Meteorologia

  • 21 JULHO 2024
Tempo
23º
MIN 17º MÁX 25º

Jorge Costa defende "clareza de posições" do BE, do OE2022 à Ucrânia

O dirigente Jorge Costa defendeu hoje a "clareza de posições" do BE, como no 'chumbo' do orçamento do Estado em 2022 ou no posicionamento face à guerra da Ucrânia, distanciando-se de outras forças à esquerda.

Jorge Costa defende "clareza de posições" do BE, do OE2022 à Ucrânia
Notícias ao Minuto

19:45 - 27/05/23 por Lusa

Política Bloco de Esquerda

Numa intervenção na XIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, que decorre hoje e domingo no pavilhão do Casal Vistoso, o dirigente do 'núcleo duro' da direção do partido salientou três momentos nos últimos dois anos em que a esquerda "foi posta à prova".

O primeiro foi o 'chumbo' do Orçamento do Estado para 2022 no qual o partido teve que se definir "perante a chantagem do PS", insistindo que António Costa "queria eleições".

"O nosso mandato era usar a nossa influência para políticas de transformação, e quem deixa para trás o seu mandato pode sair vivo mas sai irrelevante. Enfrentámos a prova, saímos derrotados, mas não saímos irrelevantes, saímos inteiros e capazes de lutar", destacou.

O segundo momento, continuou, foi a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Jorge Costa salientou que a solidariedade com o povo ucraniano poderia parecer óbvia, mas "não era", apontando que "uma grande parte da esquerda internacional ficou na ambiguidade ou até alinhou mesmo com a operação especial de Moscovo".

"Dizem-nos, e com razão, que esta é uma guerra complexa -- há muitos anos que a NATO pressiona a Rússia e são conhecidos os abusos cometidos a partir de Kiev -- mas, camaradas, não se pode enfrentar a complexidade se esquecermos o que é simples: primeira, não é por ser hostil aos Estados Unidos da América que um regime como o de [Vladimir] Putin deixa de ser imperialista ou passa a ser anti-imperialista", defendeu.

Além disto, sublinhou, "respeitar o direito a autodeterminação é denunciar o invasor e apoiar o invadido, seja no Saara Ocidental, em Timor, em Gaza ou na Ucrânia", vincando que "o direito à autodeterminação é do povo, por muito reacionárias que possam ser as suas alianças ou as suas lideranças".

O BE, segundo Jorge Costa, "não tem saudades dos velhos blocos militares, mesmo que agora se apresentem como o mundo multipolar".

O terceiro momento no qual a esquerda "foi posta à prova", segundo o dirigente do secretariado do partido, foi a manifestação dos professores em janeiro na qual, disse, o BE "foi o único partido parlamentar que esteve presente".

"O sectarismo nunca foi tão profundo e o nosso contraste com ele nunca foi tão distintivo", afirmou, acrescentando que nos últimos dois anos a estratégia do partido foi a autonomia política.

"Rompemos com a chantagem porque não desistimos do SNS e do trabalho, rompemos com alinhamentos guerreiros, porque a esquerda é o internacionalismo dos povos, rompemos com o sectarismo em nome da unidade das lutas. Não houve outro partido na esquerda com esta clareza de posições. O nosso percurso fez-nos mais fortes, a nossa credibilidade é um bem raro e precioso", sublinhou.

Momentos antes, o ex-deputado Moisés Ferreira defendeu que o BE tem de "vencer o PS, não convencer o PS", constituindo-se como uma alternativa ao Governo socialista.

"O Governo do PS é a crise do país, é a sua crise interna, isso está exposto à exaustão", afirmou.

Na sua opinião, é obrigação do BE construir "uma alternativa à direita e ao PS e ao seu Governo, alternativa àqueles que perante a crise salvam o mercado e condenam o país".

Por seu lado, o aderente Bruno Candeias, subscritor de uma plataforma política local, criticou "a opção de excluir minorias [da convenção], com o aumento do número mínimo de subscritores de moções".

Ana Sofia Ligeiro, que deixa a Mesa Nacional nesta convenção, não figurando em nenhuma das listas, também criticou o que considerou ser "uma opção" que "aprofunda uma trajetória de esmagamento imposta por maiorias que bloqueiam o partido".

Segundo esta delegada, a direção cessante "desvaloriza órgãos de eleitos" e "subestima a participação militante".

Tal como já tinha afirmado Pedro Soares, porta-voz da moção E, Ana Sofia Ligeiro disse que a "esmagadora maioria" dos delegados foi eleita por "uma esmagadora minoria de aderentes do partido".

Os "órgãos estão enviesados na sua representatividade", acusou, lamentando que o organização da XIII Convenção "tenha decidido não informar quantos aderentes votaram e onde".

Leia Também: BE. Comissão vai poder propor candidatos a legislativas e regionais

Recomendados para si

;
Campo obrigatório