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AD criticada por declarações, mas Montenegro diz que é quem define o rumo

A campanha eleitoral ficou hoje marcada pela crítica de vários partidos à AD devido às declarações do cabeça de lista por Santarém sobre alterações climáticas, com Luís Montenegro a responder que é ele quem define o rumo da coligação.

AD criticada por declarações, mas Montenegro diz que é quem define o rumo
Notícias ao Minuto

18:31 - 01/03/24 por Lusa

Política Eleições

Em causa esteve a intervenção num comício, na quinta-feira, do candidato da Aliança Democrática (AD) por Santarém, Eduardo Oliveira e Sousa, afirmando que há investimento perdido em Portugal por "falsas razões climáticas" e alertando que "não faltará muito para que sejam formadas milícias armadas" para enfrentar "os roubos nos campos".

Eduardo Oliveira e Sousa foi presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal e encabeça, como independente, a lista por Santarém da coligação que junta PSD, CDS-PP e PPM às legislativas antecipadas de 10 de março.

Estas declarações mereceram a discórdia de vários líderes partidários, caso do secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, que acusou a AD de ter entre os seus responsáveis negacionistas das alterações climáticas e de representar um "projeto de regresso ao passado" e de divisão entre os portugueses.

Confrontado na Guarda com esta nova polémica, o presidente do PSD, Luís Montenegro, desvalorizou as diferenças de opinião dentro da AD, afirmando que ser ele quem define o rumo da coligação e que "não há nenhuma dúvida" do comprometimento que a aliança que lidera tem com o clima e com o ambiente.

"Evidentemente que, sendo uma campanha de uma grande força, que congrega três partidos, cidadãos independentes, candidaturas fortes em todos os círculos eleitorais, atrai pessoas que não pensam 100% todas de forma igual", referiu o líder social-democrata.

As críticas mais contundentes surgiram à esquerda, com a coordenadora do BE, Mariana Mortágua, a considerar que Montenegro tem sentido a necessidade de esconder candidatos que trazem para a AD "ideias que pertencem ao Chega".

O secretário-geral do PCP ridicularizou a posição do cabeça de lista da AD por Santarém, acusando-o de querer recuar "até ao tempo dos dinossauros", enquanto Inês Sousa Real, do PAN, lamentou que Montenegro esteja a "dar a mão ao conservadorismo", acusando a coligação de ignorar o respeito pela vida animal e as alterações climáticas.

Já à direita, o presidente da IL, Rui Rocha, salientou que algumas declarações feitas na campanha mostram que "ainda há alguma resistência" a um país de futuro, enquanto o líder do Chega, André Ventura, escusou-se a comentar a posição de Eduardo Oliveira e Sousa, remetendo declarações para mais tarde.

O sexto dia de campanha ficou ainda marcado pelo esforço de vários candidatos no apelo ao voto, face à incerteza sobre os cenários de governabilidade que sairão das eleições do dia 10 deste mês, evidenciada por várias sondagens nos últimos dias.

Um destes apelos veio do presidente do PSD, que pediu aos eleitores para que se mobilizem até 10 de março para darem, não apenas uma vitória à AD, mas também as "condições de estabilidade e governabilidade" a um executivo que possa vir a liderar.

Já Pedro Nuno Santos procurou hoje, na Covilhã, convencer os indecisos que, segundo as sondagens, podem rondar os 20%, contrapondo o "projeto de futuro" do PS com o "passo atrás" que considerou que representa a AD de Luís Montenegro.

Estes indecisos foram também o alvo do presidente dos liberais, Rui Rocha, que pediu a quem ainda não decidiu em quem votar para apanhar uma "viagem a bordo da IL" rumo a "futuro melhor", durante uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa.

Rui Tavares, porta-voz do Livre, avisou que "roubar votos entre partidos à esquerda não faz a esquerda crescer" nas eleições, reiterando que o Livre está "no mesmo lugar" em que sempre esteve.

"O Livre é parte da solução numa maioria à esquerda. Se houver uma maioria à direita ou um Governo de direita, o Livre é parte da oposição", reiterou Tavares, depois de, na quinta-feira, ter admitido dialogar com a direita, mas apenas sobre assuntos relacionados com "saúde da democracia".

Mais de 10,8 milhões de portugueses são chamados a votar em 10 de março para eleger 230 deputados à Assembleia da República.

A estas eleições concorrem 18 forças políticas, 15 partidos e três coligações.

Leia Também: ADN recusa confusão com AD e garante que portugueses "não são burros"

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