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Críticas ao BCE? "Governos têm de se adaptar. A política é uma, do Euro"

A social-democrata falou sobre as críticas deixadas pelo chefe de Governo, António Costa, ao Banco Central Europeu, referindo ainda que é "inaceitável" que o Executivo fale de medidas que têm de ser tomadas em relação ao controlo da inflação como se fossem "surpresa".

Críticas ao BCE? "Governos têm de se adaptar. A política é uma, do Euro"

A antiga líder do Partido Social Democrata (PSD) Manuela Ferreira Leite falou, na quinta-feira, sobre a singularidade da moeda na Zona Euro, assim como da posição dos governos em relação às medidas tomadas pelo Banco Central Europeu (BCE) à luz da crise inflacionista - e dado que o primeiro-ministro, António Costa, acusou a instituição de “não compreender a natureza específica do ciclo inflacionista” que se regista, que “limita muito a capacidade de a enfrentar”.

“Acho que há pouca clareza no que respeita à política monetária. Isto é, ao Banco Central Europeu compete a política monetária e o seu principal objetivo é controlar a inflação – os preços. É esse o mandato que tem”, referiu a ex-ministra das Finanças durante o programa ‘Crossfire’, emitido pela CNN Portugal.

Ferreira Leite notou ainda que esta “tarefa” do BCE é “absolutamente independente dos governos” e acrescentou: “Os governos vão ter de se adaptar às decisões tomadas pelo Banco Central Europeu, que tem essa missão de controlo”.

A comentadora notou ainda que “estamos na moeda única” e que, por isso, “a política é uma para o Euro”.

Recordando a altura em que o Reino Unido pertencia à União Europeia (UE), Ferreira Leite apontou que existiam essas diferentes políticas antes de o país sair, em janeiro de 2020. “Fazia a sua política de acordo com o banco central que controlava a libra”. “E assim é nos países, consoantes as moedas”, rematou.

“Não consigo entender como é que se pode esperar que haja uma instituição que consiga ter um determinado tipo de objetivo em relação ao controlo dos preços e que, simultaneamente, seja possível ajustar essa política aos interesses, necessidades e requisitos de cada um dos países. A política é uma. É do Euro”, afirmou.

Questionada sobre se em relação às medidas no âmbito da crise inflacionista quem estava a fazer uma má interpretação era Costa, Ferreira Leite generalizou.

“Não tenho dúvidas nenhumas que qualquer governo ou primeiro-ministro responsável pelo governo fica mais tranquila se as taxas foram zero, ou nulas, do que se forem mais elevadas”, respondeu, acrescentando que, no entanto, o executivo tem obrigação de prever situações como esta.

A social-democrata classificou ainda como “inaceitável” em relação ao governo, nomeadamente, “falar das medidas que têm de ser tomadas em relação ao controlo da inflação como se fosse uma surpresa”.

“Como se o caminho tivesse que olhar para um cantinho à beira mar plantado para ter uma política especial. O primeiro-ministro sabe que isso não é assim. Estava cansado de saber que a inflação não era compatível com taxas de juro zero durante muito mais tempo. Toda a gente sabia isso. Aquilo que tinha de fazer era adaptar-se e tomar as medidas necessárias para que enfrentássemos uma situação diferente”, descreveu, acrescentando ainda que “um dos beneficiários desta medida” está a ser o Executivo.

“Devia utilizar essa receita de uma forma diversa para poder compensar, de alguma forma, os custos para que o aumento das taxas de juro têm para as pessoas”, concluiu Manuela Ferreira Leite.

Leia Também: Inflação? "Não tem havido a suficiente compreensão por parte do BCE"

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