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Afastar Rússia da OSCE? "Não vai ajudar em nada à resolução do conflito"

Afastar a Rússia da participação em plataformas internacionais como a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) não ajuda na resolução do conflito, defendeu hoje André Coelho Lima, social-democrata, deputado na assembleia deste organismo.

Afastar Rússia da OSCE? "Não vai ajudar em nada à resolução do conflito"
Notícias ao Minuto

22:48 - 03/02/23 por Lusa

Política André Coelho Lima

"Aquilo que me parece, é que é preciso fazer alguma coisa para terminar o conflito na Ucrânia, que é uma invasão clara da Rússia. Mas mais do que ter uma posição para parecer bem, aquilo que importa é ter uma posição que possa eventualmente ter um sentido positivo", referiu André Coelho Lima.

O deputado social-democrata respondia desta forma à agência Lusa, depois de questionado sobre se subscreveu a carta de deputados de 20 países da OSCE a exigir que a Áustria impeça a delegação russa de participar na reunião da assembleia parlamentar da organização, agendada para este mês em Viena.

André Coelho Lima adiantou que não subscreveu esta carta, mas acrescentou que a delegação portuguesa, composta por seis deputados, quatro do Partido Socialista e dois do PSD, não tomou uma posição de conjunto sobre este tema, optando por decidir individualmente.

Para o social-democrata, afastar a Rússia "não vai ajudar em nada à resolução do conflito na Ucrânia".

"Estar a Rússia ou manter a Rússia vai ajudar a resolução do conflito? Não sei se vai, mas com certeza que se for ajudará mais estando a Rússia presente, do que não estando", analisou.

O deputado português deu ainda o exemplo das Nações Unidas, onde a Rússia continua a participar, sem se questionar a sua presença.

André Coelho Lima vincou também que, sem pretender "ser exagerado", esta plataforma pode contribuir melhor para a resolução do conflito possibilitando "o diálogo, incluindo entre Ucrânia e Rússia, do que não possibilitando esse diálogo".

"É mais importante as partes beligerantes dialogarem do que não dialogarem? Isto parece-me claro", realçou ainda.

A capital austríaca vai acolher uma reunião da assembleia parlamentar da OSCE (que reúne os representantes dos parlamentos nacionais de cada país membro) entre 23 e 24 de fevereiro, à qual a Rússia anunciou que vai enviar uma delegação de 10 pessoas.

A reunião do órgão da organização coincide com o primeiro aniversário da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022.

Segundo avançou na quinta-feira o jornal austríaco Die Press e a agência de notícias francesa AFP, 81 deputados de 20 países da organização europeia pediram, em carta enviada ao governo e ao parlamento austríaco, e a não concessão de vistos aos delegados russos.

Na carta, os deputados garantem que a participação da Rússia numa reunião que coincide com o primeiro aniversário da "invasão criminosa" da Ucrânia pode ser considerada "uma provocação".

O ministro dos Negócios Estrangeiros austríaco garantiu hoje que o país vai autorizar a entrada dos membros da delegação russa que pretendem participar na assembleia parlamentar da OSCE, argumentando tratar-se de uma obrigação de direito internacional.

A carta é assinada, entre outros, por deputados da Polónia, Ucrânia, Canadá, Alemanha, França e Reino Unido.

Criada em 1975, em plena Guerra Fria, a OSCE visa promover o diálogo entre o Ocidente o leste da Europa.

O deputado social-democrata frisou ainda à Lusa que, no âmbito dos países membros da OSCE, "sempre houve e continua a haver" conflitos bélicos, como Nagorno-Karabakh, entre Arménia e Azerbaijão, ou os vários onde a Rússia tem estado envolvida.

"[Este conflito na Ucrânia] é particularmente grave, no centro da Europa, e todos nós acompanhamos mais, mas a organização enquanto organização não pode, obviamente, passar ao lado de já ter acontecido e continuar a acontecer vários países membros estarem em conflito armado entre si e, no entanto, nunca se questionou que algum deixasse de estar presente nos eventos", acrescentou.

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