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Escutas? "Tentativa de assassinato político e de caráter" contra Costa

Socialista recusa "coincidências" e aponta o dedo à Procuradoria-Geral da República.

Escutas? "Tentativa de assassinato político e de caráter" contra Costa
Notícias ao Minuto

23:02 - 19/06/24 por Carmen Guilherme

Política Ferro Rodrigues

Eduardo Ferro Rodrigues, antigo presidente da Assembleia da República, considerou, esta quarta-feira, que as fugas de informação no processo Influencer configuram um "atentado ao Estado de direito democrático", falando ainda numa "espécie de tentativa de assassinato político e de caráter" contra António Costa, numa altura "extremamente importante" para o ex-primeiro-ministro, que poderá ser escolhido para presidir ao Conselho Europeu.

Recorde-se que em causa está o facto de ter sido divulgada a transcrição de escutas em segredo de justiça a conversas telefónicas entre António Costa  e o então ministro das Infraestruturas, João Galamba. Estas fugas de informação levaram o Ministério Público (MP) a abrir uma investigação

"Eu penso que o que se passou nos últimos dias configura um autêntico atentado ao Estado de Direito democrático e configura também um irregular funcionamento de um dos pilares fundamentais da nossa Democracia, que é o sistema de Justiça e mais em particular da Procuradoria-Geral da República (PGR)", começou por afirmar Ferro Rodrigues, em entrevista à RTP3.

"Ainda por cima, não me parece que haja coincidências. Era um dia externamente importante para o primeiro-ministro anterior, António Costa, e para os interesses portugueses na União Europeia, foi o dia escolhido para haver uma espécie de tentativa - não bem sucedida, porque as pessoas já estão suficientemente vacinadas contra estes fenómenos - de assassinato politico e de assassinato de caráter", considerou, numa referência à presidência do Conselho Europeu. 

Interrogado sobre se há intenções políticas neste caso, o antigo presidente da Assembleia da República não teve dúvidas e voltou a apontar o dedo à PGR.

"Acho que todas estas questões são sempre questões basicamente políticas, inclusivamente o desfuncionamento gravíssimo da PGR configura uma gravíssima situação política", notou.

Referindo-se à investigação aberta pelo MP a esta fuga de informação, o socialista apelou a que a mesma seja "rápida", dando nota de que "muito pouca gente" poderá ter tido acesso a um processo que estava em segredo de justiça.

"É preciso que seja rápida essa investigação. Não me parece que seja um processo que deva ser muito longo. Quem é que tinha acesso àqueles dossiês todos e àquelas escutas?", interrogou. "É de esperar que as consequências sejam rápidas e fortes", defendeu.

"Foi, mais uma vez, um episódio desgraçado da nossa Democracia", completou.

Recorde-se que a investigação do MP visa as escutas divulgadas na terça-feira pela CNN Portugal, entre elas uma que apanha António Costa a ligar a João Galamba para ordenar a demissão da presidente executiva da TAP, por motivos políticos, depois da polémica indemnização de 500 mil euros à ex-administradora Alexandra Reis.

Foram ainda divulgadas fotografias que mostravam a forma como 75.800 euros em notas estavam escondidos na sala do Palácio de São Bento, onde trabalhava o então chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária, um dos cinco detidos no âmbito do processo Influencer, em novembro passado.

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