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Perpétua para russo. "O que merecem os que abriram as portas do inferno?"

Porfírio Silva voltou a comentar o caso do soldado russo condenado por crimes de guerra na Ucrânia, considerando que, enquanto medida penal, a prisão perpétua "não respeita a dignidade da pessoa humana".

Perpétua para russo. "O que merecem os que abriram as portas do inferno?"

Após a condenação do combatente russo acusado de matar um civil na Ucrânia, na segunda-feira, Porfírio Silva, deputado do Partido Socialista (PS), voltou a recorrer às redes sociais para abordar o caso, questionando que, se um jovem “merece a prisão perpétua”, o que merecem, então, “os que abriram as portas do inferno?”.

“‘Ucrânia condena a prisão perpétua o primeiro soldado russo a ser julgado por crimes de guerra.’ Não discuto se cometeu ou não crimes de guerra. Não tenho por hábito julgar que sei mais do que um tribunal. Mas se um jovem, quase um miúdo, que matou um velho (da minha idade), merece a prisão perpétua, o que merecem os que abriram as portas do inferno? Dez prisões perpétuas?”, apontou o socialista, na sua página do Facebook.

Para Porfírio Silva, a prisão perpétua é “uma pena que não respeita a dignidade da pessoa humana”, acusando ainda a sentença do jovem soldado de se tratar de “uma mensagem”.

“Quando os condenados são as nossas ferramentas para passarmos mensagens ao mundo, não creio que isso seja justiça”, lançou.

Esta não foi a primeira vez que o deputado comentou o caso. Ao partilhar um texto do jornal alemão Der Spiegel, o socialista sublinhou, na sexta-feira, que "a guerra é uma idiotice", considerando que “são sempre os desgraçados de baixo que pagam as favas”.

Em causa está a condenação a prisão perpétua de Vadim Shishimarin, soldado russo de 21 anos, acusado de ter matado Oleksandr Shelipov, de 62 anos, à beira de uma estrada, na região de Sumy, a 28 de fevereiro.

Naquele que foi o primeiro julgamento por crimes de guerra cometidos no decorrer do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, o combatente mostrou-se “muito arrependido”, assegurando que “não queria matar” o civil desarmado.

Viktor Ovsiannikov, advogado de defesa do jovem, argumentou que o seu cliente disparou após ter recusado fazê-lo por duas vezes, e que a vítima foi atingida apenas uma vez. Disse ainda que Shishimarin atirou contra Shelipov por temer pela própria vida, questionando as suas intenções de levar a cabo um homicídio. O jovem acabou, contudo, condenado a prisão perpétua.

Também na segunda-feira, a procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, revelou que outros 48 soldados russos serão julgados por crimes de guerra em solo ucraniano, estando o país a investigar cerca de 13 mil crimes de guerra cometidos pelas forças russas.

Lançada a 24 de fevereiro, a ofensiva militar na Ucrânia já matou mais de três mil civis, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

O conflito causou ainda a fuga de mais de 13 milhões de pessoas, das quais mais de seis milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

Leia Também: Outros 48 russos serão julgados por crimes de guerra, diz Ucrânia

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