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PAN. Críticos da direção estão a "construir projeto político alternativo"

"O descontentamento foi algo que começou ainda antes das eleições legislativas", explicou o ex-deputado Nelson Silva ao Notícias ao Minuto.

PAN. Críticos da direção estão a "construir projeto político alternativo"

Os maus resultados alcançados pelo PAN (Pessoas-Animais-Natureza) nas eleições legislativas do passado mês de janeiro e o rumo que, desde então e até antes disso, tem sido seguido pela liderança do partido suscitam duras críticas por parte de um coletivo de filiados que está já a "construir um projeto político alternativo" à atual direção encabeçada por Inês de Sousa Real.

"O descontentamento foi algo que começou ainda antes das eleições legislativas. E, obviamente, com os resultados obtidos nas mesmas, que levaram ao desaparecimento do grupo parlamentar do PAN e à eleição de uma deputada única, a situação agravou-se e fez com que várias pessoas dentro do partido ficassem descontentes, não só, com o rumo que as coisas estavam a levar, mas principalmente com o facto de não ter havido uma responsabilização dos resultados por parte da liderança. Essa foi a gota que fez transbordar o copo." 

A explicação foi dada, em declarações ao Notícias ao Minuto, por Nelson Silva, antigo deputado do PAN na Assembleia da República e que faz parte deste intitulado 'Movimento Mais PAN'.

Perante os desanimadores resultados alcançados nas eleições de janeiro, que ofereceram uma maioria absoluta ao Partido Socialista (PS) e onde o partido ecologista foi apenas capaz de eleger uma deputada, Inês de Sousa Real, este coletivo de afiliados pretendia, por essa altura, que a "direção pusesse o lugar à disposição e que houvesse algum tipo de responsabilização" da mesma, por via de um "Congresso Extraordinário Eletivo".

Na ótica de Nelson Silva, tal seria uma demonstração de "maturidade política" da liderança e que ofereceria ao PAN a possibilidade de "legitimar a direção", fosse qual fosse a que viesse a ser, nesse mesmo momento, eleita.

Aliás, à semelhança do que aconteceu com o principal partido da oposição, o Partido Social Democrata (PSD), mal se souberam os resultados do escrutínio de janeiro de 2022. "Rui Rio, que no final do ano passado tinha sido reeleito para presidente do PSD, com uma maioria e uma votação expressivas, chegou-se à frente apesar desses resultados e colocou o lugar à disposição - independentemente de ter, um mês antes, sido legitimado", relembrou Nelson Silva.

Porém, não foi isso que aconteceu no PAN. "A partir daí [das eleições legislativas], a onda de descontentamento cresceu, muito também devido às respostas que a direção deu. A própria direção recusou-se a convocar um Congresso Extraordinário Eletivo", explicou o ex-membro do grupo parlamentar do PAN.

Mas as críticas deste grupo de filiados do partido ecologista não ficam por aqui. Até porque, entretanto, a liderança de Inês de Sousa Real comprometeu-se a realizar um "Congresso Estatutário", até pelo facto de os estatutos aprovados pelo PAN no último Congresso, em junho do ano passado, terem sido chumbados pelo Tribunal Constitucional. "Mas depois não organizou nada", recordou Nelson Silva.

"E em vez de promoverem um debate amplo, aberto a todos os filiados, em forma de Congresso, Conferência ou Convenção, de fóruns utilizados por partidos democráticos, decidiu fazer um processo que chamou de 'auscultação' [de filiados] e em que se foram fechando em salas pelo país fora, em que só eles é que sabem o que é que foi dito em cada uma dessas Assembleias", explicou ainda, ao Notícias ao Minuto.

Na perspetiva do também antigo deputado da Câmara Municipal de Odivelas, existiu aqui uma tentativa, por parte da liderança do partido, de "controlar este descontentamento ou as vozes contrárias" existentes no PAN, de forma a poderem, assim, "controlar a narrativa". "E não é isso que faz um partido político democrático e transparente, como o PAN sempre quis ser", acrescentou ainda.

Todos estes fatores levaram, como contou Nelson Silva, o "grupo de filiados" do qual faz parte a dar um "murro na mesa" e a "juntar-se" para "construir um projeto político" que fosse "alternativo" à atual direção. Terminado de "construir o projeto político", o objetivo deste movimento passa por "apresentar uma candidatura ao próximo Congresso" do partido, explicou o ex-deputado.

"Nós temos o nosso Congresso Ordinário que, até junho de 2023, tem de ocorrer", esclareceu Nelson Silva. Ou seja, até daqui a sete meses. Tendo isso em conta, este conjunto de afiliados colocou 'mãos à obra' com o intuito de "construir um projeto político diferente ao atualmente em vigor, e que assenta nos valores ecologistas e de compaixão do PAN. É esse trabalho que este coletivo de filiados tem vindo a fazer ao longo destes meses e que vamos continuar a fazer", elucidou ao Notícias ao Minuto.

Face à atuação que tem sido levada a cabo pelo partido ecologista, de que faz parte, ao longo da atual legislatura, Nelson Silva fez questão de recordar que esse "seria sempre um desafio novo para o PAN, estar perante uma situação de deputada única num contexto de maioria absoluta do PS".

Porém, apesar de reconhecer que esse se trata de um contexto de "certa dificuldade" para o partido, o antigo deputado parlamentar disse ter sido "com tristeza" que viu que o PAN "não tem agarrado" temas que, "no passado", tinham já sido autênticas 'bandeiras' do PAN.

"Todos os temas que estão na ordem do dia, e as grandes prioridades sociais deste ano e dos próximos anos, estavam a jogar a favor do PAN. A transição energética, a transição digital, a soberania alimentar, são todos temas que o PAN já há muitos anos vem debatendo", destacou o ex-deputado municipal.

Mas neste último ano a tendência alterou-se, alegou Nelson Silva: "Parece que estamos a voltar à lógica do monotema, não conseguimos passar mensagem política nestes temas principais, que são as grandes prioridades do momento. Estamos a perder, inclusivamente, espaço mediático nestes temas".

Recordando que o PAN sempre se tinha apresentado, até agora, como um "partido ativista", o membro do 'Movimento Mais PAN' lamentou que o partido tenha vindo a "perder essa essência". E salientou, a esse propósito, o facto de o mesmo "não ter estado representado enquanto partido" nas mais recentes "manifestações climáticas" levadas a cabo por estudantes e que foram amplamente difundidas na comunicação social.

Nas eleições legislativas de janeiro de 2022, recorde-se, o PAN apenas seria capaz de eleger uma deputada - a porta-voz do partido, Inês de Sousa Real -, o que seria uma verdadeira derrota eleitoral para o partido. Isto porque, nas anteriores eleições, o partido tinha sido capaz de eleger quatro deputados.

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