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PCP lembra Manuel Gusmão. "Dos mais distintos intelectuais portugueses"

O Partido Comunista Português (PCP) lamentou hoje a morte do poeta e ensaísta Manuel Gusmão, lembrando a ligação de mais de 50 anos ao partido de um "dos mais distintos intelectuais portugueses".

PCP lembra Manuel Gusmão. "Dos mais distintos intelectuais portugueses"
Notícias ao Minuto

21:15 - 09/11/23 por Lusa

Política Manuel Gusmão

Numa nota de pesar, o secretariado do Comité Central do PCP sublinhou os mais de 50 anos de ligação ao partido do "destacado intelectual comunista" e recordou "uma obra de grande vulto no panorama literário e académico" que torna Manuel Gusmão um "dos mais distintos intelectuais portugueses".

O PCP lembrou que Manuel Gusmão, que morreu hoje em Lisboa, aos 77 anos, foi distinguido em 2019 pelo Estado português com a Medalha de Mérito Cultural.

"Referiu então que a distinção era um 'reconhecimento' da sua 'militância cultural', que se funde com a sua 'militância política'", sublinharam os comunistas.

O partido realçou que o contributo de Manuel Gusmão "enquanto intelectual para a sociedade em que viveu foi muito para lá da estrita criação artística".

"A dimensão histórica, filosófica e política do seu pensamento contribuiu indelevelmente para a interpretação do tempo em que vivemos e para a compreensão histórica do papel dos trabalhadores, dos explorados, dos oprimidos, para a construção do seu devir coletivo. Manuel Gusmão foi um intelectual comprometido com o seu povo e com o seu tempo, matérias que davam corpo ao seu pensamento e à sua obra", apontou ainda.

O PCP lembrou que Manuel Gusmão foi militante do partido desde maio de 1974, mas com "ligação regular e direta" desde 1971, tendo participado "na luta contra o regime fascista, apoiando tarefas do Partido, tendo tido em sua casa um funcionário clandestino do Partido a viver durante 8 meses e desenvolvendo atividade junto dos professores na CDE".

"Após o 25 de Abril a sua integração e intervenção partidária fez-se com grande intensidade", realçou ainda.

Nascido em Évora, no dia 11 de dezembro de 1945, Manuel Mendes Nobre de Gusmão licenciou-se em Filologia Românica, em 1970, pela Universidade de Lisboa, com uma tese sobre "Fausto", de Fernando Pessoa, e doutorou-se em Literatura Francesa, com outra sobre a poética de Francis Ponge, em 1987, de quem traduziu também vários poemas para língua portuguesa.

Manuel Gusmão foi politicamente ativo desde os tempos universitários, tendo sido membro do Comité Central do Partido Comunista Português, deputado à Assembleia Constituinte (1975/1976), membro do Conselho da Comunicação Social e, em 2004, mandatário ao Parlamento Europeu.

Dirigiu a revista a revista Caderno Vermelho, do Setor Intelectual da Organização Regional de Lisboa do PCP, desde o primeiro número, em 1996.

Ao longo da sua carreira recebeu o Prémio do P.E.N. Clube Português para Melhor Obra de Poesia, em 1997, com 'Mapas, o Assombro e Sombra', o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava relativos a 2001, com "Teatros do Tempo", entre muitos outros.

Em 2004, recebeu o Prémio D. Diniz da Casa de Mateus e, em 2005, o Prémio Vergílio Ferreira da Universidade de Évora.

Em 2011 recebeu o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, por 'Tatuagem e Palimpsesto: da Poesia em Alguns Poetas e Poemas', e em 2014 o Prémio de Poesia António Gedeão, pelo 'Pequeno Tratado das Figuras'.

Em 2019, foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural como reconhecimento do Governo português pelo "inestimável trabalho de uma vida dedicada à produção literária e à poesia, difundindo amplamente, em Portugal e no estrangeiro, a Língua e a Cultura portuguesas, ao longo de mais de cinquenta anos".

Durante o seu percurso académico, Manuel Gusmão deu cursos, conferências ou ciclos de conferências, sobre cultura, literatura portuguesa ou literatura francesa nas Universidades de Colónia, Lovaina, Bolonha, Paris III, Veneza, Autónoma de Barcelona e, no Rio de Janeiro, na Universidade Federal e na Pontífica Universidade Católica.

Entre as obras que publicou, contam-se os ensaios 'A Poesia de Carlos de Oliveira' e 'A Poesia de Alberto Caeiro', e as obras poéticas 'Dois Sois, A Rosa - A Arquitetura do Mundo', 'Mapas: o Assombro e a Sombra', 'Teatros do Tempo (1994-2000)', 'Os Dias Levantados', 'Migrações do Fogo', 'Mapas o Assombro a Sombra', 'A Terceira Mão' e 'Pequeno Tratado das Figuras'.

Manuel Gusmão era pai do economista José Gusmão, deputado do Parlamento Europeu eleito pelo Bloco de Esquerda em 2019, e foi casado com a sindicalista e ex-dirigente da CGTP-Intersindical Isabel Figueiredo (1943-2023), que morreu no passado mês de janeiro.

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