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Reações às eleições de Itália. "Nenhuma ameaça pode parar a democracia"

Depois das eleições deste domingo, fica claro que os destinos de Itália são agora escritos à Direita. Veja aqui as reações à vitória da coligação FdI um pouco por todo o mundo.

Reações às eleições de Itália. "Nenhuma ameaça pode parar a democracia"

A coligação de direita e extrema-direita italiana liderada pelo FdI (Irmãos de Itália) de Giorgia Meloni, que reúne Liga, de Matteo Salvini, e o partido conservador Força Italia, de Silvio Berlusconi, obteve 43% dos votos das legislativas, realizadas este domingo, o que já causou inúmeras reações nacionais e internacionais.

O bloco de centro-esquerda, liderado pelo Partido Democrático, de Enrico Letta, deverá obter 26% dos votos, segundo as últimas estimativas.

Assim, recorrendo à rede social Twitter, logo pela manhã o primeiro-ministro da Polónia, Mateusz Morawiecki, uma das vozes mais à direita na Europa, parabenizou a nova líder italiana.

Da mesma forma, Jordan Bardella, eurodeputado e presidente interino do partido francês União Nacional, liderado por Marine Le Pen, sublinhou que "o povo italiano deu uma lição de humildade à União Europeia que, pela voz da senhora Von Der Leyen, procurou impor-lhes o seu voto".

"Nenhuma ameaça de qualquer tipo pode parar a democracia: o povo europeu está a levantar a cabeça e a tomar o seu destino nas suas mãos", acrescentou.

Já Balazs Orban, o diretor político do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, incluiu todos os vitoriosos na sua menção pública, afirmando, também no Twtter: "Parabéns a Giorgia Meloni, Matteo Salvini e Silvio Berlusconi (líder do Forza Italia) pelas eleições de hoje! Nestes tempos difíceis, precisamos mais do que nunca de amigos que partilhem uma visão e abordagem comuns aos desafios da Europa. Vida longa à amizade entre a Hungria e Itália!".

Santiago Abascal, líder do Vox espanhol, também não deixou de felicitar os grandes vencedores sublinhando que "Giorgia Meloni mostrou o caminho para que uma Europa orgulhosa e livre de nações soberanas possa cooperar para a segurança e a prosperidade de todos".

E Marine Le Pen, a polémica representante da extrema-direita francesa referiu que "o povo italiano decidiu tomar o seu destino nas mãos de um governo patriótico e soberano. Parabéns a Giorgia Meloni e (líder da Liga) Matteo Salvini por terem resistido às ameaças de uma União Europeia antidemocrática e arrogante conquistando esta grande vitória".

Também em França, mas num polo oposto, a primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, disse que o Governo de Paris vai estar "atento" no que diz respeito aos direitos humanos e ao direito ao aborto em Itália.

"É evidente que estaremos atentos, com a presidente da Comissão Europeia (Ursula von der Leyen), para que os direitos humanos, o respeito mútuo e em particular o respeito pelo direito ao aborto, sejam respeitados por todos",  disse Borne, em declarações à cadeia de televisão BFMTV.

Em casa, ainda no início da noite eleitora já Matteo Salvini agradecia a grande vitória apontando para uma "clara vantagem tanto na Câmara quanto no Senado".

Já a própria vencedora garantiu que o partido irá governar "para todos" e "para que os italianos se possam orgulhar de ser italianos", disse ainda que "os italianos enviaram uma mensagem clara de apoio a um governo de direita liderado".

"Estamos seguros de que estes ventos de mudança irão chegar a Portugal"

Por cá, existem também algumas reações a começar pelo líder do partido mais à direita com assento parlamentar Chega, André Ventura, que refere em comunicado: "Estamos seguros de que estes ventos de mudança irão chegar a Portugal e que também os portugueses terão direito a virar a página e eleger quem seja capaz de defender os seus interesses".

Disse ainda que "os resultados obtidos por Giorgia Meloni e Matteo Salvini nas eleições italianas abrem caminho a uma verdadeira mudança de políticas em Itália e, ao mesmo tempo, a uma reconfiguração política da Europa".

Também no campo da direita portuguesa, o comentador Paulo Portas apontou, no seu espaço de comentário da CNN Portugal, este domingo, antes de se saber o resultado, que o resultado das eleições italianas trará "substanciais diferenças" para o governo do país. "Ganhe quem ganhar, a Itália poderá ter o primeiro primeiro-ministro diretamente eleito nos últimos onze anos", acrescentou. 

Voltando ao Twitter, o antigo ministro do PSD, Miguel Poiares Maduro aproveitou o momento para criar todo um debate na rede social referindo que "em Itália o centro-esquerdo é a democracia-cristã… Tudo é relativo. Em Portugal dizem que nem existe extrema esquerda e que o Putin afinal é de direita. A auto-definição não ficou pelo género e chegou também aos partidos políticos…".

Depois disto, a deputada socialista Isabel Moreira aproveitou o momento para a critica às comparações e referiu que "depois de vermos uma Itália envenenada, por cá há quem insista em normalizar a extrema-direita fazendo a desonesta simetria entre o Chega e BE/ PCP".

Ainda aqui, a líder do PAN, Inês de Sousa Real, realça que: "o resultado eleitoral em Itália é mais um dia triste na história da democracia da Europa e deve consciencializar para o perigo da normalização de forças políticas da extrema-direita". "As respostas para os problemas que enfrentamos não estão no populismo. Vivemos tempos complexos", acrescenta.

Por fim, do mais alto representante da nação, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, a única reação que temos foi em curtas declarações aos jornalistas num encontro com emigrantes e lusodescendentes em Gustine, na Califórnia, onde sublinhou que espera o "retrato final da situação". 

Expressou ainda que "Itália é muito importante porque independentemente do juízo sobre o resultado, que eu não posso formular como Presidente da República é uma das grandes nações europeias, das grandes economias europeias. E neste momento muito sensível é fundamental, além do mais, a estabilidade nas grandes economias europeias".
 
Recorde-se que mais de 50 milhões de italianos foram no domingo chamados a votar nas eleições legislativas italianas em que, devido à pulverização partidária, nenhum partido deverá obter uma maioria suficiente para governar sozinho.

Os partidos da direita e extrema-direita fizeram um acordo de coligação que está a conduzir Giorgia Meloni ao poder e a tornar-se na primeira mulher primeira-ministra de Itália.

Leia Também: Após expulsão em 2013, Silvio Berlusconi regressa ao Senado italiano

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