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"Ziguezagues" e "desorientação". Partidos reagem a solução para aeroporto

Da Esquerda à Direita, são muitas as críticas à solução encontrada pelo Executivo para o novo aeroporto de Lisboa. Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, rejeitou que a decisão tenha sido "unilateral".

"Ziguezagues" e "desorientação". Partidos reagem a solução para aeroporto
Notícias ao Minuto

08:44 - 30/06/22 por Notícias ao Minuto com Lusa

Política Aeroporto

O Governo tem uma nova solução aeroportuária para Lisboa, que passa pela construção, até 2026, de um novo aeroporto no Montijo, e por encerrar o aeroporto Humberto Delgado, quando estiver concluído o de Alcochete.

O plano passa por acelerar a construção do aeroporto do Montijo, uma solução para responder ao aumento da procura em Lisboa, complementar ao aeroporto Humberto Delgado, até à concretização do aeroporto em Alcochete, apontada para 2035, segundo o Ministério.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, afirmou, esta quarta-feira, que o país anda "há anos de mais" a decidir sobre o novo aeroporto de Lisboa e que não haveria nenhuma decisão "que não fosse alvo de críticas". O governante rejeitou ainda que a solução hoje anunciada pelo Executivo seja "unilateral" e disse que foi Luís Montenegro, que se "pôs de fora". 

Isto porque, em reação, fonte próxima do presidente eleito do PSD afirmou, à Lusa, que este "não foi informado de nada" sobre os planos do Governo para o novo aeroporto.

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, disse ainda não ter condições para comentar a decisão anunciada pelo Governo acerca do novo aeroporto de Lisboa, afirmando estar à espera de saber os "contornos concretos" da solução encontrada pelo Executivo socialista através do primeiro-ministro, António Costa.

"Não estou em condições de estar a comentar o despacho, nem o comentaria sem saber se isso tem implicações ou não que envolvam o Presidente da República", começou por dizer Marcelo, em declarações aos jornalistas, depois das várias reuniões bilaterais que teve ao longo da tarde.

Mas também outros partidos e personalidades nacionais já reagiram à decisão apresentada, com Rui Rio, o ainda líder da oposição, a considerar que não é "viável" avançar com a nova solução aeroportuária para Lisboa no Montijo, lembrando que "é preciso alterar a lei". O social-democrata questionou como irá avançar a solução agora anunciada pelo Governo e acusou o Executivo de andar aos "ziguezagues".

Solução "não é credível"

O PCP considerou que a solução Montijo/Alcochete proposta pelo Governo para resolver a situação do aeroporto de Lisboa "não é credível" e insistiu na transferência faseada para o Campo de Tiro de Alcochete. 

"A confirmaram-se as notícias de que o Governo avançará com a construção do aeroporto no Montijo e posteriormente em Alcochete, gostaríamos de dizer, desde já, que não é credível e não é aquela que é a resposta necessária para o país", sustentou a líder parlamentar comunista, Paula Santos, nos Passos Perdidos do Parlamento.

O Grupo Parlamentar do PCP requereu audição na Assembleia da República, com caráter de urgência, do ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

"Andam a brincar com o país"

A deputada pelo Bloco de Esquerda Joana Mortágua reagiu, esta quarta-feira, ao facto de o Governo ter decidido avançar com uma nova solução aeroportuária para Lisboa, que passa pelo Montijo e Alcochete. 

"Dizem as notícias que o Governo decidiu abandonar a Avaliação Ambiental Estratégica e avançar já para a construção do aeroporto no Montijo. As mesmas notícias dizem que o Governo reconhece a necessidade de construir um aeroporto em Alcochete. Andam a brincar com o país", escreveu no Twitter.

Utilização de dinheiros públicos "tem que ser escrutinada"

João Cotrim Figueiredo, presidente da Iniciativa Liberal, alertou que a utilização de dinheiros públicos na nova solução aeroportuária do Governo tem que ser "muitíssimo escrutinada", prometendo usar todos os instrumentos à sua disposição para obter esclarecimentos sobre o tema.

"Se fizemos o esforço político que fizemos relativamente à intervenção na TAP - que foram cerca de 3.500 milhões de euros - estes dois aeroportos juntos são mais do dobro desse montante. É uma utilização de dinheiros públicos que tem que ser muitíssimo escrutinada", defendeu.

"Desrespeito ao Parlamento", diz Chega

O presidente do partido Chega, André Ventura, acusou o Governo de um "desrespeito muito grande" para com o Parlamento ao anunciar a nova estratégia aeroportuária e lamentou que os partidos não tenham sido informados da decisão.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, em Lisboa, afirmou que "havia um consenso com o Parlamento" porque estava "um processo de avaliação ambiental em curso" que "foi acordado" com a Assembleia da República.

Livre fala em "desorientação"

O deputado único do Livre, Rui Tavares, considerou hoje que a nova solução aeroportuária para Lisboa do Governo revela "uma certa desorientação", defendendo que deve ser feita uma avaliação ambiental estratégica "sem localizações definidas".

"Parece-me que revela uma certa desorientação, é um voltar atrás em algumas garantias que tinham sido dadas da fidedignidade do processo", afirmou Rui Tavares, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República.

PAN considera estratégia "inusitada e precipitada"

A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, considerou ontem que a nova solução aeroportuária para Lisboa é "manifestamente inusitada e precipitada" e defendeu que a decisão deveria ser tomada "só após" a avaliação ambiental estratégica.

"Este é um claro exemplo daquele que era o receio em relação ao chamado rolo compressor da maioria absoluta, que claramente abriu aqui o caminho para uma opção que tem sido fortemente contestada pelas organizações não-governamentais do ambiente, pelos próprios órgãos reguladores, pelos municípios afetados e também pelos partidos da oposição", defendeu Inês Sousa Real na Assembleia da República.

"É ao Governo que compete decidir"

Carlos Moedas, autarca de Lisboa, sublinhou que estará do lado da solução que melhor servir Lisboa, depois de o Governo ter anunciado que vai fechar portas ao aeroporto Humberto Delgado quando as instalações do Montijo e de Alcochete estiveram operacionais.

Já a ANA - Aeroportos de Portugal saudou, esta quarta-feira, a decisão do Governo de avançar com uma nova solução aeroportuária para Lisboa no Montijo e Alcochete, considerando que irá permitir dar, "a curto prazo" uma resposta "viável e otimizada às necessidades de desenvolvimento aeroportuário" da região.

"A ANA - Aeroportos de Portugal saúda a decisão do Governo português que permitirá dar, a curto prazo, uma resposta viável e otimizada às necessidades de desenvolvimento aeroportuário da região de Lisboa, através de uma solução pragmática de investimento nos aeroportos Humberto Delgado e do Montijo", lê-se num comunicado a que o Notícias ao Minuto teve acesso.

O Governo atribuiu ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil a elaboração do Plano de Ampliação da Capacidade Aeroportuária da Região de Lisboa e respetiva avaliação ambiental estratégica, o estudo da construção do aeroporto do Montijo, enquanto infraestrutura de transição, e do novo aeroporto 'stand alone' (único) no Campo de Tiro de Alcochete.

Leia Também: Governo tem uma nova solução aeroportuária. Afinal, o que está em causa?

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