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Num mês, há "pouco mais do que a mudança de logótipo e muitas demissões"

Pedro Nuno Santos considerou que o Executivo da AD tem sido um "Governo de combate" e defendeu que as mais recentes exonerações deviam "ser assumidas e explicadas". Falou ainda sobre as Europeias, imigração e Justiça.

Num mês, há "pouco mais do que a mudança de logótipo e muitas demissões"
Notícias ao Minuto

21:43 - 06/05/24 por Carmen Guilherme

Política PS

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos, considerou, esta segunda-feira, que o atual Executivo da Aliança Democrática (AD) é um "Governo de combate", considerando que desde que tomou posse apresentou "pouco mais" do que uma "mudança de um logótipo" e "muitas demissões". 

"O Governo fez algumas coisas más. Na realidade, em 30 dias, não dá para resolver os problemas do país, nem é isso que se espera, mas esperava-se um sinal de esperança e de estabilidade", afirmou Pedro Nuno Santos, em entrevista à SIC e à SIC Notícias. 

"É um Governo de combate. Um Governo de combate contra o Governo anterior, contra aquilo que foi feito, um Governo de combate contra as oposições. Na realidade, chegámos ao fim de 30 dias com pouco mais do que a mudança de um logótipo e de muitas demissões, exonerações e pouco sinal de futuro e esperança", acrescentou.

Interrogado sobre se pretende ir rapidamente para o Governo, o líder socialista insistiu que o seu partido "não é uma força de bloqueio" e reiterou que quem lhe "parece querer eleições é o Governo que está em combate com toda a gente". 

"Nós não nos vamos anular, não vamos deixar de existir, de apresentar as nossas propostas, de nos batermos por elas. Faremos isso com um grande sentido de responsabilidade", afirmou.

Voltando a focar-se nas exonerações que foram feitas pelo Governo, Pedro Nuno Santos apontou que estas mudanças deviam "ser explicadas". 

"Se é preciso fazer mudanças nalguns setores da Administração Pública elas devem ser assumidas, explicadas, de forma cabal, e não foram. Não se percebeu ainda bem", disse, dando como exemplo a saída do diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e da provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

"A impressão que fica é de uma profunda instabilidade e desorientação", considerou.

Especificamente sobre as exonerações na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pedro Nuno Santos sublinhou ainda que o PS, enquanto Governo no passado, conviveu com provedores de outras áreas políticas, tal como Pedro Santana Lopes. "Tenho dificuldade em perceber de outra maneira", disse ao ser questionado sobre se entendeu estas exonerações como saneamento político.

"A forma como a Ana Jorge foi tratada não é a forma como se devem tratar pessoas que estão a dar de si ao Estado", afirmou. "Não fica bem a ninguém. Não fica bem à ministra, não fica bem ao Governo", acusou. 

Europeias? Marta Temido é "uma grande candidata, com provas dadas"

Quanto às Europeias que se aproximam, Pedro Nuno Santos considerou que são eleições "importantes" e assegurou:  "Nós queremos ganhar". 

"Não haja a menor dúvida sobre isso. Estamos entusiasmados, estamos mobilizados, para disputar as eleições Europeias e vencermos as eleições Europeias", disse, tecendo rasgados elogios à cabeça de lista do PS ao Parlamento Europeu. Para Pedro Nuno Santos, Marta Temido é "uma grande candidata, com provas dadas", nomeadamente na pandemia de Covid-19 enquanto ministra da Saúde. 

Ainda no mesmo tema, o líder socialista recusou ter menorizado o cabeça de lista da AD às Europeias, Sebastião Bugalho, ao referir-se às suas funções como comentador. "Eu não menorizei o candidato da AD. Eu puxo pela candidata do PS", disse, referindo ainda que não quer "perder muito tempo com o candidato da AD". 

Chega tem "um discurso fácil" sobre imigração, que não resolve "problema nenhum"

Sobre os ataques a imigrantes que aconteceram na madrugada de sexta-feira no Porto e sobre o facto de ter atribuído estes incidentes a um discurso crescente de extrema-direita, que potencia este tipo de situações, Pedro Nuno Santos frisou que "a extrema-direita em geral tem um discurso que promove o ódio, a divisão e o ressentimento". "O Chega também tem esse discurso", admitiu, referindo que este tipo de caso só merece "condenação inequívoca".

"Não ignoramos que a imigração é um fenómeno a que é preciso acompanhar e dar resposta. Atacar, combater as redes de tráfico ilegal de seres humanos, a exploração de trabalhadores estrangeiros, conseguirmos que o Estado social responda a quem procura Portugal para viver e trabalhar sem prejudicar aqueles que já cá viviam, mas resposta não é o ódio e apontar o dedo. Isso não", destacou.

Para o líder socialista, o Chega tem "um discurso fácil", que não resolve "problema nenhum". "Antes pelo contrário, cria ódio e divisão na sociedade portuguesa. Essa não é a forma de lidarmos com este fenómenos. Vários setores económicos no país paravam se não fossem os imigrantes", notou.

"Todos nós somos avaliados. A Justiça também deve ser passível de ser discutida"

Interrogado sobre a Procuradora-Geral da República, Lucília Gago, Pedro Nuno Santos defendeu que esta deve ser ouvida no Parlamento, não sobre casos concretos, mas sobre a atividade do Ministério Público.

"Todos nós somos avaliados e devemos ser todos avaliados. Por isso, a Justiça também deve ser passível de ser discutida, a atuação do Ministério Público também e acho que nós não devemos ter nenhum dogma sobre isso, nem os políticos devem ter receio de fazer esse debate com medo de ser acusados de estar a interferir. Não é interferir", rematou, realçando que este é um "debate deve ser feito na sociedade portuguesa".

Sobre se Lucília Gago se deveria demitir, o socialista disse: "Não é necessário dizer o que quer que seja porque a Procuradora já disse que não queria continuar em funções".

Professores? "Disponibilizamo-nos para construir uma maioria com o Governo que permita viabilizar as negociações"

As negociações com os professores também foram tema nesta entrevista. Pedro Nuno Santos sublinhou que o importante é que o Governo consiga chegar a um acordo com estes e com outros profissionais com quem se está a reunir e voltou a destacar o papel de "responsabilidade" do PS.

"Mais uma vez uma amostra de que nós não somos uma força de bloqueio, mas sim de responsabilidade porque nós disponibilizamo-nos para construir uma maioria com o Governo que permita viabilizar as negociações que concluírem com os sindicatos", completou.

[Notícia atualizada às 00h00]

Leia Também: Pedro Nuno esclarece polémica: "As campanhas não se fazem só nos debates"

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