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Aborto? "Olhamos para isto no século XXI e pensamos que é impensável"

Francisco Louçã aponta que esta decisão história que reverte do direito ao aborto pode abrir caminho para um controlo quase comparável à série televisiva 'The Handmaid's Tale'.

Aborto? "Olhamos para isto no século XXI e pensamos que é impensável"

Francisco Louçã analisou, esta sexta-feira, no seu espaço de comentário na SIC Notícias, a anulação da decisão que deu direito ao aborto, o processo 'Roe v. Wade', que vigorava desde 1973. 

O economista explicou que há "13 estados que já tinham leis, as tais 'leis gatilho' ('trigger laws', na versão original), que já estava aprovadas e só poderiam entrar em vigor quando esta decisão fosse aplicada". Com a decisão do Supremo Tribunal de hoje, estes estados já não estão impedidos de banir o direito ao aborto. 

Louçã analisou também a mudança política no país e o controlo sobre os direitos fundamentais das mulheres que se está a apoderar do país. "O partido republicano mudou completamente, a cultura política mudou radicalmente e, na verdade, estes estados que querem proibir o aborto estão agora ponderar outras medidas. Por exemplo punir a viagem de uma mulher que queira interromper a gravidez para um estado que o permita, punir pessoas da família que colaborem com essa decisão, impedir o acesso por telefone a consultas médicas, impedir o acesso por correio a pílulas que permitam a interrupção da gravidez", enumerou. 

O comentador comparou ainda a situação à série televisiva 'The Handmaid's Tale' devido ao controlo que parece estar a instalar-se "em nome de uma república integrista religiosa". Fez também referência a um artigo do New York Times que citava um dos juízes que votou nesta decisão, Clarence Thomas, que dizia que "isto permitiria pôr em causa também o direito ou acesso à contraceção, ao casamento gay ou até à relação sexual homossexual". 

"Olhamos para isto no século XXI e pensamos que é impensável que mesmo uma direita radicalizada possa chegar a este nível", frisou. No entanto, lembra o político, Bolsonaro protestou esta sexta-feira contra o aborto de uma menina de 11 anos que foi violada no Brasil. 

Concluindo a sua análise sobre esta decisão, Louçã acredita que os Estados Unidos "serão dois países diferentes, já tendem a ser do ponto de vista político e agora isso consolida-se na legislação e isto significa uma tensão muito grande que é um processo em bola de neve". 

Recorde-se que a decisão tomada hoje pela maioria de juízes conservadores no Supremo já era esperada, depois de ter sido divulgado em maio um rascunho sobre a intenção do principal tribunal norte-americano de reverter o processo.

A reversão do 'Roe v. Wade', o processo que concedeu o direito federal e universal ao aborto em todo o país, é um retrocesso nos direitos de milhões de mulheres norte-americanas. 

Leia Também: "Infame" e "ataque moral". As reações à decisão sobre o aborto por cá

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