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Herança de Sócrates e Orçamento de 2012 dividem 'Antónios'

O dirigente socialista António Costa criticou a abstenção do PS no Orçamento de 2012, ponto em que o secretário-geral do partido ligou Costa ao passado de Sócrates e acusou-o de duplicidade de posições.

Herança de Sócrates e Orçamento de 2012 dividem 'Antónios'
Notícias ao Minuto

06:10 - 10/09/14 por Lusa

Política PS

A questão da orientação política da bancada do PS perante o primeiro Orçamento do Estado apresentado pelo executivo de Pedro Passos Coelho foi um dos assuntos que gerou maior controvérsia no debate da TVI entre os dois socialistas candidatos às eleições primárias de 28 de setembro.

António Costa criticou a abstenção do PS em relação a um Orçamento que assumia ir "para além da troika" e o facto de deputados socialistas terem sido forçados a recorrer ao Bloco de Esquerda para conseguir o número mínimo de assinaturas necessário para suscitar a inconstitucionalidade de algumas normas desse Orçamento junto do Tribunal Constitucional.

De acordo com Costa, a abstenção no Orçamento do Estado para 2012 foi mesmo "o momento capital" da atual direção do PS, comprometendo "a clareza da alternativa" face ao executivo PSD/CDS.

O secretário-geral do PS reagiu, advogando que o voto contra socialista face ao Orçamento para 2012 "teria sido uma enorme irresponsabilidade - irresponsabilidade que agora está expressa no pensamento de António Costa".

"O mais grave são os ziguezagues que tu fazes, porque nessa altura defendeste [na SIC-Notícias] a abstenção, apesar de teres ido à Comissão Política do PS votar contra. Em público dizes uma coisa e no partido disseste uma coisa diferente", acusou o líder socialista, dirigindo-se a Costa.

António Costa, porém, rejeitou ter caído em contradição, mantendo que sempre foi contra a abstenção no Orçamento de 2012 e que defendeu sim a estabilidade política em termos de regime, através de um acordo duradouro com o PSD.

Em relação aos governos de Sócrates, entre 2005 e 2011, o secretário-geral do PS alegou que não consegue mudar o passado, que esteve nos últimos três anos concentrado no futuro, mas que os últimos anos de governação socialista pesaram e tiveram ainda consequências no resultado obtido pelo PS nas eleições europeias deste ano.

Neste ponto, o presidente da Câmara de Lisboa considerou que um dos erros da atual direção do PS "foi nunca ter resolvido o seu problema com o passado - e o passado é algo que nunca desaparece".

"A razão pela qual o PS foi penalizado nas europeias foi porque o PS, ao longo destes três anos, não conseguiu afirmar um discurso alternativo. Durante estes três anos, o PS procurou distinguir-se do Governo simplesmente pelo ritmo e pela dose. Mas os portugueses não pedem nem menos ritmo ou dose, mas um caminho diferente e alternativo", contrapôs.

Seguro ripostou: "Respeitei a herança, que eu não criei, mas a qual tive de honrar".

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