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PR deve "questionar" execuções sumárias dos acusados de golpe em São Tomé

A ex-eurodeputada Ana Gomes criticou esta quarta-feira o silêncio sobre as alegadas execuções sumárias dos homens acusados de tentativa de golpe de Estado em São Tomé e Príncipe e desafiou o Presidente da República português a exigir uma investigação.

PR deve "questionar" execuções sumárias dos acusados de golpe em São Tomé
Notícias ao Minuto

00:15 - 01/12/22 por Lusa

Política São Tomé

A também ex-candidata presidencial portuguesa divulgou esta quarta-feira à noite, na rede social Twitter, um vídeo que alegadamente demonstra "a tortura" de quatro homens por "alegado envolvimento" na tentativa de golpe de Estado em São Tomé e Príncipe.

Questionada pela agência Lusa, Ana Gomes explicou que o homem que surge nas imagens com as mãos atadas e a ser torturado é Arlécio Costa.

"Este homem (...) não estava em nenhuma invasão do quartel e foi procurado em sua casa e trazido para o quartel e depois torturado", denunciou.

Ana Gomes adiantou à Lusa que confirmou a veracidade das imagens depois de ter falado com familiares de Arlécio Costa, que "é um dos quatro homens que foram vítimas dessa tortura e depois de execução sumária".

Na madrugada de dia 25, quatro homens atacaram o quartel das Forças Armadas, na capital são-tomense, num assalto que se prolongou por quase seis horas, com intensas trocas de tiros e explosões, e durante o qual fizeram refém o oficial de dia, que ficou ferido com gravidade devido a agressões.

O ataque foi neutralizado pelas 06:00 locais (mesma hora em Lisboa), com a detenção dos quatro assaltantes e de 12 militares suspeitos de envolvimento na ação, que foi classificada pelas autoridades são-tomenses como "uma tentativa de golpe de Estado" e condenada pela comunidade Internacional.

Os militares também detiveram, na sua casa, Arlécio Costa, antigo oficial do 'batalhão Búfalo' que foi condenado em 2009 por uma tentativa de golpe de Estado, e que terá sido igualmente identificado pelos atacantes como mandante.

Três dos quatro atacantes e Arlécio Costa morreram na sexta-feira e imagens dos homens com marcas de agressão, ensanguentados e com as mãos amarradas atrás das costas, ainda com vida e também já na morgue, foram amplamente divulgadas nas redes sociais.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, brigadeiro Olinto Paquete, afirmou que os três assaltantes morreram na sequência de uma explosão quando os militares procuravam libertar o refém e Arlécio Costa porque se "atirou da viatura".

Ana Gomes assegura que este é "um caso de tortura à frente de vários soldados em São Tomé, com execuções sumárias no final" e criticou o silêncio dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"A sensação que eu tenho é que há é o intuito de criar um regime de terror em São Tomé. Não percebo porque é que está toda a gente calada", disse à Lusa.

"Fico absolutamente indignada por ver esta que está tudo anestesiado e alienado com os futebóis e ninguém liga a um caso gravíssimo de violações de direitos humanos com execuções sumárias e tortura num país tão pacífico que, obviamente, se isto cai na indiferença, estamos a encorajar que um regime de terror se implante em São Tomé e, portanto, acho que é nossa obrigação, como portugueses, questionarmos", acrescentou.

Para a socialista, é obrigação do Governo português e do Presidente da República "questionar e exigir uma investigação absolutamente exaustiva, com a identificação dos responsáveis políticos e executores destas sinistras violações de direitos humanos".

Também na sua publicação no Twitter, Ana Gomes questiona se Marcelo Rebelo de Sousa "será solicitado a comentar a tragédia em curso em São Tomé e Príncipe".

"Mesmo que tivesse havido o tal alegado golpe de Estado, nada justificaria um tratamento de execução sumária como este que estamos a ver, ainda por cima com pessoas que foram trazidas de suas casas e não e não estavam nenhum grupo que tivesse invadido o quartel ou qualquer instituição pública", sublinhou.

Para Ana Gomes, as declarações do Presidente da República são-tomense, Carlos Vila Nova, a sugerir que as mortes são "ocorrências da reação" à tentativa de golpe de Estado são "esfarrapadas".

Garantindo que São Tomé é um "país pacífico" e lembrando que conhece bem o país onde o seu marido, António Franco, foi embaixador, a ex-eurodeputada portuguesa salientou que este tipo de intervenção, com os países a exigirem uma investigação ao sucedido, "pode fazer toda a diferença".

Portugal enviou, a pedido de São Tomé, uma equipa de investigadores e peritos da Polícia Judiciária e uma médica perita em patologia forense, que irá colaborar com as autoridades judiciárias são-tomense nas investigações.

Ana Gomes elogiou esta iniciativa, mas lembrou que na investigação devem ser consideradas estas imagens e certas fotografias que estão a ser divulgadas.

Leia Também: São Tomé. Delfim Neves libertado sem indícios de envolvimento em ataque

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