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PCP defende aumento do salário mínimo nacional para 850 euros em janeiro

O secretário-geral comunista acusou hoje o Governo de uma "grande operação ideológica" para impedir um aumento dos salários que permita fazer face aos efeitos da inflação e defendeu a subida do salário mínimo para 850 euros em janeiro.

PCP defende aumento do salário mínimo nacional para 850 euros em janeiro

Discursando no Encontro de Quadros da Juventude Comunista Portuguesa, em Lisboa, Jerónimo de Sousa defendeu o "aumento geral dos salários e do aumento do salário mínimo nacional para 850 euros já em janeiro de 2023".

"Falam do valor do salário mínimo para 2026, para não se comprometerem com o seu aumento significativo já em janeiro. Dizem que querem aumentar o salário médio mas não eliminam as barreiras que o impedem, designadamente a caducidade da contratação coletiva", criticou.

Depois de ouvir vários jovens falarem sobre as dificuldades que enfrentam atualmente na escola, no ensino superior ou no mercado de trabalho, o líder comunista falou numa "grande operação ideológica" nos últimos dias "para procurar justificar o injustificável".

"O Governo, de conluio com o grande capital, quer fazer-nos aceitar que os trabalhadores têm mesmo que aguentar uma nova degradação das condições de vida", afirmou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP falou nas "dificuldades dos jovens trabalhadores que estão apertados entre a ausência de vínculo, por um lado, vivendo na permanente incerteza do dia de amanhã, se o contrato é renovado ou não, se o salário está ou não garantido, e, por outro lado, a persistência dos baixos salários que se confronta com o brutal aumento dos preços".

E apontou que, "perante uma inflação que no final do ano se situará em cerca de 8%, o Governo e os patrões querem fazer crer, com o respaldo do comentário especializado, que não é possível um aumento de salários acima dos 4,8%".

Na quarta-feira, o Governo propôs aos parceiros sociais uma valorização nominal das remunerações em 4,8% em média, em cada ano, entre 2023 e 2026, de forma a garantir nesse período um aumento médio acumulado de 20% dos salários dos trabalhadores.

"Dizem uns que a inflação é temporária e portanto para o ano já não se faz sentir, fingindo não saber que só este ano os trabalhadores já perderam um salário com o aumento dos preços e que isso sem o aumento dos salários não será revertido. Dizem outros que as empresas não aguentam, por causa dos custos da energia, dos combustíveis, das matérias-primas, tudo fazendo para que não se fale nos escandalosos lucros dos grandes grupos económicos que, em tempo de crise e dificuldades, aumentam vertiginosamente", criticou Jerónimo de Sousa.

E criticou que se fale "em contrapartidas para o patronato aumentar salários", questionando se um trabalhador "estar oito horas à frente de uma máquina, de um computador ou de um volante já não é suficiente para justificar o seu salário".

O secretário-geral do PCP considerou igualmente que o Governo de querer "retomar todos os caminhos da política de direita, fazer comprimir ainda mais os salários, facilitar a exploração, abrir espaço para os negócios privados na saúde e na educação, condicionando ou justificando as suas opções com as orientações e imposições da União Europeia e do euro".

E recusou "as desculpas do costume", referindo que recentemente foi a pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia, mas "já antes tinha sido a crise do capitalismo do tempo da 'troika' e tantas outras justificações".

"Tudo serve para aplicar as velhas receitas, para nos pedirem que aceitemos as medidas para acentuar a exploração, para degradar os serviços públicos, limitar as liberdades democráticas e concentrar ainda mais a riqueza na mão de uns poucos", considerou, salientando que "há outro caminho".

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