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PSD. "Pode um general ganhar batalhas, dispensando parte das tropas?"

Vital Moreira aponta dois problemas que a "depuração política" das listas eleitorais do PSD levanta. Um de teoria política e outro "mais prático".

PSD. "Pode um general ganhar batalhas, dispensando parte das tropas?"

Comentando os recentes desenvolvimentos internos do PSD, o constitucionalista Vital Moreira questiona, num artigo publicado no blogue Causa Nossa, se "pode um general ganhar batalhas, dispensando parte das suas tropas", referindo-se às listas do partido para as eleições legislativas de 30 de janeiro. 

O ex-eurodeputado do PS comenta que os adversários de Rui Rio estavam "convencidos de que os ventos sopravam a seu favor" e de que "podiam afastar" o ex-autarca do Porto nas eleições diretas e "modelar em seu proveito as listas eleitorais e o próximo grupo parlamentar".

Todavia, os opositores de Rio "foram surpreendidos com a vitória convincente do presidente do partido" e este "não hesitou em 'limpá-los' das listas, aproveitando a legitimidade reforçada que os adversários internos lhe proporcionaram". Em suma: "É o que se chama "ir à lã e vir tosquiado", ironiza Vital. 

No entanto, e apesar de reconhecer legitimidade na "operação de depuração política das listas eleitorais do PSD", o constitucionalista aponta-lhe dois problemas - um de teoria política e outro mais prático. 

Em primeiro lugar questiona: "Até onde é que, num partido de vocação governamental, não ideológico, como o PSD (ou o PS), o grupo parlamentar há de ser composto apenas por seguidores do líder do momento, inorando a diversidade política interna, com o risco adicional de grave disfunção política interna, se vier a haver mudança de líder no decurso da legislatura".

Vital Moreira questiona ainda "se é possível realizar uma campanha eleitoral bem-sucedida, defrontado o ressabiamento, se não a a hostilidade, de muitas estruturas distritais e locais e dos seus seguidores", num PSD assim "dividido". 

O presidente do PSD admitiu na terça-feira que existiram algumas "clarificações" na lista de candidatos a deputados, mas recusou que tenha havido uma "limpeza étnica", considerando que continuam a conviver "muitas etnias" na proposta da direção.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião da Comissão Política Nacional e antes do Conselho Nacional, que irá votar a proposta de listas, Rio considerou que deu "alguns sinais de unidade, mas ao mesmo tempo de renovação".

"Fizemos um esforço de renovação particularmente em deputados que possam estar há muitos anos no parlamento", afirmou, embora escusando-a a adiantar exemplos, dizendo que "as listas estão a ser finalizadas".

Quanto aos sinais de unidade, Rio considerou que foi tentado "um equilíbrio" com as propostas feitas pelas comissões políticas distritais e concelhias.

"Não entrarmos numa situação em que só olhamos para aqueles que estavam do meu lado e correndo com os que estavam do outro", afirmou, numa referência às recentes eleições diretas em que derrotou o eurodeputado Paulo Rangel.

Leia Também: "Não houve recusa de coligação. Houve um debate para fazer o normal"

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