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Lítio. BE no pulmão da Argemela que a população teme que vire cemitério

O desespero da população que se sente a gritar no deserto sem que ninguém ouça mereceu hoje a atenção de Mariana Mortágua, numa luta contra transformar o "pulmão da Serra da Argemela num cemitério" com a mineração de lítio.

Lítio. BE no pulmão da Argemela que a população teme que vire cemitério
Notícias ao Minuto

17:30 - 02/03/24 por Lusa

Política Eleições

A caravana do BE começou hoje o dia na freguesia de Barco, concelho da Covilhã, para cumprir uma promessa da líder do partido: dar voz, em plena campanha eleitoral, à população e às associações que lutam contra a mineração de lítio a céu aberto naquela região.

De cravo vermelho ao peito, Mortágua foi recebida em frente ao edifício da Junta por um conjunto de populares que envergavam bandeiras e cartazes pretos, nos quais se podia ler "Lítio é mentira. Morte na Argemela não" ou "Argemela crime ambiental".

Foi precisamente no primeiro piso do edifício, uma sala fria, mas com vista para a Serra de Argemela, que a líder do BE ouviu atentamente as queixas de quem quis falar e mostrar o seu desagrado e desespero com o projeto de mineração do lítio.

"Estas populações sentem-se a gritar no deserto e ninguém nos ouve. É desesperante", lamentou um dos presentes.

Mas não foi só o desespero que tomou conta da voz desta população. Também a emoção de uma senhora que envergou durante todo um tempo um cartaz e no final, de lágrimas nos olhos e apontando para a janela de onde se via a serra, disse a Mariana Mortágua: "É o nosso pulmão e vai ficar a ser o nosso cemitério".

A conversa fluiu sem uma ordem específica, as pessoas foram intervindo, tendo a principal parte da explicação sido dada por Gabriela Margarido, do Grupo de Preservação pela Serra da Argemela, que criticou uma legislação "feita à medida" e apelou ao bom senso dos decisores políticos.

As vozes levantaram-se contra um "poder político de joelhos perante o poder económico" e questionaram "que progresso é este".

Também o presidente da Junta, o anfitrião do encontro, falou das "preocupações transversais à população" e lamentou o sentimento de incompetência e impotência pelo facto de o poder local estar à margem de todo o processo, sem que ninguém tenha vindo junto da população "tentar explicar e acalmar".

De pé, um senhor fez surgir a voz e avisou que não ia ser "politicamente correto" e com um 'mea culpa' por também contribuir para a votação expressiva no PS, que nas últimas legislativas teve nesta freguesia mais de 50% dos votos.

"É altura de dizer não ao PS", apelou, perante o olhar atento de Mortágua.

Depois de ouvir, a líder do BE tomou a palavra e não esqueceu a "forma como todo o processo do lítio aconteceu", com "leis à medida" e "empresas feitas na véspera", o outro lado de uma história que lamentou.

"Desafiamos todos os partidos a que se pronunciem sobre a mineração a céu aberto", pediu ainda.

A esperança de Mortágua é que, com a comunicação social em peso que acompanha a campanha do BE, hoje seja o dia em que o país "fique a conhecer o crime que está em curso na serra da Argemela".

Leia Também: BE entre subscritores de carta aberta para suspender venda de armas

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