que "mostra toda a diferença, entre a responsabilidade e a resposta e quem faz a política da sombra e do engano, para deixar o país cada vez pior".
Numa intervenção bastante aplaudida, maioritariamente sobre a atualidade política, Catarina Martins considerou um insulto o anúncio, pelo primeiro-ministro, na festa do PSD do Pontal, do regresso da Fórmula 1 a Portugal, numa altura em que os incêndios florestais assolavam o país.
"Insulto, cortina de fumo, num país que precisava mesmo era de ajuda, quando o fogo queimava e as populações estavam sozinhas. Um absoluto desprezo pelo país, um absoluto desprezo por quem sofre, que não pode deixar de ser registado", vincou.
Catarina Martins notou, por outro lado, aquilo que disse ser a ausência de um plano sobre as urgências hospitalares que estariam abertas ou fechadas.
"E o Governo decidiu anunciar um plano para não permitir o reagrupamento familiar de imigrantes. Criar uma guerra para não falar dos problemas e somar problemas a problemas", enfatizou.
"E agora, que começa o ano letivo, e há tantas escolas que não têm os professores de que precisam, em que faltam tantos profissionais, em que temos de debater como vai ser este ano letivo, o que faz o Governo? Anuncia uma comissão para comemorar o 25 de Novembro. Um insulto à democracia e, mais uma vez, uma fuga às responsabilidades", argumentou a eurodeputada do BE.
Para Catarina Martins, o país tem de estar a debater como é que a escola pública terá meios para funcionar e não um "revisionismo histórico" que o Bloco recusa aceitar.
"E enquanto tudo isto se passava, e ao mesmo tempo, o Governo fez uma outra coisa: foi começar um debate sobre um pacote legislativo laboral, para que num dos países com mais baixos salários, mas os mais altos preços no supermercado e na habitação, o emprego fique ainda mais precário e o salário ainda mais baixo", alegou.
"Espera o Governo que o país não seja capaz de debater nada disto e se entretenha com as 500 cortinas de fumo que vai lançando. E nós aqui estamos, a esquerda em Portugal e a esquerda na Europa (...). Aqui estamos para não nos deixarmos enganar", frisou Catarina Martins.
O Fórum Socialismo 2025, organizado pelo BE, mas também pela família europeia 'The Left', termina no domingo, em Coimbra, e reúne mais de 500 participantes.
Conta com a participação da eurodeputada do PS Marta Temido, dos fundadores do BE Francisco Louçã, Fernando Rosas e Luís Fazenda, e de vários ativistas, bem como de representantes do espanhol Podemos e também do França Insubmissa.
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