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Rangel responsabiliza Costa pela "crise" e pede explicações políticas

O vice-presidente do PSD, Paulo Rangel, responsabilizou hoje o primeiro-ministro pela crise política resultante da sua demissão e desafiou-o a dar explicações políticas aos portugueses sobre a escolha do seu ex-chefe de gabinete.

Rangel responsabiliza Costa pela "crise" e pede explicações políticas
Notícias ao Minuto

16:48 - 11/12/23 por Lusa

Política Crise política

"Quem apresentou a demissão foi o primeiro-ministro. Portanto, a crise foi criada pelo primeiro-ministro e também, em última análise, pelas escolhas que ele fez", afirmou o dirigente social-democrata à agência Lusa, em Estrasburgo.

Paulo Rangel reagiu assim às declarações de hoje de António Costa à CNN/Portugal sobre o seu envolvimento no inquérito judicial que conduziu à sua demissão do cargo de primeiro-ministro no dia 07 de novembro.

Nessas declarações, António Costa reiterou que hoje teria feito exatamente o mesmo, optando pela sua demissão, e sugeriu que a mesma pergunta fosse feita à procuradora-geral da República e a Marcelo Rebelo de Sousa.

"O que se pode é perguntar a quem fez o comunicado, a quem tomou a decisão posterior de dissolver a Assembleia da República, se fariam o mesmo perante aquilo que sabem hoje", disse o chefe do executivo.

Segundo o vice-presidente do PSD, estas declarações "causam grande perplexidade e geram preocupação", alegando que representam uma tentativa de condicionar a justiça, uma crítica também já expressa pelo líder social-democrata, Luís Montenegro.

Depois de salientar que a questão judicial deve ser deixada para os tribunais, Paulo Rangel considerou que o primeiro-ministro continua sem dar explicações políticas sobre este caso aos portugueses.

"Há uma coisa que é preciso explicar. O senhor primeiro-ministro nomearia o mesmo chefe de gabinete se soubesse o que sabe hoje?", questionou o também eurodeputado, para quem as escolhas de António Costa para o seu círculo de decisão mais próximo também o responsabilizam.

"Sinceramente acho que o primeiro-ministro deve uma explicação política. Deixemos a justiça funcionar, mas na política ele tem de explicar porque fez estas escolhas, porque tiveram implicações neste caso e foram elas que o levaram à demissão", alegou.

De acordo com Rangel, para prestar essas explicações, António Costa não precisa de ir ao parlamento, bastando "responder numa entrevista ou numa conferência de imprensa".

"Em qualquer país do mundo democrático, se o chefe do gabinete do primeiro-ministro fosse encontrado com uma quantia em dinheiro vivo tão avultada, no gabinete oficial, isso levaria à demissão do primeiro-ministro. Não tem nada a ver com comunicados", sustentou o vice-presidente social-democrata.

No dia 07 de novembro, pela primeira vez na história da democracia portuguesa, houve buscas na residência oficial do primeiro-ministro, concretamente na sala de trabalho do ex-chefe de gabinete Vítor Escária, no âmbito de uma investigação judicial sobre a instalação de um centro de dados em Sines e negócios de lítio e hidrogénio.

Horas depois, um comunicado da Procuradoria-Geral da República informou, no último parágrafo, que o primeiro-ministro era alvo de um inquérito autónomo instaurado no Supremo Tribunal de Justiça a partir dessa investigação.

Numa comunicação ao país, António Costa, declarou-se de "cabeça erguida" e "consciência tranquila", mas defendeu que "a dignidade das funções de primeiro-ministro não é compatível com qualquer suspeição sobre a sua integridade, a sua boa conduta e, menos ainda, com a suspeita da prática de qualquer ato criminal".

Já depois da demissão do primeiro-ministro soube-se que, nas buscas realizadas ao gabinete de Vítor Escária, foram encontrados mais de 75 mil euros em numerário, o que levou o líder do executivo, numa segunda comunicação ao país, a afirmar que estava envergonhado e a pedir desculpa aos portugueses.

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