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Sampaio da Nóvoa assume "revolta" contra "forças antidemocráticas"

O conselheiro de Estado António Sampaio da Nóvoa insurgiu-se hoje contra a ameaça de "forças antidemocráticas" e apelou a um "novo contrato social" no respeito pelos direitos humanos, sublinhando o impacto positivo da imigração para o futuro do país.

Sampaio da Nóvoa assume "revolta" contra "forças antidemocráticas"
Notícias ao Minuto

19:17 - 29/02/24 por Lusa

Política Sampaio da Nóvoa

Num discurso realizado numa sessão pública intitulada 'Abril: Democracia, Liberdade, Cultura', na Casa do Alentejo, em Lisboa, o ex-candidato à Presidência da República defendeu a adoção de "políticas libertadoras que enfrentem os problemas do presente, mas que libertem o futuro", enfatizando a necessidade de "coragem" da sociedade portuguesa.

"Cultivo a moderação, o incómodo, o diálogo entre pessoas e grupos que pensam de forma diferente, mas sinto uma revolta dentro de mim contra as forças antidemocráticas e as tendências que nos arrastam para o ódio e novas formas de 'apartheid'. Isso não, isso nunca", declarou, acrescentando: "Gostaria de ser um elo de união e não de divisão dos portugueses. Quero estar no meio dos portugueses, dos seus dilemas, dos seus futuros".

Numa intervenção efetuada no âmbito da campanha eleitoral da CDU para as legislativas de 10 de março, Sampaio da Nóvoa criticou a "repetição dos mesmos temas e ideias" no debate político, ao apontar uma caminhada alegre "para o abismo" e sem compreender a complexidade dos problemas atuais. Por isso, pediu "novas formas de fazer política", descrevendo a coragem não pelas "lutas do passado, mas nas lutas pelo futuro".

"Estamos numa encruzilhada. E desconfiamos que a vida dos nossos filhos talvez não seja melhor do que a nossa. Esta dúvida é fatal, é dela que se alimentam grupos radicais e é mesmo o grande problema do nosso tempo. Podemos estar à beira de uma fragmentação dramática da nossa sociedade. Obriga-nos a agir de outro modo. Os esquemas mentais do passado já não nos servem. Precisamos da ousadia e da criatividade de uma ação diferente", alertou.

Indicando os direitos humanos como a "grande fronteira" da sociedade, o conselheiro de Estado enumerou entre os "novos direitos" os direitos da terra, criticando as propostas "sem rasgo ou ambição" perante as alterações climáticas.

Abordou também os direitos do digital, em que denunciou o poder de "oligopólios digitais" - a partir dos quais "as fraturas dos 'Trumps', dos 'Bolsonaros' e dos seus aprendizes cresceram nestas brechas" - e defendeu o digital como "um bem público", além de frisar a importância dos direitos dos migrantes, deixando recados à associação entre imigração e insegurança, um tema abordado pelo ex-primeiro-ministro Passos Coelho nesta campanha.

"Afinal, a globalização é só dos bens e dos mercados? Não é das culturas? E vivemos em paz com a vergonha da indiferença perante as mortes no Mediterrâneo? E quando se diz é para falar da insegurança? Será que não percebemos que o nosso país esta a mudar rapidamente? E ainda bem", resumiu, continuando: "Será que não percebemos que precisamos de um novo contrato social? Porque a solidariedade não é facultativa, é um dever".

Sampaio da Nóvoa advogou ainda os direitos das diversidades e o "princípio de uma sociedade convivial"; os novos direitos do trabalho, nos quais pediu para se pensar o trabalho de forma diferente, "mas sem nunca pôr em causa a dignidade do trabalho e dos trabalhadores"; e, finalmente, os direitos de todas as idades, área em que destacou as "mudanças radicais" provocadas pelo aumento da esperança média de vida.

"Espanta-me a quase ausência ou fraca presença destes temas no debate político, fala-se sempre das mesmas coisas, ignorando o mundo à nossa volta. Parecemos cegos. A cultura que aqui nos reúne não serve para entreter, serve para criar, pensar, acordar e nos ajudar a ver o que ainda não vemos. Hoje, mais do que nunca, o que me interessa são os direitos humanos", finalizou.

Mais de 10,8 milhões de portugueses são chamados a votar em 10 de março para eleger 230 deputados à Assembleia da República.

A estas eleições concorrem 18 forças políticas, 15 partidos e três coligações.

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