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Meloni tem renegado "ideário" fascista para "ganhar respeitabilidade"

Na ótica do antigo ministro Azeredo Lopes, esta estratégia foi também usada para "conseguir o distanciamento que ela precisava para se alcandorar ao poder".

Meloni tem renegado "ideário" fascista para "ganhar respeitabilidade"

O ex-ministro português da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, num espaço de comentário da CNN Portugal, considerou que Giorgia Meloni, líder do partido 'Irmãos de Itália' (FdI), que encabeça a coligação que assumirá a governação da nação italiana, "tem renegado consistentemente, nos últimos tempos", o "ideário" fascista para "ganhar respeitabilidade".

Mas não só. Na ótica do também professor universitário, tal estratégia terá também foi usada de modo a "conseguir o distanciamento que ela precisava para se alcandorar ao poder e, principalmente, para colocar no seu 'sítio' os seus dois principais rivais". São eles, elaborou, "aqueles com quem vai ter de negociar" no contexto da coligação - Matteo Salvini, da 'Liga', e Silvio Berlusconi, do 'Força Itália'. 

Analisando os resultados destas últimas eleições italianas, Azeredo Lopes salientou que o "facto de os dois [outros partidos da coligação] estarem abaixo da fasquia dos 10% [...] significa que ela tem um pouco mais de margem política" durante a sua atuação governativa, o que se apresenta como uma "vantagem".

Ainda assim, o comentador referiu que "Meloni vai ter de estar atenta às costas", à semelhança do que aconteceu já com outros primeiros-ministros em Itália. "É uma prática contemporânea de Itália", considerou, a este propósito.

Relembrando que "Itália conhece partidos de índole fascista no parlamento desde sempre", Azeredo Lopes fez questão de ressalvar que existe aqui uma "coisa nova": é que, desse vez, os mesmos "ganharam".

"Não me importo nada de ter um fascista isolado no meio de todos os eleitores, incomoda-me bastante se for um fascista ou alguém aparentado como fascista a ganhar as eleições", acrescentou ainda o antigo governante.

Quanto à classificação que pode ser feita do partido 'Irmãos de Itália', Azeredo Lopes demonstrou alguma dificuldade. "É que Giorgia Melloni já disse, sobre esse assunto, tudo e o seu contrário", explicou.

"Já fez declarações muito fortes e inaceitáveis do ponto de vista, até, democrático, sobre as bases de qualquer democracia tolerante e pluralista", explicou o antigo ministro da Defesa Nacional, em primeiro lugar. E, além do mais, "teve um papel de relevo na juventude do Movimento Social Italiano que se reivindicava diretamente do fascismo italiano".

De recordar que o povo italiano, nas eleições de domingo, atribuíram à coligação de direita e de extrema-direita, segundo os dados mais atualizados, aproximadamente 44% dos votos, face aos cerca de 26% conquistados pela coligação de esquerda, composta pelo Partido Democrático e por outros partidos de menores dimensões.

Leia Também: Itália? Marcelo afirma que "povo tem sempre razão" e deseja coesão na UE

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