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Chega apoia comissão de inquérito à TAP, mas admite avançar com proposta

O Chega mostrou-se hoje favorável à proposta de comissão de inquérito parlamentar à gestão da TAP anunciada pelo BE, mas admitiu avançar com uma iniciativa própria dependendo do "universo" e "tipo de investigação" proposto pelos bloquistas.

Chega apoia comissão de inquérito à TAP, mas admite avançar com proposta
Notícias ao Minuto

18:15 - 03/01/23 por Lusa

Política CHEGA

"O Chega ouviu hoje a iniciativa do BE de avançar com uma comissão de inquérito à TAP e não podíamos, em consciência, inviabilizar ou estar contra esta iniciativa, naturalmente, uma vez que nós próprios no início avançámos com essa possibilidade", sustentou André Ventura, em declarações aos jornalistas no parlamento.

No entanto, o líder do Chega salientou que "permanece como uma possibilidade forte que o Chega entregue a sua própria proposta de comissão de inquérito à TAP", decisão que "vai depender do universo e do tipo de investigação que o BE queira fazer".

"Se o BE quiser usar esta comissão de inquérito para criticar a política pública da TAP, a reversão, a nacionalização, que é o que parece pelo menos do anúncio, então o Chega não se oporá a ela, mas não é a comissão de inquérito que o país precisa", continuou.

Na opinião de Ventura, o que é necessário é saber "nos últimos anos qual foi o circuito financeiro entre a TAP e os seus administradores e diretores: quanto é que foi pago, a que título, a quem, que dinheiros foram utilizados na TAP e de que forma foi feita a gestão".

"Se a comissão de inquérito do BE permitir fazer esta investigação a fundo contarão com o nosso apoio. Caso seja apenas uma simbologia política, que não permita ter um universo temporal de investigação aprofundado e uma investigação real à gestão da TAP, aos prémios pagos, às indemnizações pagas, então o Chega apresentará a sua própria proposta de comissão de inquérito para o dia em que estiver agendada essa discussão", frisou.

O presidente do Chega mostrou-se convicto de que a indemnização paga à antiga secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis, nos termos conhecidos, "não é legal", saudando o inquérito entretanto aberto pelo Ministério Público.

"Não é legal o que foi pago a título de férias, não é legal o montante, nem a forma como foi paga, tendo ido Alexandra Reis trabalhar para outra empresa pública umas semanas ou meses depois, em violação flagrante do regime legal aplicável ao gestor público e aplicável a situações como esta", sustentou.

Ventura insistiu na "demissão imediata" da atual administração da TAP, dizendo que não compreende como é que o primeiro-ministro "mantém a confiança" nesta gestão.

"Sabemos que vão ser apresentados resultados muito em breve e que possivelmente serão resultados económicos positivos mas isso nada tem a ver com as constantes trapalhadas que a TAP tem feito", sustentou, acrescentando que eventuais resultados positivos "devem-se mais ao contexto internacional e nacional e ao novo contexto do turismo europeu, do que a qualquer especialidade da gestão desta administração".

O Bloco de Esquerda anunciou hoje que vai avançar com uma proposta de comissão de inquérito parlamentar sobre o controlo público e político da gestão da TAP, visando um escrutínio completo da situação desta empresa.

Em 27 de dezembro, o ministro das Finanças, Fernando Medina, demitiu Alexandra Reis das funções de secretária de Estado do Tesouro, menos de um mês depois de a ter convidado para este lugar no Governo e ao fim de quatro dias de polémica com a indemnização de 500 mil euros que esta gestora de carreira recebera da TAP, empresa então tutelada pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos.

Pedro Nuno Santos demitiu-se um dia depois para "assumir a responsabilidade política" do caso da indemnização paga pela TAP a Alexandra Reis.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro, António Costa, falou pela primeira vez publicamente sobre a polémica, pouco depois de anunciar os atuais secretários de Estados João Galamba e Marina Gonçalves para as funções de ministro das Infraestruturas e de ministra da Habitação, respetivamente, considerando que asseguram continuidade de políticas, transparência de ação e experiência, evitando-se "abrandamento" na execução do programa governativo.

[Notícia atualizada às 18h47]

Leia Também: PAN e Livre apoiam inquérito do BE à TAP. PS, PSD e PCP aguardam

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