"Temos uma maioria de direita com muita pressa, conjugada, onde cada um cumpre o seu papel. Nós podemos dizer, de forma simplista: o PSD e o CDS são os executantes da política, a IL é a lebre ideológica dessa mesma política e o Chega é o arrebanha dessa política, é o abre-latas da política do Governo", acusou Paulo Raimundo em declarações aos jornalistas após uma visita ao espaço da Festa do Avante, na Quinta da Atalaia, no Seixal.
Paulo Raimundo acusou o PS de, perante essa maioria, estar "adormecido, sem se diferenciar de forma significativa das grandes opções do Governo" e assegurou que o PCP "tudo fará para dar combate" a essa política.
O secretário-geral do PCP abordou em particular o anteprojeto de reforma laboral apresentado pelo Governo, acusando o executivo de querer "impor mais precariedade, mais contenção nos salários, mais horários e mais tempo de trabalho".
"Como se houvesse pouca precariedade no nosso país, o que as alterações querem é impor mais precariedade. Como se os salários fossem altíssimos, o que se quer é conter ainda mais os salários", criticou.
Paulo Raimundo defendeu que "isto não é tolerável" e considerou que é necessário "um combate forte, político", mas também "feito ao nível das empresas, dos locais de trabalho e nas ruas", apelando à participação nas manifestações convocadas pela CGTP para o dia 20 de setembro, em Lisboa e no Porto, contra as alterações à legislação laboral.
"Nós não falharemos a nenhum combate, seja ele marcado por quem for, de contestação a este pacote laboral, que está um bocadinho esquecido, mas para o qual o Governo tem muita pressa", assegurou.
O secretário-geral do PCP considerou que, neste contexto, a Festa do Avante tem uma "importância acrescida", porque servirá de "grande momento de unidade" para "juntar forças, democratas e patriotas", incluindo quem não votou no PCP, para "os combates que se colocam hoje e que se vão colocar no futuro".
Paulo Raimundo fez estas declarações depois de ter percorrido o espaço da Festa do Avante, na Quinta da Atalaia, que se vai realizar entre 05 e 07 de setembro, trocando palavras com vários militantes que cortavam tábuas, pintavam barracas ou montavam quiosques.
À conversa com Madalena Santos, da direção da festa, Raimundo confessou estar expectante quanto ao concerto de artistas como Capicua, A Garota Não ou a banda Fogo Fogo. Quanto ao seu discurso, no comício final, o secretário-geral do PCP reconheceu que ainda não o preparou, mas já tem definido os seus eixos centrais.
Será sobre "a vida das pessoas, os problemas que precisamos de enfrentar, as soluções para o país, a força, a confiança e a esperança de um projeto alternativo para o país, aquilo que é preciso responder na vida, nos salários, nas pensões, no drama do acesso ao SNS", referiu, frisando que abordará também as questões da habitação, da legislação laboral e as eleições autárquicas.
"Mas também não passaremos ao lado deste drama que enfrentámos nestes últimos dias - e esperamos que não ganhe novamente novas proporções - que são os incêndios e as respostas a dar", disse.
[Notícia atualizada às 13h20]
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