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Previsões de crescimento económico? Há "motivos para estar deprimido"

Ferreira Leite alertou que, no campo dos investimentos, o país acabou por decrescer, já que a evolução verificada não foi "suficiente sequer para recompor a deterioração do investimento existente".

Previsões de crescimento económico? Há "motivos para estar deprimido"

A antiga líder do Partido Social Democrata (PSD), Manuela Ferreira Leite, considerou, esta quinta-feira, que as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o crescimento da economia portuguesa oferecem "motivos para estar deprimido e não entusiasmado", tendo em conta a conjetura verificada em 2022.

"Acho que há motivos para estar deprimido e não entusiasmado. O FMI está a fazer previsões e, portanto, não vou falar de previsões, porque de anúncios e de estimativas para o futuro estamos nós todos fartos de ouvir. O que interessa é o que tem acontecido e que, portanto, faz caminho para que a previsão seja mais ou menos correta", começou por salientar Ferreira Leite, no seu habitual espaço de comentário na CNN Portugal.

A antiga ministra das Finanças sublinhou, por isso, a análise feita pelo Conselho das Finanças Públicas sobre o ano de 2022 que, a seu ver, se mostrou "altamente preocupante e deprimente".

"O crescimento que se verificou é melhor do que não crescer, é evidente, mas enquanto não tivermos perspetivas, caminhos ou políticas que nos apontem para termos um crescimento na ordem do 3 ou 4%, vamos continuar a empobrecer, relativamente a todos os outros países", equacionou.

A comentadora foi taxativa: "Quando temos 1 vírgula qualquer coisa e ficamos todos muito satisfeitos porque crescemos, bom, era melhor que não crescemos. É um crescimento que não me empolga", atirou.

Ferreira Leite alertou ainda que, no campo dos investimentos, o país acabou por decrescer, já que a evolução verificada não foi "suficiente sequer para recompor a deterioração do investimento existente".

"Quando se faz um investimento temos de, por um lado, investir alguma coisa para o manter, porque senão deteriora-se, e investir mais além disso. O que se percebe é que aquilo que é o investimento na sua totalidade efetivamente cresceu, mas não foi o suficiente sequer para recompor a deterioração do investimento existente. Ou seja, em termos de formação bruta, decrescemos", complementou, indicando que "não podemos enriquecer ou crescer numa situação destas".

A antiga presidente do PSD atentou ainda para as declarações da comissária europeia Elisa Ferreira, "que alertou para o facto de que não interessa tanto gastar-se o dinheiro", mas sim "como é que a aplicação desse dinheiro aumenta ou não o valor do país".

"Já se viu que não aumentou", disse, rematando que, "se continuarmos com uma política assim, é difícil imaginar para onde é que caminhamos".

De notar que o FMI prevê um crescimento da economia portuguesa de 2,6% este ano e uma estabilização em torno dos 2% no médio prazo, apontando para uma inflação de 5,6% em 2023, segundo o relatório divulgado no dia 9 de maio.

Já a 11 de abril, na atualização das previsões económicas mundiais, o FMI tinha apontado para um crescimento do PIB de 1% da economia portuguesa este ano, prevendo que a taxa de inflação fosse de 5,7%. Por seu turno, o Governo prevê um crescimento de 1,8% em 2023.

Leia Também: Economia portuguesa crescerá 2,6% este ano, prevê o FMI (e a inflação?)

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