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Catarina Martins acusa Costa de "exercício de cinismo" sobre a Galp

A coordenadora do BE, Catarina Martins, criticou hoje o "exercício de cinismo" de António Costa em relação à Galp, considerando que o primeiro-ministro "não pode estar chocado" depois de nada ter feito para impedir os despedimentos.

Catarina Martins acusa Costa de "exercício de cinismo" sobre a Galp
Notícias ao Minuto

11:48 - 20/09/21 por Lusa

Política Autárquicas

No final de uma ação de campanha autárquica na Feira de Espinho, distrito de Aveiro, Catarina Martins foi questionada sobre as declarações de António Costa, enquanto secretário-geral do PS, que no domingo afirmou que "era difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta insensibilidade" como a Galp demonstrou no encerramento da refinaria de Matosinhos, prometendo uma "lição exemplar" à empresa.

"O que é que pensará um trabalhador da refinaria da Galp quando ouve a mesma pessoa que impediu qualquer mudança que protegesse o seu emprego, uma vez despedido, a dizer que aquilo que não podia ter acontecido? A política não pode ser esse exercício de cinismo, a política tem de ser sobre soluções para a vida das pessoas", condenou.

Lembrando que "há pessoas concretas" e "tantos trabalhadores que, de um dia para o outro, ficaram sem nada", a líder do BE foi muito crítica nas palavras e avisou que "não se pode brincar assim com a vida das pessoas".

"Sim, o Estado devia ter impedido aqueles despedimentos e quando eu questionei António Costa no parlamento ele disse que não ia fazer nada", referiu.

Por isso, segundo Catarina Martins, o primeiro-ministro "não pode agora estar chocado com aquilo que quis".

"Eu estava a ouvir António Costa a fazer as declarações sobre a Galp e pensava: bem, se quem pensa assim fosse primeiro-ministro e tivesse votado a proposta do Bloco de Esquerda para proibir os despedimentos, aí sim, tínhamos o país defendido", tinha começado por responder Catarina Martins aos jornalistas.

A líder do BE considerou "estranho que a mesma pessoa que enquanto primeiro-ministro, enquanto dirigente do PS, chumbou as propostas do Bloco de Esquerda que podiam defender os precários da Galp e os trabalhadores da Galp que estão a ser despedidos, venha agora fazer um discurso sobre o que a Galp não pode fazer".

"O poder político tem que impor regras. Regras na economia e no trabalho. É para isso que somos eleitos", lembrou.

Acusando o PS de ter recusado impor regras sobre esta questão, Catarina Martins lembrou que questionou diretamente o chefe do executivo em debates quinzenais -- "quando eles ainda existiam" -- "sobre a Galp e o que é que iria fazer o Governo e António Costa disse que não iria fazer absolutamente nada".

"É estranho que quem recusou utilizar até a capacidade que tinha como acionista, como representante do Estado, para travar os despedimentos agora esteja chocado com os despedimentos", atirou.

Num debate quinzenal em 22 de abril de 2020, Catarina Martins defendeu que a distribuição de dividendos nas empresas em que o Estado é acionista deve ser impedida, mas o primeiro-ministro rejeitou então esta ideia por considerar que se devia "perturbar o mínimo possível o funcionamento da economia".

Entretanto, contactada hoje pela agência Lusa, a Galp não quis comentar as declarações do secretário-geral do PS, António Costa.

Fonte oficial da empresa disse que "a Galp não tem comentários sobre as declarações do senhor primeiro-ministro".

No comício de apoio à presidente do município e candidata do PS a um novo mandato, Luísa Salgueiro, António Costa considerou que o processo da empresa em Matosinhos constitui "um exemplo de escola de tudo aquilo que não deve ser feito por uma empresa que seja uma empresa responsável".

"A Galp começou por revelar total insensibilidade social ao escolher o dia 20 de dezembro, a cinco dias do Natal, para anunciar aos seus 1.600 trabalhadores que iria encerrar a refinaria de Matosinhos", apontou.

[Notícia atualizada às 12h20]

Leia Também: Costa promete "lição exemplar" à Galp depois de "disparate" em Matosinhos

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